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Eu juro que não digo a resposta

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Ontem, enquanto estava a escolher a imagem para ilustrar o texto, a Caetana estava em pé ao meu lado.
Depois de muito scroll sobre as fotografias do pai, decidiu perguntar-me:
– A mãe acha o pai bonito?
Respondi-lhe que sim, claro.
Insatisfeita com a rapidez do meu atalho, reforça:
– Quem é que a mãe acha mais bonito, o pai ou o Pedro? (namorado da mãe)
Rí-me.
Para dar um empurrãozinho à resposta, ela acrescenta:
– A mãe pode me contar. Eu juro que não digo a resposta ao Pedro.

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Liberdade não filtrada

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Gosto muito da liberdade não filtrada que existe no diálogo de uma criança. Não fosse a minha linguagem, tão extrovertida, como o meu carácter, e tenho a certeza que lhes ficaria a galar as palavras soltas, no soslaio calado dos impulsos contidos. Mas cá em casa, usa-se e abusa-se da palavra solta, mais que à solta, mesmo. Isto tem o custo intimidatório da cerimónia, a perversão de alguns princípios básicos de educação que tento implementar e alguma moléstia pontual no convívio social entre conhecidos, mas à parte disso é tudo saúde. Portanto, não se reprime, repreende-se apenas quando é caso disso. Isto porque sei, que no interior desta selva de sentidos ao desmazelo e de acne gramatical há uma franqueza tão doce quanto crua, que faz com que os preliminares do meu “xiu” sejam uns largos segundos de prazer.
E ontem na cozinha, à hora louca do jantar das crias, fui chamada pela voz rouca da Camila.
– Mãe, Mãe! Mãe!
– Simmmmmmmm! Camila!
– Mãe! Mãe! Mãe! Olhe para o Pedro.
(O Pedro é o namorado da Isabel:))
– Diz Camila, o que é ?! Estou a olhar!
– Mãe! Mãe! Mãe! Olhe para o Pedro.
– Sim Camila, estou a olhar para o Pedro.
– Olhe Mãe, olhe bem!!!
– O que é que ele tem?
– Tem tudo.

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