Segundas feiras antipáticas

IMG_0079_1315_1Segunda feira é sempre um dia merdoso. E o que é que torna as segundas feiras tão antipáticas?
Não é só o tempo merdoso, porque uma segunda feira em Julho é tão infeliz como qualquer segunda feira aleatória em Novembro, exceptuando as que são feriados, pontes, folgas ou férias. O que torna as segundas feiras temíveis, começa logo com o nome que indica segunda, quando na verdade é a primeira página da semana. E a somar ao seu carácter semanticamente falacioso, há este sabor a arranque repetitivo, à angústia da reinvenção, à pressão de sacudir a rotina. O que faz o final de um domingo melancólico é a espera assombrada do dia a seguir, o dia de todos os começos, o dia em que o reflexo da imagem do espelho nos devolve a imagem carregada das coisas que deixamos, mais uma vez por fazer. Como não gosto de ser ingrata com a vida, quis receber esta segunda-feira como uma sexta, a pré farra, o dia do despojamento, sem deixar entrar a preguiça, o faço amanhã, o desperdício, escancarando a porta às calorias, aos sonhos adiados, aos fados sem enfados e todos os encantos à espreita que nos brindam à sexta.
E porque nesta segunda anódina, dia dezassete de um mês qualquer?
Porque o que sei, tu também sabes. Que esta segunda tem o tempero continuado dos sonhos, o sabor da nossa certeza e aquele gosto fabuloso a inocência. Porque não quero dormir mais, só quero viver e acordar, respirar e acelerar. Olhar para tudo o que aí vem, como se a pressa de viver fosse a zona franca da minha vontade e o meu coração só conhecesse o embaraço de não ter compasso para tanto que quer bater.
Porque no meu fundo, quando eu acordei hoje, eu já sabia, que isto não é uma segunda-feira é como se fosse uma primeira:)

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