Verdades absolutas

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Há verdades absolutas associadas à maternidade que toda a mãe conhece. A maternidade está cheia de atributos, qualidades e virtudes, sobejamente conhecidos e tão bem enumerados em dias como este.
Ser mãe muda tudo, muda mesmo tudo.
Não muda para melhor, não muda para pior, mas muda. Às vezes tenho saudades da minha vida antes delas.
Dou-me muitas vezes, à contemplação do que seria a minha vida, se a maternidade ainda fosse um desejo por concretizar.
Penso em tudo o que poderia fazer, a liberdade explícita do tempo (quase comovente) as viagens sem régua ou intervalo, o sono prolongado ao desmazelo (as saudades), os impulsos com direito a esse nome, uma agenda só minha, solta das amarras das obrigações, sem o aguilhão lixado da manutenção das rotinas, a sustentabilidade do lar, o equilíbrio da casa. Isenta da obrigação de assumir no mesmo papel, a cuidadora, a amiga, a líder, a encarregada, a profissional, a financiadora, a educadora, a cozinheira, a empregada, a professora, a coleguinha, a contadora de historias, a conciliadora, a motorista, a guia, a preceptora e a mãe. Acho que enquanto viver sóbria, vou ter sempre saudades dos tempos, em que o tempo, era a unidade deliciosamente egoísta das minhas concretizações.
Estas saudades que eu tenho, do que seria, sabendo que já sou mais, com tudo o que tenho, serão sempre o meu pêndulo de equilíbrio, enquanto pessoa.
Não há amor sem liberdade, a liberdade pressupõe Escolha e a escolha pressupõe caminhos. Não há inteligência humana, nem elevação do amor, que em exercício pleno, não implique uma opção, que não deixe no ser humano, mais orgânico, a ansiedade de tudo o que seria, do que não escolheu.
E a maior certeza da minha escolha, é que quando escolhi ser mãe, também me escolhi a mim.
Dia da Mãe, sim, só porque todas as mães são Mulheres (também).

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