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FALHEI MUITAS VEZES

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Mães trabalhadoras e a carreira profissional? Será mesmo reconhecido o nosso esforço, pela sociedade, família ou amigos, ou na verdade, dizem-se coisas bonitas, mas todos pensam “tiveste-os? Agora, desenrasca-te”. (Um comentário que me deixaram há meses num post e que foi o mote para este texto)

No dia em que decidi ser mãe, não sabia a extensão da minha decisão.
Nunca, enquanto lhe fantasiávamos as feições ou decorávamos o quarto, falámos de forma detalhada do impacto real que o nascimento da nossa filha, teria nos vários quadrantes da nossa vida.
Pensámos sobre isso como faz toda a gente na iminência de uma grande mudança. Mas nunca quis esmiuçar numa folha de Excel os prós e os contras de um filho.
Queria ser mãe, queria tê-la nos meus braços, nos nossos braços e na nossa vida.
Atirei-me para frente, com a confiança, que nunca achei ingénua, de que o amor ajuda sempre a responder às questões que ainda não sabia levantar.
Se calculasse o índice de conforto, a logística e o desgaste financeiro das principais decisões da minha vida estava lixada.
Como já fui mãe duas vezes, posso dizer que já vivi a maternidade em circunstâncias de carreira completamente opostas: Enquanto assalariada, desempregada e enquanto trabalhadora independente.
E foi nesta última condição, que me separei (e não o motivo), a passar recibos verdes, à rasca que o pouco rendimento recolhido, me lembrasse constantemente da inconsciência das minhas escolhas.
O caminho é ainda mais difícil que a escolha. E nada se faz inteiro, só porque se quer segurar na mão as duas metades:
A dedicação a um trabalho que nos realiza e o colo certo a um amor que nos amarra. Falhei muitas vezes em cada uma das metades. E aprendi a ver nas falhas uma forma de amor.
Só assim é possível continuar a tentar, a cair e a erguer. Ainda não somei tudo o que ganhei, na subtracção das certezas que também perdi. Mas há uma coisa que eu sei:
Nunca conseguiria ser a mãe que sonhei, se deixasse de acreditar na mulher que sonhei para mim.

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Embaixador do Caraças

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Conheci o Ronaldo quando fui à Madeira com a Cristina para a célebre inauguração da estátua com o relevo mais proeminente da história portuguesa. É engraçado, porque o que mais me ficou, foi a reacção em êxtase das pessoas quando o Cristiano aparece na pequena arena madeirense, as aclamações enquanto subia os degraus para o palco, e o aumento substancial de volume quando ergue o braço para cumprimentar a audiência. Estava tão fixa naquele palco de gente e clamor, que levei uma cotovelada no ombro para ver se erguia a mandíbula descaída e começava a clicar. O Ronaldo tem 1,85 m, não é pouco, mas parece gigante. Acima de 1,80, 1,90, 2m, 3 m, tem aos nossos olhos a presença elevada à altura de um pequeno Deus.
Ainda hoje a Caetana reclama pelo autógrafo do nosso craque.
A verdade é que fiquei com vergonha de lhe pedir um rabisco no meu caderno. Não queria ir para a fila dos chatos mendigar para mim.
O assédio era tão grande, que o rapaz fixava mais os olhos nos papéis que lhe davam que nos olhos das pessoas que lhe pediam.
Para lá, de toda a inércia da discussão redonda em torno dos ordenados milionários vs mérito vs médicos vs cientistas, é indiscutível que o Cristiano é um embaixador do caraças do nosso pequeno País. E que os triunfos da sua carreira profissonal carregam o peso, não menos leve, da sua nacionalidade. Parabéns mais uma vez miúdo!
Aqui a portuguesa agradece.

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