Transporte de algo mais nobre

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Nesta última semana de férias tivemos no Meco.
A maioria das praias onde fomos a banhos são frequentadas por nudistas. A Camila ia de mão dada comigo no areal, quando passa por nós um casal de nus. A Camila olha, fixa e diz:
– Nesta praia também temos que ficar nus?
Respondi-lhe que não era obrigatório, só se quiséssemos.
Nunca fui menina de preconceitos no que toca ao corpo e à nudez. Na possibilidade, que esta vida me deu enquanto mãe e educadora decidi desde cedo que iria dar às minhas filhas a mesma visão que tenho sobre esta matéria. Educo-as sobre a égide do respeito, nunca do pudor. O corpo será sempre o transporte de algo mais nobre, um coração, um intelecto, uma alma. Deve ser cuidado, não deve ser temido. Ajusto os seus modos em público à sociedade onde se inserem, mas não sou aquela mãe, que passa a vida a pedir às filhas que baixem as saias e que cruzem as pernas, só porque “as meninas não fazem isso”. Quero que conheçam o seu corpo, tão bem como a si mesmas, e que o saibam viver com tranquilidade. Respeito os seus momentos de curiosidade, as suas questões e os seus porquês, com a mesma naturalidade com que fazem casas a partir de legos.
O corpo é uma peça importante de nós mesmos, a nossa relação directa e sincera com ele, dita muito da relação que temos com os outros. Sempre que pedem, deixo que tomem banho nuas nas praias, nas piscinas, nos rios e nas lagoas. Deixo que se demorem a curtir a relação mais pura, que existe entre elas, a sua natureza e a natureza que as envolve. No que depender de mim, e da minha educação, as minhas filhas não serão filhas do preconceito, nem do pudor. No que depender de mim, elas serão sempre orientadas no respeito máximo pelos valores que gozam, e o maior deles, é o da Liberdade. A mesma que experimentam quando mergulham inteiras nas águas do rio.

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