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Hoje, como todos os dias…

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Hoje, como todos os dias, fui levar-vos às aulas.
De onde moro até à Escola passo em quase todos os centros nevrálgicos da cidade. Devo correr à volta de vinte e cinco semáforos, duas rotundas, um túnel e seis sinais de Stop. Levantamo-nos às 7h da manhã e não paramos até estar sentadas no carro, prontas a arrancar. Há sempre sapatos que ficam por atar, cabelos por pentear e conversas por concluir.
Fora uma ou outra mochila avulso, que fica escondida atrás da porta, e que era absolutamente essencial naquele dia.
É aí que entram os semáforos e os sinais de Stop.
Sou prego a fundo, mas é raro o dia em que não levo uma buzinadela, por ter não arrancado naquela fracção de segundo em que o vermelho intermitente anuncia o verde!
O verde interessa-me para não chegar atrasada e o Vermelho dá me jeito para os acabamentos. A maioria das vezes, não consigo vislumbrar as caras dos condutores que buzinam, e tento não me concentrar demasiado, no rosto, daqueles que complementam o apito forte, com um braço irado fora da janela. Mas o que eu não gosto mesmo é daqueles que me chamam “Louca”. Não, que não reconheça alguma legitimidade na expressão, mas naquele momento estava a tentar disfarça-la, concentrada que estava na tarefa de ser boa mãe.
Bora ter alguma calma nessa alma, só para não enlouquecer de vez os que chamamos de loucos sem os conhecer!
Bom dia! Boa Segunda-feira!

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Lá fomos nós para a escola de motorista

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Comecei a segunda feira em grande.
A minha mão na mão papuda da Camila. Cabeça de mãe virada para trás, a acompanhar o andar lento, passado e elegante da Caetana que atravessa a passadeira como se pousasse para um anúncio da Donna Karan NY. Ela era madeixa alçada sobre a brisa à esquerda, ela era olhar atirado com desdém à direita e toda uma fila de carros à espera. Ela era a mãe desesperada com as calças de ginástica vestidas, um frio de rachar nos tornozelos e duas mochilas na mão. E o pigmeu da montanha a reclamar: – Não posso chegar atrasada…
Chegamos ao carro, despejamos as loiras e as mochilas lá para dentro. Entro no carro, rodo a chave e nada. Sem tempo para conjecturas sobre a mecânica ou o fim prematuro da viatura, sacam-se as loiras do carro. Abeiro-me da estrada e quando dou por mim, já a Caetana estava dois metros atrás a mandar parar um táxi, com o mesmo jeito nova iorquino da série: Dois dedos no ar, calcanhares levemente erguidos e gémeos em levitação. Entramos com as mochilas da Violetta, os cestos da comida e as loiras. Indiquei a direcção e lá fomos nós para a escola de motorista. No interior da viatura, a Caetana de perna cruzada elogia-lhe o conforto, enquanto a Camila passa as mãos pelo acento do motorista forrado a imitação de lã e diz:
– Que bonito mãe, que fofinho, temos que comprar um igual.
Chegadas à escola. Mochilas nas costas, um cesto em cada mão e um beijo rápido na testa: – Boas aulas filhas da mãe!
Aceno da Camila, resposta da Caetana: – Adeus mãe!
Vou dizer à professora que viemos de táxi.
E eu vim para casa chamar o reboque.

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Programas de amigas

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Hoje de manhã fui ao dentista com a Caetana.
Deixamos a Camila na escola e seguimos para o dentista, com o mesmo espírito, com que vamos às gomas no Chiado e aos saldos da Zara. Vendo-se sem a irmã, a Caetana relaxa no banco, espreguiça, e diz com toda a autoridade, de uma adolescente, que ainda não é: – Adoro quando estamos sozinhas as duas, e fazemos programas de amigas. A seguir ao dentista podíamos (faltar às aulas substituído com mestria por) ir ver montras, passear entre livros e beber sumos de fruta com palhinha (substituído com mestria à caipirinha).
Pois podíamos, pensei.
Mas não fomos, porque a anestesia no canto inferior direito não permite segurar a palhinha (substituído com mestria às aulas de matemática da manhosa).

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