- Ó mãe...

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– Os nossos bisavós são aqueles que já morreram?
Pergunta-me a Camila no carro.
– Nem todos os que morreram são nossos bisavós. Mas sim, os bisavós da Camila já morreram.
– Quem eram os meus bisavós? Insiste a Camila.
– São os avós da mãe e do pai. Respondi.
Não sei se as perguntas se ficavam por aqui. Mas quando falou nos bisavós bateu uma saudade das grandes do meu. Eu apanhei o isco e descosi sobre o tema, divagando, como se divaga em paixão na vida, quando alguém nos pergunta sobre alguém que amámos muito (e que já partiu).
– O bisavô da Camila, o meu avô, foi o homem mais importante da minha vida. O meu avô foi o meu pai verdadeiro. O homem que moldou o meu carácter, a pessoa mais boa que já conheci.
A única, cuja a ideia da ausência em vida já fazia doer. O avô foi o homem que me levou à igreja quando casei com o pai. O homem que ensinou à mãe o que é Amor, e que todos os dias me acorda para o lado bom da saudade. O homem que encheu as medidas do meu coração. Tenho muitas saudades do bisavô da Camila, mesmo muitas…
A Camila ficou calada. No silêncio do carro, ganhei consciência que me alongara na adjectivação porque a humildade não deixa na pobreza da linguagem aqueles que mais amamos.
Sorri de mim para mim. E quando já estava a estacionar o carro, a Camila pergunta a medo:
– Ó mãe…eu tenho que gostar das pessoas que não conheci?
– Não meu amor. Nem mesmo de todas a que conhece.

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