O nascimento glorioso das loiras

IMG_9759Não programei o nascimento das minhas filhas, nem segui qualquer compromisso astral, foi assim… quando Deus quis e o homem teve vontade. Mas se voltasse atrás e por uma questão de organização de calendário evitaria ter o nascimento glorioso das loiras colado aos meses de arranque do ano lectivo. Ora estou a comprar velas e bolos, ora cadernos e afias. Há um mês que não saio do linear do material de escritório e papelaria, saltando imediatamente para a prateleira das gomas e das velas. E no meio do fôlego das etiquetas nos livros, o nome nos bibes, o embrulho nos presentes, o convites dos amiguinhos, as reuniões na escola, a definição das actividades extra curriculares, os telefonemas de confirmação, os de agradecimento, lembro-me que faço anos para a semana…e eu, que até sou bem dada a efemérides e celebrações, fico com uma súbita vontade de fugir, sendo que o vou efectivar.
As pessoas queridas que gostam de mim, talvez não percebam, mas não há pior tremor no presente, que a pergunta: – Então não vais fazer nada no dia dos teus anos?
Sei que por compromisso de estilo e agitação, pode parecer ser merecedor de medição de febre, mas não, não vou!
Vou celebrar a vida longe, lá para os lados de Marrocos, perdida na confusão de cores de um souk qualquer.
As minhas velas, vão ser o pôr do sol soprado devagarinho sobre as muralhas do castelo e o meu aplauso desmembrado, vai todo para o copo de branco gelado que irá repousar nas minhas mãos.
Depois…quando a hora da paz sumir com último pontinho de luz, eu vou ligar às loiras e durante meio segundo, vou ouvir com o telemóvel ligeiramente afastado do ouvido, aqueles Parabéns, que da forma mais desafinada possível, denunciam a pressa das coisas interessantes que as chamam e a tranquilidade onde estão.
E depois, vou dormir serena com mais um ano em cima.
E se me der para ressonar, de relaxada que estou, é só porque já sei, que o melhor presente que posso receber é a consciência tranquila de tudo o que já tenho.

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