Um travo diferente

DSC00269Achei graça ao comentário da Sandra, algures, a dizer: Conta-la a verdade Isabel, sabe-te muita bem estar aí na maior sem as loiras?!:).
Claro que sabe, sabe-me a descanso, sabe-me a tranquilidade, a paz, sabe-me à percepção de outra forma do tempo, sabe-me a mim. Nem todas as mães conseguem, nem todas podem, mas todas precisam. Os filhos viajam connosco no coração, não é preciso leva-los em todas as malas, nem para todos os destinos. Isto também tem muito a ver com o hábito e com o feitio, sempre viajei bastante e quando elas nasceram forcei-me a continua-lo. Enfim, verdade seja dita, que não tive que me esforçar muito. A Caetana tinha 6 meses quando fui para a Tailândia e a Camila 1 ano quando fui para a Birmânia. Tudo viagens extensas por períodos superiores a dez dias. Claro que há uma altura na viagem, lá para o principio, meio e fim, em que começamos a babar saudade para cima do telefone, enquanto fazemos scroll nas fotografias. E toda a desculpa é boa, para mostrar as fotos dos nossos filhos nem que seja ao taxista antipático, do transfer do aeroporto.
Já experimentei as duas modalidades, com loiras e sem loiras e gosto de ambas, com um travo diferente. O ritmo de uma viagem sem crianças é nosso, quando viajamos com crianças é delas. Não dá para almejar passar uma tarde no Spa, ou uma manhã a curtir um breakfast in bed, nem decidir fazer uma escalada de três horas na montanha com um pacote de bolachas e duas maças. Lá por estarem de férias, as crianças não são subitamente solidárias com os digestivos e as conversas boas que se esticam muito depois de as deitarmos, da mesma forma, que não percebem que num País diferente não há Doce da casa para sobremesa, que nem todos os hotéis têm piscinas e que não se encontram cornettos em todas as esquinas. A verdade é que quando cheguei aqui ao Riad e olhei para o quarto imenso e pensei: Uau! Ganda pinto! Isto tudo só para mim.
Mas passados uns minutos, já estava a imaginar capitalizar os metros quadrados com a presença viva das minhas loiras. E o mesmo acontece quando aterro com elas e com as malas, malinhas, mochilas, bonecos e chuchas e tralhas e chego ao quarto, já toda dorida das costas, abro as portas, deixo-as ir fazer o reconhecimento do espaço, enquanto me deito esticada na cama e penso: – Ui, que bom que isto seria se eu tivesse aqui sozinha:)

Comments

comments