Mãe, com quem é que casam os feios?

casamentoJá contei aqui que há um tempo atrás, enquanto editava fotografias de um casamento a Caetana (6 anos) sentou-se ao meu lado, olhou com atenção para o que eu estava a fazer e enquanto abanava a cara de um lado para o outro perguntou:- Ó mãe, com quem é que casam os feios?
Depois de uma dezena de gargalhadas interiores e com a seriedade que a questão merece, expliquei-lhe que o que leva as pessoas a casar é o amor que sentem, sendo a beleza uma pequena parte dessa equação. Hoje a Caetana, voltou a sentar-se ao meu lado enquanto editava e perguntou:
– Mãe, é verdade que as pessoas bonitas têm mais opções?
Custa-me acreditar que ela saiba exactamente o que está a perguntar. Desconfio que ela anda a ver a Sic Mulher às escondidas e respondi com a verdade que as questões merecem: Que sim, que a beleza é um bem, que é um activo lixado porque é tão aleatório como a família em que nascemos, que quem tem esse dom deve fazer um bom uso dele, em prole de si e dos outros. Mas também lhe expliquei que a beleza é tão mais completa quanto maior for a evidência de generosidade e alegria na pessoa que a carrega. Se estas são as perguntas dos 6 anos, a perspectiva do enriquecimento do seu vocabulário e da sua curiosidade, dão me menos de dez anos para arranjar um Daniel Sampaio…No entretanto, tento encarar as perguntas como pistas para nortear a sua educação. E é por isso é que sempre que a família e os amigos vêm cá a casa, peço-lhes que a par do bem de ser belo, lhe elogiem a criatividade, a agilidade, a sensibilidade e outros tantos predicados que são menos efémeros que a beleza em si. Não vá um dia, ela lembrar-se de me perguntar se o que é belo dura mais e eu ter que lhe explicar que ela não é imortal.

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