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As miúdas, as meninas, as mulheres das ilhas.

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Cada vez que regresso a São Tomé há um pensamento que regressa comigo. As miúdas, as meninas, as mulheres das ilhas.
É difícil comparar com as nossas miúdas, meninas e mulheres.
Aqui as crianças parecem mais crianças. São-no no estado puro de quem cresce descalço sobre a terra, de quem sorri sem medo para quem passa, de quem segue para a escola a pé, a rir com outras crianças, de quem mergulha nu no mar e participa sem queixume visível da vida em comunidade.
Parecem tão pequeninos para tanto e são mesmo.
Como eu quis, e não consegui, que na mesma idade as minhas miúdas andassem mais descalças, mas consegui que nadassem nuas em todas as praias, não consigo ainda, que vão para a escola sozinhas, mas já consigo que vão à mercearia comprar o pão e as frutas que faltam. Vou tentando, sempre que posso, fintar-lhes os vícios da cidade, das rotinas cómodas, das certezas sem fim. Ambiciono muito para as minhas miúdas, meninas.
Não lhes falta nada. Mas ainda lhes falta muito.
Esse muito que ainda lhes falta é o sacrifício. E nós hoje, ainda pouco fazemos por essa doutrina sã que criou tanto filho bom.
É uma luta quase inglória porque quando há não se retira. Quando se tem não se adia.
Um dos pensamentos que ganha força aqui é a certeza de que vos tenho que dar menos para vos saber dar mais.
E se algum dia tiver receio que me culpem por isso…
Invade-me a certeza que o vosso coração irá mais cheio por cada vazio meu.

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É com Amor que se vence o medo.

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Os dias regressam, as horas impõe-se, as rotinas exigem.
Mas há neste amanhecer dos dias seguintes uma culpa irresponsável, por continuar a viver, como se nada fosse diferente, sabendo que nunca mais será igual.
Não dormi bem à noite. Levantei-me.
Fui beijar-lhes as caras. Agarrei a mão do Pedro com força.
Ouvia tudo com muita nitidez.
Nunca a minha respiração me pareceu tão forte, como se me quisesse alertar da forma mais crua para a benção da vida.
Obrigado por me teres segurado a noite com um “Amo-te”.
É com Amor que se vence o medo.

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#NÃO AO MEDO

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#NÃO AO MEDO

Devia escolher esta imagem para ilustrar um momento mais feliz, mas não dá para sobrevoar o que está a acontecer…e continuar planando sobre o ar quente dos dias, só porque o bafo que nos sustenta teve a sorte aleatória da melhor hora, do local certo e da circunstância boa.
E não dá para querer cortar as asas de quem sonha voar para longe de um chão que não o deixa crescer, poisar sequer, ou semear.
E menos ainda, desconfiar de quem quer ser livre, só por quem nunca sentiu antes, a asfixia da liberdade.
Nestes dias, em que ficamos com poucas certezas, encontro na forma como as educo, a minha pista de descolagem.
A consciência da sua dimensão na dimensão do mundo. A importância das suas acções na condução do seu destino. A crença na humanidade. O amor aos outros. A luta pela liberdade. A defesa da igualdade. E o amor à terra. E se der para ir mais longe no meu vôo de mãe, quero muito, que os seus sonhos tenham a força de duas asas e que nunca tenham receio de se elevarem por aquilo em que acreditam.
Porque o céu não tem arame farpado, o sol não é uma estrela privada e o medo não ganha à força da Liberdade.

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Orgulho do caraças

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Hoje ganhaste o 2º lugar no corta mato da escola, subiste ao pódio com um olhar tão doce, que me comovi. Seguravas a medalha com tanto brio, que os dedos ficaram marcados com o relevo do logotipo. E ainda ontem, estavas tão ansiosa.
Eram 5h da manhã, e já estavas na minha cama a pedir chocapic, porque alguém te disse que o chocolate era energizante.
Às 7 da manhã já estavas equipada, e só me pedias que não me atrasasse, porque querias chegar a tempo do aquecimento.
Acho que nunca cheguei tão cedo à escola.
Não sou fanática por competições, nem tenho qualquer tipo de obsessão com a soma de vitórias.
Hoje, só tenho um orgulho do caraças da tua resiliência, da tua força de vontade, da tua voz sibilina quando cerras o pulso, e enfrentas o teu medo em pequenos diálogos contigo mesma. Tenho um orgulho do caraças, porque já te conheci tão aérea, que para te buscar de volta à terra, tive que aprender a voar. Um orgulho do caraças por ver a humildade com que agarras as conquistas, e a ternura com que te sentaste a consolar a amiga que chorava pelo último lugar.
Um orgulho do caraças, por saberes que a tua irmã Camila só corre para boiões de Nutella, e teres passado o caminho todo no carro a elogiar as suas capacidades físicas.
Não sei bem o que fiz, nem onde me reveja.
Mas o que vejo em ti orgulha-me.
Do caraças minha loira.

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