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Não sou dada a muitas extravagâncias.

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Não sou dada a muitas extravagâncias.
O dinheiro que não gasto em kits, gasto em livros, vinho, queijos e enchidos. Há anos que não compro um elemento decorativo para as sucessivas casas onde vamos habitando. Hoje comprei umas calças de ganga, porque aquela moda dos buracos, pôs-me o pernão de fora depois de um shooting acrobático.
Mas amanhã faço anos e fui-me “kitar” com toda a legitimidade para o Corte-Inglés, entenda-se, o Supermercado, mais especificamente a zona dos enchidos, mais concretamente o corner do Presunto Pata negra! Há lugares onde nos sentimos sempre felizes. Os meus preferidos são as bibliotecas, os aeroportos e o cantinho do presunto. Investi no 5 Jotas alimentado a bolota, trouxe umas ripas de 200 gramas cortadas à mão e não vejo a hora das doze badaladas, para me encher de emoção gustativa, com o “poc” do vinho, as mãos do meu Pedro e o sorriso desdentado das minhas loiras.
Não há nada como fazer com carinho a cama onde nos vamos deitar!

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Um canino vale o mesmo que um molar

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Tenho a sorte, muito trabalhada por ambos, de ter uma relação para lá de boa com o pai das minhas loiras.
Mas Custódia partilhada, é custódia partilhada. E ainda que falemos quase diariamente sobre os mais diferentes aspectos da educação das miúdas, há sempre situações imprevistas que nos escapam. E outras tantas, que parecem tão ridiculamente pequeninas que nem perdemos tempo a falar delas.
A fada dos dentes foi um desses assuntos. Espertas, as loiras garantem que os dentes que caiem em casa do pai valem 10 €, contra os 2€ por dente que se praticam cá em casa, independentemente da sua posição na boca. Um canino vale o mesmo que um molar. Assimilada esta realidade, percebo agora que a fada dos dentes do meu lar está em situação de precariedade, enquanto há uma fada e duas loiras sortudas que florescem lá para os lados do pai.
E também consigo estabelecer alguma relação causa-efeito, quando realizo, que de todos os dentes que as minhas filhas têm na boca, só dois é que caíram cá em casa. O mais engraçado é que quando a Caetana me liga toda contente para me dizer, que lhe tinha caído mais um dente (agora percebo o histerismo das minhas crias com a arqueologia da dentição) a Camila berrava qualquer coisa lá atrás.
Nisto, a Caetana dá um berro – Desaparece!!! Estou a falar com mãe ao telefone!
Contente e/por Incapaz de exercer qualquer reprimenda educativa à distância, pergunto-lhe o que é que a Camila tanto grita.
Responde a Caetana furiosa: – Ela é parva mãe!
Está a dizer que eu arranco os dentes só para ganhar dinheiro!
Esperemos bem que não.

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