Um monge chamado Yuvazyra

untitled-711A viagem que fiz há 2 anos a Myanmar na companhia de uma grande amiga, marcou-me.
Marcou a nossa amizade e marcou a minha história. Foi uma viagem guiada pelo compasso da vontade e dos impulsos partilhados, como quem roda o globo à toa e coloca o indicador no mapa de olhos fechados. Uma das coisas mais engraçadas neste viagem foi o termos conhecido um monge chamado Yuvazyra em Mandalay enquanto passeávamos num templo. Um monge irrequieto, falador, que nos levou ao mosteiro onde vivia para conhecermos os monges amigos com quem partilhava o quarto, que nos apresentou o velho monge responsável do templo, que era um doce senhor pequenino que, com a sapiência de quem sabe que a juventude é um fósforo, não resfriava a sua vontade constante de conhecer e de se dar a conhecer. Desde o pequeno -almoço ao recolher e, durante os dias que tivemos em Mandalay, tivemos Yuvazyra como companhia. Deliciando-nos com as suas aventuras anti-regime, com os seus pensamentos sobre o amor, a explicação das suas rotinas, a descrição minuciosa dos sonhos que tinha para sí e para o seu Pais. Questionando-os a toda a hora, sobre os locais onde vivíamos, querendo ver, ouvir e sentir as histórias, como formas partilhadas de viver. O Yuvazira estudava inglês às terças numa pequena escola local de uma monja. Passaram-se apenas 2 anos, Suu Kyi estreou-se há poucos dias como deputada e o País do nosso monge parece começar a cumprir parte dos sonhos do nosso amigo. E talvez a prova mais capital disso, seja o email que recebi há momentos atrás do Yuvazyra à minha procura no Linked in.

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