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Obrigado eu!

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“Boa noite, Isabel.
Prometo ser breve, não tomar muito do seu tempo. Quero apenas agradecer-lhe pelo que hoje fez, sem saber, por mim. Comecei a ler o seu blog há apenas dois dias. Muito sinceramente, já nem sei como a encontrei. A verdade é que as suas palavras foram o meu motor, o que me levou a por mãos à obra.
Há muito tempo que queria ter um projecto meu; queria começar algo – por as minhas ideias a dar frutos. Planeei mil e quinhentos blogs, entre outras coisas. Finalmente, após dois dias de leitura dos seus textos tão simples e complexos ao mesmo tempo, tão transmissores de calma, comecei finalmente a tratar de tudo. Tenho um nome para o meu blog, ideias, e muita força de vontade e compromisso. Obrigada. Sem saber, a Isabel ajudou-me a dar um passo importante. É isto que me fascina na Internet, nos blogs. Esta capacidade de ajudar sem se saber que é isso que se está a fazer.
Muito obrigada!!!”

Posso não conseguir responder a tempo a todos os emails, posso não ter tempo para responder a todos os comentários, mas acreditem que cada palavra que vocês me escrevem é combustível. E se ando tão positivamente acelerada, tenho que agradecer a cada um de vocês o fabuloso contributo para o meu depósito:) Obrigado eu!

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Dias Felizes

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Já foste difícil, tão difícil, que cheguei a dizer ao teu pai, em jeito de brincadeira, que nos concentrássemos apenas na Camila.
Quando estavas confinada à minha barriga, não me fiz rogada, e fartei-me de pedir ao criador que te inundasse de características boas, que te banhasse de qualidades ímpares, que me facilitasse a vida com um ADN propenso à auto-suficiência e muito amor próprio. Tentar não custa. E quando nasceste, quase como castigo, achei-te feia, muito peluda, magra e demasiado chorona.
Amei-te logo, porque se ama sem fronteiras o que é nosso. E ri-me, ri-me de ter sido tão tonta a desenhar-te as feições, a moldar-te o carácter, como se eu fosse alguma oleira de jeito.
O tempo foi passando, foi voando, foi correndo, e tu foste-te fazendo dentro do meu aquário. Com um ano, já eras uma boneca, com uma destreza física tão grande, que se te reclamassem para o circo, cederia como uma dádiva à humanidade. Falaste cedo, andaste cedo e seduzias qualquer criatura que se abeirasse, com uma gramática e um raciocínio tão adulto, que às vezes dava vontade de te desmontar só para te ver por dentro.
Entraste aos trambolhões na 1º classe, rebolaste sobre a separação dos teus pais, e com a mesma destreza com que fazias o pino, ergueste-te sobre tudo o que te doía, com uma força tão grande, que hoje, já acho que és mais alta que eu.
Nunca mais pedi nada ao criador, que não fosse a possibilidade de te amar de perto.
E ontem, quando me mostraste o teu primeiro conto com 6 páginas e 800 caracteres, quando me abraçaste enquanto lia, por entre erros e palavras adultas, e me disseste ao ouvido:
– Quando for grande, quero ser escritora mãe. É isso mesmo que quero ser, escritora.
Fiquei tão orgulhosa de nós e tão grata a vida, que vou inscrever a data no meu calendário dos dias felizes.
E se amanhã, mudares aquário, de sonhos e de ideias, porque a vida é um palco. Acho que sabes, que vou amar os teus desvios e as tuas rectas. E que prometo, manter a capacidade de te LER entre os erros e as palavras adultas.

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