Verão indeciso

praia camial costa copy Já nos começamos a habituar a um Verão indeciso, tão manhoso como aquelas relações leves onde só nos imaginamos a demorar. Ficamos na dúvida, se nos despimos e nos entregamos ao despontar dos primeiros calores, se abrimos as portas dos nossos armários e se aliviamos o peso fibroso do Inverno com a suavidade do algodão. Temos medo, porque diz o povo sábio que o que vem leve, vai leve e agarramos-nos suando às malhas até que o calor dê provas de querer ficar. A inconstância do tempo não dá saldo de confiança, de uma tarde de calor profundo segue-se o arrepio temeroso do Inverno. Olhamos as estrelas, consultamos os boletins e o tempo reina, como reinam os corações, desenhados na areia da beira mar.
Recusamos-nos a aceitar que a efemeridade da vida contamine o tempo, queremos acreditar que ainda existe constância, que a seguir à tempestade vem sempre a bonança, como o Verão se segue à Primavera. Como nas relações, não acredito que haja receita ou solução universal, se nos agasalhamos em demasia suamos, se nos oferecemos ao calor regressamos constipados. Há quem diga que o segredo é andar prevenido com um casaquinho de malha:)
Do pouco que percebo de relações e meteorologia, fugia às previsões, aceitava o prenúncio de cada manhã como o conselheiro do dia e soltava o peso de andar prevenida. Quanto mais leves chegamos mais leves partimos.
E não sei porquê mas sinto que o Verão está mesmo a querer ficar…

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