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“Quando eu for mãe”

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As minhas filhas têm diferentes opiniões sobre a maternidade. Entenda-se com isto que não me refiro à forma como as educo ou às questões motivacionais ou emocionais, que estiveram por de trás da sua origem, inquestionável, por razões eco-sistémicas de sobrevivência em família:)
Até porque posso assegurar que o Amor próprio cá por casa, supera o próprio Amor.
Quando falamos de maternidade e são mais elas que eu, é sempre sobre os filhos que elas desejam muito que eu tenha, e os filhos que elas um dia vão ter.
Quando se põe a fantasiar sobre os irmãozinhos e as maninhas usam grandes folhas A4, onde escrevem, em forma de tabela, os nomes dos meus futuros filhos. Partindo sempre do pressuposto generoso de que são gémeos.
A Caetana fala muitas vezes “quando eu for mãe” isto, “quando eu for mãe” aquilo. Imagina a casa, a dinâmica, o marido, as faces das crianças, os nomes, e quando está mesmo muito inspirada, fantasia-lhes o carácter e faz simulações in loco do que seriam as suas reacções às birras, pedidos ou questões, que os seus filhos, com inteligência suprema teriam para lhe colocar.
A Camila por outro lado, que reconhece o seu estatuto de criança, filha e mimada, nutre um profundo temor e respeito por esta santíssima trindade, afirma desde sempre, que não quer ser mãe ou ter filhos de qualquer espécie. É peremptória nesta conversa e não admite qualquer excepção, marketing ou diálogo em torno das virtudes de ser mãe.
Quando lhe pergunto Porque é que não quer ser mãe?
(Sem qualquer objecção à decisão, que entendo, faz parte do uso fabuloso de ser uma mulher livre).
Ela responde-me: – Dá muito trabalho.
Andava eu com medo de a traumatizar como mãe, quando ela já o antecipa no exercício de ser filha.
Toma lá sangue do meu sangue, é para aprenderes:)

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Cancro (era uma vez)

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A convite da Fundação Rui Osório de Castro, instituição de solidariedade social sem fins lucrativos que apoia a oncologia pediátrica nas áreas da informação e da investigação científica fui fazer uma foto reportagem de um workshop de moda para crianças ao Atelier do designer Filipe Faísca.

As crianças para o qual tinha sido organizado este workshop eram crianças em ambulatório do IPO. Meninas cuja as vidas já tinham sido atalhadas por uma dose gigante de maturidade e sofrimento que dá pelo nome temível de Cancro.
Nunca privei de perto com a doença, quis a vida que até agora fosse poupada do confronto directo com essa mutação cobarde que não se anuncia, nem se faz esperar. Infelizmente, conheci e conheço como toda a gente, pessoas e famílias que foram violentadas pelas várias faces desta doença. Já assisti a mudanças de rota, de destino, de vida e de carácter. Já percebi, sem um assalto à mão armada, o que estas seis palavras em diagnóstico podem produzir num ser humano, enquanto se reproduzem à revelia nos nossos corpos. Todos temos medo.
Um respeito mudo sobre a doença, que cala muitas das nossas vezes a nossa vontade imediata de chorar sobre quem sofre. Todos desejamos. Sentir no colo firme da Esperança que a ciência corre a galope para nos safar.
Meninas com ou sem cancro, são todas meninas.
Tudo o que uma criança ambiciona, sem ambição que lhe dê esse nome, é ser criança em pleno, sem ter que interromper o recreio da vida para brincar às escondidas com a morte.
Dá pena, dá muita pena.
E não encontro palavra mais verdadeira para tudo o que me toma. Comparo-as inevitavelmente com as minhas filhas, sinto-me abençoada. Quero oferecer parte da sorte que tenho aos seus Pais. Penso neles, parte da minha dor alheia está com eles. Não imagino nada mais cruel que a luta pela vida de um filho. Não imagino os depósitos de confiança e amor que são necessários para acordar todos os dias inteiro para lutar.
Imagino que o que sonham os pais a caminho do ambulatório descreve parte das rotinas de que me queixo. Imagino-lhe as saudades de tudo o que é absurdamente normal. No domingo foi o dia Internacional da criança com o cancro mas estava tão cansada do peso do dia absurdamente normal, que não consegui publicar este texto.
Estamos na época do Carnaval, das máscaras e do faz de conta. E tudo o que eu queria, se fosse fada de condão, era que essas crianças não tivessem que se mascarar de nada, que não fosse apenas o de serem crianças.
E que a palavra cancro fosse apenas um reino longínquo, sem mágoa ou sem castigo de que se falasse ao de leve nos livros do faz de conta.

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No epicentro do recreio

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Fui à escola das loiras à hora do almoço para entregar uma surpresa à Caetana e dar um beijo de saudades na Camila. Cheguei bem no epicentro do recreio, na debandada da hora do almoço. Eram tantas as crianças que não conseguia vislumbrar as minhas, era tanto o barulho que o meu cérebro não conseguia comandar os olhos numa busca e os meus membros estavam tão intimidados que não se queriam mexer. Ingénua, ainda pensei que se me quedasse muda e hirta ia ser descoberta pelas crias, amparada pelos seus abraços pujantes, sacudida pelos beijos da saudade. Passaram-se minutos e nada. Iniciei a busca ocular, movi o corpo por entre os seres pequeninos. De repente, pareciam-me todas loiras, todas elas. Vi uns adultos iguais a mim, quedos e hirtos mexendo o pescoço em cata-vento. Sorri como quem solidariza, não estou só, pensei. Passaram-se mais uns minutos quando ouvi uma voz. – Mãe!
O meu descodificador acusou um laço parental naquela voz, a minha cabeça virou-se e o meu coração deu sinais de impaciência. Uma já cá canta, pensei. Não, não pensei. Abracei-a com exagero, percebi-o no olhar das amigas e no desatar escorregadio dos braços. O recreio é o palco das crianças, demonstrações afectivas sim, mas devidamente enquadradas e com discrição.
Eu respeito. Muito. Também já fui miúda pequena e apesar da minha mãe não ser dada às visitas surpresa na hora do recreio, imagino o meu embaraço se fosse. Aquele abraço exagerado que a mãe aperta com culpa na semana que é do pai. Percebo-te.
Mas tinha saudades tuas. Disse “Olá” às tuas amigas com muita simpatia mas sem grande exagero. Sei bem, que tudo o que tu queres nesta idade é que tudo seja normal. Mãe normal com saudades normais. Despedi-me com um beijo normal, disse que te adorava, como faço normalmente. E parti em busca da cria menor. Quanto mais pequeno mais difícil. Como já estava com a maternidade em red light vi-te logo. Corrias como uma seta atrás de um menino. A tua gargalhada era tão boa que até parecia que os dentes de leite iam à frente do corpo. Estiquei o braço para te agarrar. Percebeste que era eu e travaste o passo. Voltei a descer e abracei-te com força as pernas. Já não fui a tempo de ser normal. E como faço normalmente, disse que estava cheiaaaaaa de saudades tuas. Sorriste sem grande reciprocidade de gesto, a tua cabeça vigiava o movimento dos teus pares. Estavas num jogo da apanhada, mas não para ser apanhada por mim. Dei-te um beijo grande e respirei o cheiro dos teus caracóis. Levantei-me e saí do recreio com um andar normal e um coração saciado. Quando estava quase a dobrar a esquina, oiço a voz da Cria grande: – Mãe!!
Vieste na minha direcção, abraçaste-me as pernas e quando ia curvar a cara para me aproximar da tua cabeça, olhaste-me nos olhos e disseste baixinho, mas com muita força: – Amo-te.
E eu sai do teu recreio anormalmente feliz.

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Bora lá outra vez

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Isto é um tema recorrente: As famosas festas de Natal das crianças.

Ora, se a época é de paz e fraternidade, não encontro nada de fraterno na busca incessante de uma mãe atrás de um fato de ovelha. E um desenrascar caseiro, para uma não menos trajada, menina do povo. Os meus suores frios começam logo na recepção da circular da escola e só terminam no final do espectáculo, quando garanto no olhar entusiasmado das petizes que o desenrasque da mãe não a enrascou. Sai uma ovelha da Primak, e uma menina do povo com um top da Bershka, uns collants castanhos e um lenço na cabeça em tons laranja. Atravessa a cidade em tumulto, filma, fotografa, beija pais, beija crianças, cumprimenta auxiliares, dialoga com professoras, garante um lugar à frente e depois desloca-te em corrida lá para trás, quando as crianças saírem em debandada ladeados por todo um presépio de amigos.

Há que certificar que eles te viram, que comprovam e validam o brio com que conquistaste o teu lugar entre os progenitores, para os reivindicares orgulhosamente como filhos. Corre muito, ainda que te apeteça pouco, elogia em exagero porque eles só vão ouvir uma parte ínfima do amor que lhes atiramos, nos piropos de final de festa. E depois, elogia-lhes a graça dos gestos e o jeito, ainda que tivesses na vigésima fila de trás a enviar sms´s. Sabes que eles nunca vão adivinhar o esforço que fizeste para estar ali, a uma hora estupidamente difícil, até que estejam no teu papel. E quando isso acontecer, tu vais ser a avó da frente, que já não tem saco para sms´s e que tem tempo de sobra para garantir o lugar na fila da frente.

Faz parte do acordo geracional. Não vale a pena amuar com a vida, só porque ela nos lixa duas vezes por ano com as festas da filharada. Eu cá não gosto, e como não posso pedir dispensa, envio sms´s com fartura, corro que me canso, elogio que me farto, mas é no palco cá de casa que me desforro.

E para ter uma foto assim, dou de barato, a factura do cansaço de mais uma festinha de Natal:)

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O Natal é uma “boa” palhaçada.

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O Natal é uma “boa” palhaçada.
E se assim não fosse, eu também acho que não gostaria muito do Natal. A verdade é que nunca fui grande fã de aglomerações familiares flatulentas. Já sofri na pele o desconforto do veludo e do tafta. Já me senti mais enfeite que criança. Já tive que dar muito beijinho molhado em tias emprestadas, e dizer “Obrigado” e “Se faz Favor” em “loop”, só para honrar os meus progenitores. Já abri muito presente sob o olhar inquisidor dos parentes afastados, e lancei sorrisos abertos, só para os encher de qualquer coisa feliz.
Já andei aos trambolhões entre casas e igrejas, com sapatos de sola escorregadia e dedos apertados. Já rosnei de inveja, da displicência com que me escolhiam os padrinhos e madrinhas, que nunca apareciam para a festa, nem deixavam presente. Já me cansei de andar de carro, entalada entre as minhas irmãs, e de lavar raspanetes por estar sempre amachucada.
Lembro-me bem, da tortura impaciente com que se dispunham pirâmides de presentes enormes, e me calhava sempre um embrulho pequeno esquecido lá trás. Já me enjoei de picar pinhão nas estantes, de ver filmes a Preto e branco, e de olhar para uma mesa carregada de comida, cheia de fome, como quem olha de fora para uma loja fechada.
Todos os Natais, eu acordava na esperança de não receber meias coloridas, caixinhas vazias e livros chatos. Deixei de rezar para que não me apertassem com golas de pierrot e vestidos xadrez, e tudo o que eu queria, era que deixassem brincar, com as cenas boas que me deram, antes de mandarem dormir. Como tudo nesta vida, eu aprendi que não tinha que ser rena para fazer parte do Natal.
E em surdina jurei, que quando crescesse, me vingaria num Natal que fosse inteiramente meu. Já reduzi muita palhaçada, mas o Natal será sempre assim, e faz parte, passar a vida a tentar fazer parte e arte. Eu encaixo, faço e engraxo, mas nunca mais calcei uns sapatos apertados.

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FIM.

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Sabem aquela raiva “move-dentes” que se apodera da voz de uma mãe, quando as crianças, depois de deitadas, irrompem no nosso espaço de inclusão intelectual e espiritual?
Quando interrompem o processo criativo, seja ele qual for, a leitura emocionada de um diálogo ou nos obrigam a congelar um filme num momento de acção crucial? Ou a mudar subitamente de canal, quando o calor se apodera? De certeza que sabem.
Foi justamente num desses momentos, que a Caetana decide abrir a porta do meu escritório, pela quarta vez.
Levantei-me de rompante, mal senti os seus pés descalços a massajar a madeira. Bati com as mãos no tampo, para mostrar tudo o que iria acontecer a seguir. E quando me preparava para engrossar a voz, vejo a sua mão tremelicante a largar um papel sobre a porta entreaberta e o seu corpo, a dar a curva num ápice, deixando a sombra para trás.
O papel dizia “Abre”.
Hesitei. Voltei a sentar-me na cadeira e li o bilhete.
Em vez de estar a dormir, a loira tinha decidido transcrever um poema.

“Tu me chamas sobre as águas
Onde os meus pés podem falhar
E ali Te encontro no mistério
No mar profundo
Aguento. E pelo Teu nome vou chamar.
Para lá das ondas vou olhar.
Se a maré subir. No Teu abraço vou ficar.
Pois eu sou Teu. E Tu és meu
No mar Tua graça é abundante. As Tuas mãos vão-me guiar.
O medo acampa à minha volta.
E Tu não me falharás”

Óbvio, que amaciei a fera interna. Que me esqueci do que estava a fazer. Que encolhi a raiva a um canto e deixei transbordar a boa lamechice do orgulho maternal, pela sensibilidade plasmada da minha cria.

Mas o que safou a loira de uma “coça” não foi o poema transcrito de forma tosca. Foi aquele remate final, quando a voz do poeta, dá lugar às considerações da loira. Aquela frase de aparência tão ingénua, quanto sábia, que lhe valeu um beijo demorado na testa e a amnistia absoluta da sua insónia.

FIM. (escreveu ela) “é lindo não é?”

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Natal IKEA by #filhasdamãe

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Se me dissessem há uns anos atrás, ou se calhar, mesmo há uns meses, que iria ser convidada para decorar um ambiente no IKEA não acreditava. Sei que por oposição ao “defeito” de profissão, era suposto possuir um sentido estético apurado, uma noção de enquadramentos e disposição espacial acima da média, mas nem por isso. O seu a seu dono.
Uma fotografia não é uma casa. Há uma imprevisibilidade associada ao momento de fotografar, que nada tem a ver com a amplitude de um espaço carente de recheio. A verdade é que me diverti como uma perdida. O convite surgiu na mesma semana que mudei de casa.
Por momentos dei-me a inconsciência e à doce irresponsabilidade. Larguei os caixotes apinhados na sala como presentes a cru, e fui para o IKEA de Loures às compras. Tudo o que tinha que fazer, depois de escolhido o ambiente, era comprar tudo, literalmente tudo o que achasse conveniente colocar nos carrinhos para decorar o meu espaço.
O mote era o Natal em família. Primeiro, hesitei, pensei dar-lhe um toque mais acético e fazer as paredes brilhar com as minhas fotografias, impressas em grande formato. Depois, caguei nisso, dei-me ao deleite do espírito e até que tivesse 4 carrinhos apinhados de vermelho e verde, não descansei. Não descurei as fotos, que estão lá nas paredes, com as filhas da mãe a curtir um verão no Meco.
Até uma mesa de Natal eu decorei, cheia de bolas cristalinas, guardanapos timbrados e palhinhas para as crianças. Sem que alguma vez me sentisse, com vontade de mudar de profissão, encarnei o espírito da coisa, e até que me sentisse sentada no bosque mais natalício da loja, não parei. Saí da loja eram 21h. Estava toda contente. Olhei várias vezes para trás, ofuscada pelo brilho excessivo do meu canto natalício, vaidosa pela concretização do desafio e enjoada de tanta bolacha de canela que comi. Dias depois regressei com as loiras. A Caetana ficou desconfiada que eu queria ser decoradora, olhou para todos os cantos, viu com atenção as fotografias e leu o texto do “stand-up” sobre a mãe com muita atenção. A Camila limitou-se a interagir com as bolachas dos potes e encostou-se no sofá a comer. Nesse momento fiquei com a certeza que elas se sentiam em casa, que o desafio tinha sido cumprido e que já podia voltar a pôr as mãos no pote:)

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Teatro q.b.

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Quando a Caetana tinha 3 anos, apanhei-a na casa de banho a apertar um tubinho de soro sobre os cantos dos olhos, simulando lágrimas, ao mesmo tempo que o seu semblante carregado, assumia uma expressão teatral de tristeza.
Deu-me vontade de rir. Deve ser coisa de miúda pensei.
Para não interromper de imediato a performance esperei.
Quando entrei na casa de banho, jorravam rastos de soro nas bochechas. Perguntei-lhe o que é que estava a fazer, e ela respondeu que estava a fingir que chorava. Disse-me toda contente, que ia levar para a escola o tubinho e enganar os amiguinhos.
Toda a gente gosta de uma boa partida. E serei sempre uma encorajadora de jogadas de sentido de humor, mas não se deve simular tristeza quando ela não existe. Expliquei-lhe que provocar emoções de pena ou tristeza com sentido estratégico não era coisa de pessoa boa. Como ainda é miúda, sei que fará uso devido do simulacro do choro de forma espontânea e natural, numa circunstância que exija o teatro das emoções para salvar o melhor sentido das coisas. Com 3 anos achei claramente prematuro estimular a performance. Passaram-se 6 anos. E hoje com 9 a Caetana vai iniciar um workshop de teatro.
E eu estava aqui a pensar, que durante a hora e meia que ela vai estar a encenar, talvez seja sensato ir para uma igreja e rezar.:)

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