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MULHERES

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Quando eu era criança acreditava em fadas.
Suponho que uma das coisas mais chatas do processo de crescimento é a falência de alguns sonhos sobre a realidade.
Mas o processo de maturação não tem porque ser subtrativo, pode e deve ser aditivo.
E a somar à fada que se perde, descobre-se a Mulher que somos.
E sinceramente, gosto mais da multiplicidade e da eficiência da mulher que descobri, do que da fada que me encantava.

‪#‎norescaldododiadamãe‬

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EU QUERIA…

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Fazia lá ideia do tipo de mãe que ia ser.
Nunca pensei muito como é que iria educar uma criança.
Talvez tenha ajudado à equação, ter sido ainda muito criança quando resolvi ter uma.
E para falar na mais pura das verdades, não me lembro de ter lido um livro só que fosse sobre a matéria, com medo de me ter que virar ao contrário e ficar com a etiqueta de fora.
Para elas, tinha sonhos iguais aos que se efabula quando colocamos o olhar sobre um terreno imaginário onde vamos edificar uma casa.
Queria que fossem soltas como o vento quente, que não tivessem medo das pessoas, que aprendessem que a vida é um diálogo fabuloso que se constrói entre os sonhos e a realidade, queria que ousassem muito, como se em cada fim houvesse um começo de alguma coisa nova. Queria muito que se sujassem, que experimentassem os arrepios de andar descalças sobre o cru da vida, queria que vivessem mais do meu sol, que do consolo da minha sombra, queria que se invadissem sem pedir permissão, que utilizassem o corpo como a materialização imperfeita das suas metas, queria que amassem e perdoassem, com a espontaneidade com que respiram, que curtissem as diferenças que o mundo lhes oferece, sem nunca desconfiar das cores que ainda não conhecem, queria que se sentissem senhoras de si, antes de querem ser donas de outra coisa qualquer.
E queria que percebessem a sorte que têm de ter ao lado quem sonha tudo isto para elas.
E sim, queria que fossem filhas da mãe, na gargalhada, na força com que defendem os sonhos, na garra com que lutam pelo que lhes escapa e na forma como defendem os que ama.
E queria que à noite dormissem sempre tranquilas e que a respiração apenas lhes lembrasse, que tudo o que ainda não foi hoje, pode vir a ser amanhã.
Assim como eu faço quando adormeço, com tudo o que ainda sonho para elas.

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Um canino vale o mesmo que um molar

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Tenho a sorte, muito trabalhada por ambos, de ter uma relação para lá de boa com o pai das minhas loiras.
Mas Custódia partilhada, é custódia partilhada. E ainda que falemos quase diariamente sobre os mais diferentes aspectos da educação das miúdas, há sempre situações imprevistas que nos escapam. E outras tantas, que parecem tão ridiculamente pequeninas que nem perdemos tempo a falar delas.
A fada dos dentes foi um desses assuntos. Espertas, as loiras garantem que os dentes que caiem em casa do pai valem 10 €, contra os 2€ por dente que se praticam cá em casa, independentemente da sua posição na boca. Um canino vale o mesmo que um molar. Assimilada esta realidade, percebo agora que a fada dos dentes do meu lar está em situação de precariedade, enquanto há uma fada e duas loiras sortudas que florescem lá para os lados do pai.
E também consigo estabelecer alguma relação causa-efeito, quando realizo, que de todos os dentes que as minhas filhas têm na boca, só dois é que caíram cá em casa. O mais engraçado é que quando a Caetana me liga toda contente para me dizer, que lhe tinha caído mais um dente (agora percebo o histerismo das minhas crias com a arqueologia da dentição) a Camila berrava qualquer coisa lá atrás.
Nisto, a Caetana dá um berro – Desaparece!!! Estou a falar com mãe ao telefone!
Contente e/por Incapaz de exercer qualquer reprimenda educativa à distância, pergunto-lhe o que é que a Camila tanto grita.
Responde a Caetana furiosa: – Ela é parva mãe!
Está a dizer que eu arranco os dentes só para ganhar dinheiro!
Esperemos bem que não.

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