Viciada em carimbos no passaporte

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O Diário da Pikitim – http://www.pikitim.com/blog/familia-vagamundos-20-isabel-saldanha/, lançou-me o desafio de falar sobre esta maravilhosa aventura que é viajar com as minhas loiras. E eu, que sou viciada em carimbos no passaporte, demorei quase um ano para responder:) Não que tivesse ocupada a viajar, mas seguramente, a planear! Eis o que respondi de coração e de estômago apertado, porque a vontade de me por na alheta já acusa, a agenda aperta e o budget para grandes voos este ano, ficou-se no alto do Machu Pichu.

1. Quando te falam em viajar com crianças, qual é a primeira coisa que te vem à cabeça?

Bora lá, loiras! Não me assusta viajar com crianças, muito menos as minhas, o que me assusta mesmo é não viajar.

2. O que achas que é o melhor de viajar com os filhos?

A abertura de espírito que lhe podemos proporcionar, é o mundo visto pelos olhos de uma família inteira, é o espírito de descoberta em simultâneo, da adaptação a um contexto diferente, da partilha. É o tempo absoluto, que ganha uma dimensão diferente da de casa, um espaço que colonizamos juntos pela primeira vez. É sabê-los participantes de uma aventura conjunta e desenhar com eles essas memórias, que ficam para sempre!!!

3. E o pior? Ou o mais difícil?

O pior é o dinheiro que se gasta e os imponderáveis. O mais difícil é a conciliação dos horários e das rotinas das crianças, quando elas são ainda muito pequeninas. O resto é fácil, haja espírito e vontade!

4. As viagens são programadas com muita antecedência? Quais são as prioridades no planeamento?

Nem por isso. Investigo e pesquiso destinos em função do budget, do tempo e da predisposição. É mais fácil viajar com crianças para locais quentes, facilita a logística e o conforto não ter que carregar malas pesadas ou estar sempre a pensar num casaquinho de apoio para as proteger do frio. A vida flui no quentinho:) Gosto de saber que o destino oferece atracções para os adultos que possam ser vividas com paixão e gozo pelas crianças. Se vamos para Marrocos é bom saber que além dos labirínticos souks, existem uns passeios porreiros de camelo e se calhar, certifico-me que o Riad tem uma piscina para darem uns mergulhos. É importante ajustar o destino à idade das crianças, grandes museus podem dar grandes secas, se não soubermos enquadrar os pontos de interesse. Óbvio que as crianças são todas diferentes, mas regra geral, o espírito de vida está mais presente no fazer, do que na contemplação, por isso também evito demorar-me na perseguição das grandes paisagens. O que procuro sobretudo é que sintam a vida e a vibração dos locais, a orgânica dos sítios, os sabores, a cultura e as pessoas, sobretudo as pessoas!

5. Já viveste algum susto, já houve algum contratempo?

Já perdi muitos sapatos mas nunca tive um susto valente. O pior que nos aconteceu foi o “bicho do pé” que trouxemos de São Tomé, um recuerdo vivo do Equador que nos custou uma ida ao dermatologista. No fundo é mais uma experiência que fica para a riqueza do nosso baú.

6. O que acreditas que vai ficar mais a memória das crianças após uma viagem?

As viagens têm sempre garantido seu carimbo no passaporte emocional e espiritual de um adulto e de uma criança. Só o facto de estarmos em modo OFF, põe-nos em em ON para as melhores dimensões da vida. Não encaro uma viagem como um treino, sei que um dia nas vidas delas, em circunstâncias complexas e episódios mais simples, elas se vão lembrar do que viveram e vão traduzir essas vivências em respostas que ultrapassam o ganho consciente de um destino.

7. Que dica ou conselhos podes partilhar com quem esteja a pensar em viajar com os filhos?

Que as crianças são muito mais resistentes e curiosas do que aquilo que se pensa. Que tem uma capacidade enorme de se adaptarem a tudo. E que os ganhos da partilha transcendem o custo de qualquer viagem:)))

8. Quando nos falaste da viagem a Sao Tomé, explicaste que não ias lá por causa das praias (“para isso temos a melhor costa”), mas para lhes mostrar a diferença. E tu, também viste de lá diferente?

Acho que viemos todas diferentes de São Tomé. É um destino exímio nos ganhos de diferença. Não há semana que passe que elas não se lembrem das crianças de lá, das experiências que viveram. Pedem muitas vezes para regressar. As coisas boas, boas, ficam para sempre na alma:)

9. Escreveste que mais importante que vacinar as loirinhas contra a malária (quedou estavas a preparar a viagem para São Tomé) era ter a certeza de que elas ficariam vacinadas contra a ignorância. Tens mais projetos de viagem para as “inocular”?

Tenho tantos!!! Gostava de as levar a Marrocos no final de Setembro. Até lá, conto ir aos Açores e estamos a pensar acampar na costa alentejana este verão. E se não formos a lado nenhum, vamos a tantos outros, porque a vida em si, é a maior viagem de todas!!

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