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#NÃO AO MEDO

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#NÃO AO MEDO

Devia escolher esta imagem para ilustrar um momento mais feliz, mas não dá para sobrevoar o que está a acontecer…e continuar planando sobre o ar quente dos dias, só porque o bafo que nos sustenta teve a sorte aleatória da melhor hora, do local certo e da circunstância boa.
E não dá para querer cortar as asas de quem sonha voar para longe de um chão que não o deixa crescer, poisar sequer, ou semear.
E menos ainda, desconfiar de quem quer ser livre, só por quem nunca sentiu antes, a asfixia da liberdade.
Nestes dias, em que ficamos com poucas certezas, encontro na forma como as educo, a minha pista de descolagem.
A consciência da sua dimensão na dimensão do mundo. A importância das suas acções na condução do seu destino. A crença na humanidade. O amor aos outros. A luta pela liberdade. A defesa da igualdade. E o amor à terra. E se der para ir mais longe no meu vôo de mãe, quero muito, que os seus sonhos tenham a força de duas asas e que nunca tenham receio de se elevarem por aquilo em que acreditam.
Porque o céu não tem arame farpado, o sol não é uma estrela privada e o medo não ganha à força da Liberdade.

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“A MINHA LINDA FAMILIA”

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Estamos a estudar para o teste de Português da próxima segunda-feira e pedi à Caetana que escrevesse uma composição sobre a “Família” aproveitando o facto de ela estar a jogar no computador. E assim sem filtros, ou correcções, no dia em que celebramos a Liberdade, eu junto-lhe o Amor. E com a autorização da Caetana para partilhar. Porque Liberdade tem muito de respeito.
“A MINHA LINDA FAMILIA”
A minha mãe e o seu namorado, o Pedro costumam dizer: -ate velhinhos. Eu acho que é porque eles querem ficar juntos ”até velhinhos” , pelo menos é o que eu acho.
Mas vamos ao que interessa a minha família é muito adorável, para mim.
Quando o meu pai vai para fora, eu às vezes fico com os meus avós, por isso sempre que eu estou triste, a minha avó vai-me sempre contar histórias emocionantes de quando o meu pai era pequeno, eu acabava sempre por me rir das trapalhices que ele fazia,como:
Cair em possas de lama, chorar quando lhe faziam rir, rir quando caia ao chão e fazia algumas feridas, etc…
Mas eu sabia sempre que a minha avó só me queria fazer sentir bem, por isso estava feliz por fora, mas muito triste por dentro, porque continuava a ter saudades dele.
A mãe da minha mãe teve cinco filhos, dos quais quatro são meninas e um é menino.
O único filho que a minha avó teve é o meu tio e chama-se Duarte, quando eu era muito pequena, eu e ele divertíamos-nos à grande, eu adorei esses velhos tempos, foram muito giros.
A minha avó, está em Moçambique e a sua filha, a minha tia, está na Dinamarca, elas só me vêm visitar às vezes, mas quando me vêm visitar o mundo fica mais alegre.
O mundo de que eu estou a falar, é o mundo do meu coração, e que estará sempre aberto à minha linda FAMíLIA.”
Caetana S. | 25 de Abril de 2015

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Não vivo sem…

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Não vivo sem tempo.
O tempo que vive acima dos ponteiros do relógio, aquela medida unitária que faz parelha com o destino que me compete cumprir.
O tempo dos meus sonhos, das palavras encavalitadas no bico da minha caneta, das imagens que projecto na lente para as minhas memórias futuras.
Não vivo sem sentir o vento a empurrar-me contra os obstáculos de que me faço vida.
Não vivo sem amor desprendido, sem abraços apertados, sem poder dizer aos que gosto o quanto me fazem falta e sem sentir a falta que me fazem os que gosto.
Não vivo sem o desembaraço primário de achar que a vida é uma aventura mascarada de rotina.
Não vivo sem Liberdade, a mesma que dá prazer ao pé descalço, a mesma com que vejo de mãos dadas o tempo fluir, a mesma que me acorda em sobressalto para me lembrar que posso ser tudo.
A liberdade que me engasga os deveres e me acorda os sentidos para todos os momentos de prazer.
Não vivo sem o presente, aquele que é o agora sem a culpa do que poderia ter sido, e sem os complexos de tudo o que já foi.
Não vivo sem canetas, blocos, máquinas, bonés e as bugigangas que se estendem sobre os meus membros com a aspiração de serem tentáculos de mim.
Não vivo sem o colo do copo de vinho onde naufrago a minha poesia, nas noites em que sonho ser escritor. Nem sem os livros que me amarram a 1000 vidas que não conheci.
Não vivo sem música, sem a pauta curvilínea dos acórdãos que fazem banda sonora onde me encontro, onde vou, onde sonho e onde me faço pessoa.
E não vivo sem viagens, aquelas que vão ao fundo de nós, dos outros e do mundo.
Não vivo sem pessoas, os cofres máximos de inspiração, transpiração, fontes com a mácula máxima da vida, cortesãos da minhas letras.
E não vivo sem gargalhadas porque são o compasso mais saudável de existir.

*Enquanto embaixadora da RVCA e a convite da Ericeira Surf & Skate lançarem-me o desafio de escrever sobre o tema “Não vivo sem” ‪#‎naovivosem‬ e traduzi-lo numa fotografia. Falta o presunto:)

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Liberdade não filtrada

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Gosto muito da liberdade não filtrada que existe no diálogo de uma criança. Não fosse a minha linguagem, tão extrovertida, como o meu carácter, e tenho a certeza que lhes ficaria a galar as palavras soltas, no soslaio calado dos impulsos contidos. Mas cá em casa, usa-se e abusa-se da palavra solta, mais que à solta, mesmo. Isto tem o custo intimidatório da cerimónia, a perversão de alguns princípios básicos de educação que tento implementar e alguma moléstia pontual no convívio social entre conhecidos, mas à parte disso é tudo saúde. Portanto, não se reprime, repreende-se apenas quando é caso disso. Isto porque sei, que no interior desta selva de sentidos ao desmazelo e de acne gramatical há uma franqueza tão doce quanto crua, que faz com que os preliminares do meu “xiu” sejam uns largos segundos de prazer.
E ontem na cozinha, à hora louca do jantar das crias, fui chamada pela voz rouca da Camila.
– Mãe, Mãe! Mãe!
– Simmmmmmmm! Camila!
– Mãe! Mãe! Mãe! Olhe para o Pedro.
(O Pedro é o namorado da Isabel:))
– Diz Camila, o que é ?! Estou a olhar!
– Mãe! Mãe! Mãe! Olhe para o Pedro.
– Sim Camila, estou a olhar para o Pedro.
– Olhe Mãe, olhe bem!!!
– O que é que ele tem?
– Tem tudo.

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