Pin´s espalhados sobre o globo

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Dia Internacional da Família, o que para ser mais correcto até devia ser, o dia das famílias internacionais. Porque a verdade é que isso que hoje somos.
Já não conheço ninguém que na minha geração tenha toda a família perto, parecemos uma manta de retalhos, pin´s espalhados sobre o globo, com o desejo mútuo de voltarmos a ser um só.
Também já tive por fora, mas a brincadeira de um ano sabático, nada tem a ver com a separação forçada destes tempos.
Agora é Verão (at last!), e o calor tem o feito atenuante sobre as dores, como se fosse possível acreditar que as saudades também derretem. Se não liquidificam, pelo menos amenizam na palhinha de um mojito ou nos contornos do pôr do sol.
É por isso que está época é tão acolhedoramente “silly”, porque nos atira para a moleza boa do comprimento dos dias, porque estica o sol nos sentimentos e diminui aquelas sombras que picam, como mosquitos na escuridão.
Gosto desta primavera travestida de Verão, gosto de acreditar que a longura dos dias, arrasta uma esperança de tudo o que ainda pode ser, gosto do “pega leve” no lamento, gosto desta promessa quente das coisas que nos espreitam, e gosto ainda mais, de estar a escrever em pé num balcão, enquanto tomo um café, e ouvir uma conversa do mais “silly” bom senso, entre duas amigas:
– Sabes Mariana, ele vai estar fora até Setembro…não sei, não…
– Não sabes o quê?
– Não sei se aguento o Verão todo à espera dele.
– Mas o Verão é curto.
– Também a vida, Mariana.

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