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HOJE FAÇO ANOS.

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E é só uma vez por ano que posso começar um texto assim.
Escolhi esta fotografia para ilustrar o dia, não só porque contem uva e porque amo vinho. Escolhi, porque contem promessa.
E nós somos sempre uma promessa por cumprir.
Não podemos escolher o local onde somos plantados, as pessoas que nos colhem, nem as mãos que nos vindimam pela primeira vez.
Mas podemos escolher a forma como queremos fermentar e o néctar que queremos ser. E isso é tudo.
Poucas pessoas tiveram tanta importância na minha vida, como aquelas que me habitam hoje.
Nunca tive tanta autoridade sobre o meu destino, nem tanto gosto em todas as escolhas que faço. Ainda não sou um Porto vintage mas aos poucos faço-me reserva.
Obrigado a todos os que me ajudaram a maturar, a ganhar corpo, força e persistência. Obrigado a todos aqueles que me sacaram as rolhas mais empedernidas e aos que beberam o depósito de mim.
Hoje já sou menos promessa. E olho para as minhas filhas com o orgulho de quem colhe o seu cacho de uvas na promessa do melhor tinto!
Parabéns Isabel, mereces!

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Não sou dada a muitas extravagâncias.

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Não sou dada a muitas extravagâncias.
O dinheiro que não gasto em kits, gasto em livros, vinho, queijos e enchidos. Há anos que não compro um elemento decorativo para as sucessivas casas onde vamos habitando. Hoje comprei umas calças de ganga, porque aquela moda dos buracos, pôs-me o pernão de fora depois de um shooting acrobático.
Mas amanhã faço anos e fui-me “kitar” com toda a legitimidade para o Corte-Inglés, entenda-se, o Supermercado, mais especificamente a zona dos enchidos, mais concretamente o corner do Presunto Pata negra! Há lugares onde nos sentimos sempre felizes. Os meus preferidos são as bibliotecas, os aeroportos e o cantinho do presunto. Investi no 5 Jotas alimentado a bolota, trouxe umas ripas de 200 gramas cortadas à mão e não vejo a hora das doze badaladas, para me encher de emoção gustativa, com o “poc” do vinho, as mãos do meu Pedro e o sorriso desdentado das minhas loiras.
Não há nada como fazer com carinho a cama onde nos vamos deitar!

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JÁ “ERA” para SER.

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Não sou de boatos, superstições nem premonições.
Mas num mundo tão grande é nosso dever existencial estar a par dos medos circulantes. Eis-nos chegado a 2015, um ano que se vaticina ser o fim de uma Era. Não necessariamente o FIM da existência terrestre, apenas um reboot do sistema tal como o conhecemos.
Tenho mergulhado no tema nas poucas horas que permito ao pensamento fruir, sem angústia, as certezas do nada.
Imagino o fim da moeda, os grandes cataclismos, mas também imagino o adormecimento da tecnologia, o renascer da troca, a auto-subsistência, a paralisia da urgência, a reinvenção do zero.
E não me angustia.
Talvez me angustie mais o adormecimento geral em que nos encontramos na fruição incerta dos dias. Talvez me assuste ainda mais esta luta desenfreada para nos encaixar à força, numa rotina correcta que potencie o melhor de nós. Talvez alucine mais, quando penso em acordar todos os dias numa luta injusta contra o tempo.
Talvez me magoe mais, a força com que me escapa tudo o que não consigo agarrar. Talvez me atormente mais ainda, encaixar à força nas rotinas, que não nos potenciam, nas cirunstâncias que não nos empoderam e nas pessoas que não nos viciam.
Talvez me desespere ainda mais viver das memórias de tudo o que poderia ter sido, porque nada é, quando já foi.
Talvez o mundo precise desse “RESTART”.
Talvez sejamos privilegiados em viver numa Era que culmina na possibilidade da reinvenção. Talvez sejamos os felizes convidados da primeira plateia, da mudança mais dolorosa, e simultaneamente mais necessária.
Daquela mudança, que esperamos no mundo, porque não há maneira de termos força que chegue para nos rebelarmos dentro de nós.
Talvez seja esse o renascimento dos sentidos, o expoente máximo dos sabores, a viagem ao centro de nós.
E que seja aí, no precipício do fim, que a humanidade vislumbre o principio do “NÓS”, a vingança mais assertiva ao reinado do “EU”.

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Era agora, era ali…

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Era agora, era ali, naquele momento em que desci com as loiras para as entregar ao pai. Ou se calhar foi mais à frente, quando já subia sozinha no elevador cheia de resoluções, de sede de mojitos e de projectos. Ui…aquele momento em que me achei só, no silêncio de mim. Tanto buffet de tempo, tanto sangue em circuito fechado, tanta energia a redundar entre os hemisférios.
E uma culpa manhosa, a querer pegar-se com o bem estar, de só se estar assim. Queria correr entre as hipóteses, esgravatar o fim de tudo, aborrecer-me sem complexos, render-me às insónias cozinhadas por mim.
Hummmm….que se isto é egoísmo, aceito-o. Disposta a dar por permuta outro dos meus defeitos. Não há culpa mais honesta que a saudade de nós. E se o tempo me abraça a fazer doer é porque também ele sabe, que não há maior cumplicidade com a vida, que a viver assim.
Ui…..senão fosse este calor morno, esta culpa fria e este fervilhar de rumos. Porque se o corpo permanece obediente e se eu continuo sentada, a verdade levanta-se e acusa a Saudade.
De, só eu para mim.

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