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HOJE FAÇO ANOS.

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E é só uma vez por ano que posso começar um texto assim.
Escolhi esta fotografia para ilustrar o dia, não só porque contem uva e porque amo vinho. Escolhi, porque contem promessa.
E nós somos sempre uma promessa por cumprir.
Não podemos escolher o local onde somos plantados, as pessoas que nos colhem, nem as mãos que nos vindimam pela primeira vez.
Mas podemos escolher a forma como queremos fermentar e o néctar que queremos ser. E isso é tudo.
Poucas pessoas tiveram tanta importância na minha vida, como aquelas que me habitam hoje.
Nunca tive tanta autoridade sobre o meu destino, nem tanto gosto em todas as escolhas que faço. Ainda não sou um Porto vintage mas aos poucos faço-me reserva.
Obrigado a todos os que me ajudaram a maturar, a ganhar corpo, força e persistência. Obrigado a todos aqueles que me sacaram as rolhas mais empedernidas e aos que beberam o depósito de mim.
Hoje já sou menos promessa. E olho para as minhas filhas com o orgulho de quem colhe o seu cacho de uvas na promessa do melhor tinto!
Parabéns Isabel, mereces!

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Faço anos este sábado

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Faço anos este sábado.
O culminar das festividades do lar com um “Urra” à balança grande.
Este ano, prometi a mim mesma não cair no vício do signo.
Não vou fazer balanços sobre o que passou, nem congeminar sobre tudo o que ainda vai ser.
Nem separar interesses por pratos ou medir com precisão o peso de tudo o que carrego comigo.
Deixo esse capítulo, para ser lido em voz alta nas noites de insónia. Este ano quero só curtir tudo o que já conquistei, quero brindar a tudo o que fiz e a todas as pessoas maravilhosas com que me tenho cruzado, com um gole demorado, a todas aquelas que permaneceram.
Quero parar e agradecer à vida a oportunidade, as circunstâncias que soube aproveitar, os revezes que soube ler, as lágrimas que não travei, as gargalhadas que não contive e mudanças que não temi enfrentar.
E depois, vou me deixar levar no embalo do vinho e no vosso colo.
Porque balança que é balança, balança sim, mas não cai.

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Tradição anual

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Amanhã a Caetana faz anos e a Camila está de neura.
Sempre que entramos na semana que antecede a celebração dos anos da irmã, a Camila começa a dar o máximo para boicotar a efeméride. Todos os anos reclama que este ano quer ser a primeira a fazer anos.
Todos os anos lhe explico que não se altera a data de nascimento em função da nossa conveniência. Que ela nasceu no dia 3 de Outubro e que a Caetana nasceu no dia 17 de Setembro.
E que esses são factos que ela vai ter que aceitar.
Todos os anos antes do soprar das velas da irmã, a Camila inflama na maior birra dos tempos. A Caetana chama-lhe invejosa.
Eu penso, mas não lhe chamo nada porque não é de bom-tom insultar os filhos. Também não a encho de mimos porque não tenho o dever de compensar a sua existência tardia, nem assumo culpa alguma, por tê-la como segunda, no seu altíssimo e intocável estatuto de primeira.
Acho que se tornou uma espécie de tradição anual, fintar o amuo da Camila com o sorriso merecido da Caetana.
Dai a 15 dias, a Camila faz anos e não lhe denoto qualquer tipo de preocupação relativa ao estado de espírito da irmã.
Chamemos-lhe com ternura “mimo”. O mimo de quem ainda não atingiu a maturidade do “tu”. Para quem a singularidade do “eu” é o único pronome pessoal que lhe toca pessoalmente.
Amanhã sopram-se as velas dos dez anos e a Camila vai assistir na primeira plateia ao lado da irmã. Não a posso obrigar a estar esfuziante, mas posso ensina-la a tirar partido da felicidade alheia, assim como quem se cola ao “eu” alegre dos outros, tirando um “eu” bom para si.
E de pronome em pronome, ano após ano, chegaremos sem pressa ao nosso plural.

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