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Há clientes e há clientes.

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Há clientes e há clientes.
E depois, ainda há os clientes, que para além de nos receberem com um abraço apertado, encerram as hostes com um branco gelado, que nos servem um queijo de cabra em pão fresco, que nos convidam a sentar, que nos ouvem, a quem ouvimos, com quem mastigamos, conversamos e rimos.
Clientes, que numa fracção de segundos, viram amigos.
Como se aquele momento, fosse apenas um reencontro de saudades selado com fotografias.
E ainda que o embalo do vinho ajude à peregrinação da amizade, é a forma como se dão em tudo, que define como tudo acontece, e que dita tudo o que virá a seguir.
Família gira a que vocês têm!
Mas muito acima disso, a cumplicidade desprendida, de quem sabe que a vida reina acima de todos os filtros.
Parabéns daqueles de quem faz anos todos os dias!

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Liberdade não filtrada

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Gosto muito da liberdade não filtrada que existe no diálogo de uma criança. Não fosse a minha linguagem, tão extrovertida, como o meu carácter, e tenho a certeza que lhes ficaria a galar as palavras soltas, no soslaio calado dos impulsos contidos. Mas cá em casa, usa-se e abusa-se da palavra solta, mais que à solta, mesmo. Isto tem o custo intimidatório da cerimónia, a perversão de alguns princípios básicos de educação que tento implementar e alguma moléstia pontual no convívio social entre conhecidos, mas à parte disso é tudo saúde. Portanto, não se reprime, repreende-se apenas quando é caso disso. Isto porque sei, que no interior desta selva de sentidos ao desmazelo e de acne gramatical há uma franqueza tão doce quanto crua, que faz com que os preliminares do meu “xiu” sejam uns largos segundos de prazer.
E ontem na cozinha, à hora louca do jantar das crias, fui chamada pela voz rouca da Camila.
– Mãe, Mãe! Mãe!
– Simmmmmmmm! Camila!
– Mãe! Mãe! Mãe! Olhe para o Pedro.
(O Pedro é o namorado da Isabel:))
– Diz Camila, o que é ?! Estou a olhar!
– Mãe! Mãe! Mãe! Olhe para o Pedro.
– Sim Camila, estou a olhar para o Pedro.
– Olhe Mãe, olhe bem!!!
– O que é que ele tem?
– Tem tudo.

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