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Não sei bem quem é que consegue

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Não sei bem quem é que consegue. E ainda menos quem tenta. Mas não posso ficar senão feliz por quem consegue perceber na unidade do tempo a maior riqueza do homem. Nunca fui rica no sentido monetário do termo, tudo o que hoje tenho foi minha conquista. Quando quis casar comprei com o meu dinheiro o meu vestido de noiva a prestações. E trabalhei muito enquanto estudava para comprar, também a prestações, a minha carta, o meu primeiro carro, a minha primeira renda e os meus primeiros vícios. Não gosto do discurso gabarolas da infância sofrida, mas é bom recordar o que conseguimos, quando achávamos que não tínhamos nada, para poder saborear à séria tudo o que já temos. A verdade é que não me falta nada. E isso é tão bom de pronunciar, que o melhor mesmo é dar-lhe a volta sem medo e dizer de coração cheio que tenho tudo. Temos muito medo de afirmar plenitudes de felicidade, não vá a vida esnobar sobre os sonhos futuros. Mas o que eu mais aprendi nas pequenas conquistas da vida é a não ter medo de exaltar a felicidade dos dias. E assumi-lo sem escrúpulos como um agradecimento enorme à vida. Podia dizer que vivo para pouco. O meu pouco que é tudo: As minhas filhas, as minhas viagens, as minhas palavras, os meus vinhos e petiscos, o meu Pedro, o pai das minhas filhas, as minhas irmãs, os meus amigos maduros, as minhas amigas loucas, os meus livros e o meu tempo. Tenho o coração cheio, uma vida cheia e uma cabeça cheia de sonhos que combinam tudo isto. E o mais que tenho, para além do amor que é terreno fértil, é Tempo.
O tempo que resgatei à vida para poder viver com à máxima intensidade cada uma destas paixões. Sim, acho mesmo que a perseguição dos sonhos me tornou uma mulher rica. E a consciência disso, uma mulher sã. Podia dizer que tive sorte mas seria uma batota enorme sobre o esforço. A sorte que tive foi a sobriedade prematura de perceber no Tempo a unidade máxima de realização. E pressenti-lo a tempo, do tempo, que precisava para mim.

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AS PESSOAS PERGUNTAM. EU EXPLICO.

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Vou para África do Sul ter com o Pai das minhas filhas. Um homem que adoro e admiro.
O nosso casamento não durou para sempre, mas conseguimos criar vínculos que nos vão ser eternos, duas filhas fantásticas e uma amizade enorme.
Mesmo algumas pessoas que me conhecem bem, perguntam-me como é que o meu namorado reage, sabendo que vou passar férias com o meu ex-marido.
Pois é.
Primeiro, a correcção semântica necessária: O Gonçalo, antes de ser meu ex-marido já era o pai das minhas filhas.
E quando deixámos o epíteto formal de marido e mulher, não perdemos o de amigo e de amiga. Eu sei que é menos usual, que a formalidade, a disputa, o conflito e a secura. Mas não consigo, mesmo que tentasse muito, ser assim.
Temos demasiado em comum, para deixar que os erros episódicos de uma relação amorosa se sobreponham a existência das nossas filhas. E não me passa pela cabeça, pelo coração e pela vida que levo, falar-lhe que não seja com um sorriso, saber se a vida lhe sorri, e pensar que enquanto for sorrindo, mais capaz será de amar o que é nosso.
Farei sempre tudo o que tiver ao meu alcance para que a vida lhe sorria. Isso não significa reatar a relação. Significa saber construir sobre a relação. Por isso, quando me perguntam como reage o Pedro, eu respondo que o Pedro é um homem à séria. E se o Pedro não soubesse a mulher que tem, a mulher que ama e a mulher que quer. E se não me quisesse assim, então não era o homem certo para mim.
Não tenho qualquer ambição de fazer da minha história um exemplo, o planeta está cheio de amantes eternos e felizes. Gostava sim que a cabeça e o coração de algumas pessoas, se esvaziasse, para se puder encher outra vez.
E gostava que as pessoas, experimentassem escolher o açúcar ao amargo e que o Detox nunca entrasse nas emoções boas da vida.
Nem todas as histórias têm fins perfeitos, mas isso não significa que não sejamos felizes para sempre.
Não tive grande sorte com o meu pai, mas esmerei-me nos homens que escolhi para a minha vida.
E eles sabem exactamente quem são:)

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A (minha) VERDADE SEM EPIDURAL

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Às vezes pareço que vivo nas crónicas de Nárnia ou que estou barricada num filme da Disney. Não percebo a sucessão de espantos a propósito da princesa com o nome pomposo e o parto sobrenatural.
A minha filha Camila (só Camila) nasceu em 45 minutos de parto normal sem epidural. Não tive qualquer anestesia, nem um pontinho que marcasse o sofrimento de uma hora que não foi sofrida. Nem sinto que deva lamuriar-me do peso, com que não sai do hospital, porque engordei apenas 6.600 kg em toda a gravidez e a miúda nasceu com 3.200 kg.
E as minhas amigas ficaram felizes por mim. E as pessoas que sabiam quem eu era e não me conheciam também. Como acho que se fica feliz quando nasce o bebé de alguém. Enfim parece-me que é assim que funciona no planeta onde me puseram com um parto normal.
Não tive qualquer necessidade de escravizar a história do meu parto ou de mancha-la de acontecimentos dolorosos para gerar empatia. A verdade é que nem pensei nisso. As coisas acontecem como têm que acontecer. Não fui vítima, visada ou sortuda, fui eu.
Não faço ideia do que seja uma cesariana, 12 horas de parto ou uma sequência de contracções dolorosas. E não sou nem menos mulher, nem menos mãe, nem menos super. O meu parto não foi romântico, as luzes não ficaram ténues, os rostos esfumados, nem ouvi acórdãos celestiais. Também não me vi de toca verde, dobrada sobre o abdómen a mandar o médico à m*, enquanto cuspia os perdigotos do meu próprio suor.
Não foi o meu momento mais acético mas foi a dor com a maior recompensa que já tive.
Quando o médico regressou ao quarto eu já tinha ido a correr à casa de banho, encher-me de dignidade, um toque de autobronzeador, um rímel e um vestido comprido para puder andar com a barriga à vontade.
Não tive que ir acenar à comunicação social (grande frete) mas se tivesse que o fazer tinha levado opções de outfit e um alisador.
Cada um é o que pode nas circunstâncias que lhes são dadas a viver. Felizmente, quando tive a minha princesa era uma civil anónima, mais uma mãe feliz numa sala de partos, com um núcleo familiar composto à nossa espera. O médico disse-me que se quisesse podia ir para casa já, mas estava tão assustada com o plural da maternidade que lhe pedi que me desse uma folga, que me deixasse ficar quieta no quarto a fazer as vezes da mãe de uma. No fundo, eu sabia que quando a levasse num ovinho para casa, já seria a mãe galinha de dois pintos. Mas sei que se tivesse um séquito de ajuda à minha espera, tinha colocado os saltos, uma roupa engomada, o sorriso rasgado, e sairia tão airosa e feliz com uma princesa num conto de fadas.

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DIA DA MÃE – “Quando virei mãe”

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Fiz uma parceria com a KNOT para o dia da mãe, desenhei três t-shirts, mas mais do que isso, personalizei-as com um texto meu, desses que saem do coração sem filtros.
Assim no verso de cada t-shirt da mãe há um texto para desvendar, esse mesmo que partilho hoje com vocês:

Quando virei mãe. Virei viagem. Virei desdobrável.
Virei piegas, maricas, heroína invencível das minhas rotinas.
Virei penso rápido e ligadura.
Virei água na fervura.
Virei carnaval em permanência.
Virei doce demência.
Quando virei mãe, virei risca, virei curva.
Virei alma plena e pessoa turva.
Virei me do avesso, e ao contrário.
Virei cozinheira e virei armário.
Virei quando queria, quando podia, quando sabia e sempre, quando devia.
Quando virei mãe, virei fluorescente, mãe foguete.
Virei pediatra, curandeira, amiga e feiticeira.
Quando virei mãe, virei leoa, patroa, criatura curtida,
Virei mulher dividida.
Até virar mãe tudo me parecia direito, até ser mãe tudo parecia perfeito.
Mas quando se vira mãe, não há nem “se´s” nem “talvez”.
Porque quando virei mãe,
virei de vez.

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“A MINHA LINDA FAMILIA”

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Estamos a estudar para o teste de Português da próxima segunda-feira e pedi à Caetana que escrevesse uma composição sobre a “Família” aproveitando o facto de ela estar a jogar no computador. E assim sem filtros, ou correcções, no dia em que celebramos a Liberdade, eu junto-lhe o Amor. E com a autorização da Caetana para partilhar. Porque Liberdade tem muito de respeito.
“A MINHA LINDA FAMILIA”
A minha mãe e o seu namorado, o Pedro costumam dizer: -ate velhinhos. Eu acho que é porque eles querem ficar juntos ”até velhinhos” , pelo menos é o que eu acho.
Mas vamos ao que interessa a minha família é muito adorável, para mim.
Quando o meu pai vai para fora, eu às vezes fico com os meus avós, por isso sempre que eu estou triste, a minha avó vai-me sempre contar histórias emocionantes de quando o meu pai era pequeno, eu acabava sempre por me rir das trapalhices que ele fazia,como:
Cair em possas de lama, chorar quando lhe faziam rir, rir quando caia ao chão e fazia algumas feridas, etc…
Mas eu sabia sempre que a minha avó só me queria fazer sentir bem, por isso estava feliz por fora, mas muito triste por dentro, porque continuava a ter saudades dele.
A mãe da minha mãe teve cinco filhos, dos quais quatro são meninas e um é menino.
O único filho que a minha avó teve é o meu tio e chama-se Duarte, quando eu era muito pequena, eu e ele divertíamos-nos à grande, eu adorei esses velhos tempos, foram muito giros.
A minha avó, está em Moçambique e a sua filha, a minha tia, está na Dinamarca, elas só me vêm visitar às vezes, mas quando me vêm visitar o mundo fica mais alegre.
O mundo de que eu estou a falar, é o mundo do meu coração, e que estará sempre aberto à minha linda FAMíLIA.”
Caetana S. | 25 de Abril de 2015

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