Vivo de perto um desgosto de amor de uma pessoa que adoro

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Vivo de perto um desgosto de amor de uma pessoa que adoro.

Mensagens à socapa, um telemóvel ao abandono e Zás!!

Mais um coração feito em fanicos, mais um ego atirado à escuridão. Os tempos estão difíceis para as relações ou talvez o problema seja as pessoas estarem mais fáceis. Elogio a modernidade dos tempos, a conquista das liberdades e o espírito são. Longe vão os tempos em que se arrastavam as relações como um condenado pelas ruas. As pessoas são mais livres para escolher e para amar, mas o pressuposto parece tão condenatório, que chega a apetecer suspirar por tempos medievais com relações trancadas ao monopólio de uma só opção. Às vezes parece que somos vítimas do “efeito buffet” e perante uma imensa opção perde-se o apetite. Esta falta de entrega às escolhas torna-nos tão arrogantes como aqueles meninos ricos, mimados que passam a vida a lembrar ao Patrão que aquele trabalho é uma opção, enquadrada no tempo e no espaço, não é um caminho em si, apenas um processo e que a qualquer momento tomamos de novo as rédeas do destino, escolhendo uma nova função. Até achamos que estamos a ser generosos quando lembramos ao outro que num mundo de buffet, o escolhemos como prato principal. Mas é errado, a única tradução para esta atitude é um profundo desrespeito pelo uso da liberdade e a criação permanente de um estado de insegurança que põe qualquer pessoa ao nosso lado, a gastar as noites em claro, a ensaiar o Adeus. Não insultamos os heróis da revolução, nem os reis do pensamento livre, quando optamos por alguém de coração. Não há nada mais elogioso que o amor de entrega, que nasce da liberdade absoluta da escolha. Enquanto não formos senhores das nossas decisões, vamos ter a ilusão empobrecida da falsa adrenalina de um somatório de encontro e paixões. O amor verdadeiro, jamais achará conforto num corpo que de tanto rodar a cabeça lhe cansa o coração.

Bora respirar fundo e aprender a abrir mão dessa liberdade vaga, que ao querer ser tudo não é nada, e pode ser que de mansinho…assole à nossa porta, aquela bandeja de prata, que não é resto de buffet…mas o verdadeiro alimento do coração.

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