Mas a mãe não sabe?

IMG_0376_7277Sei umas coisas, mas há um milhão de coisas que não sei.
E os TPC´s da 3ª classe já obrigam a uma janela do google aberta em permanência, interrompida pelas constantes exclamações da loira grande:
– A mãe não sabe! Mas a mãe não sabe?
Sei algumas coisas, digo-lhe. Mas não me lembrava o que era um “afixo”, nem estava propriamente por dentro da numeração hindu-árabe, há muito que não chamava “polígono ” a nenhuma alma, nem me lembrava de ter ido à mercearia pedir cenouras de raízes aprumadas. Nada me põe em maior confronto com a memória e a ignorância que os trabalhos de casa. Às vezes, dou por mim tão concentrada na execução dos problemas, que quando acordo para a realidade circundante, resto eu, o livro de fichas, um estojo desarrumado e já não há loira intermédia para ninguém…porque ela, viu-me tão entretida, que optou por ir fazer outra coisa qualquer. No meio desta equação algorítmica sobra-me uma loira pequena, uma unidade, que percorre os segmentos de recta da sala à nossa volta, utilizando todas as propriedades que tem para quebrar o isolamento lixado da circunferência em que nos enfiamos, quando nos envolvemos na tarefa árdua dos TPC´s.
Eu não domino todas as estratégias de cálculo, mas se há uma coisa que sei, é que a frequência absoluta desta casa é 3. E que a divisão fraccionada de tempo entre as minha duas amadas unidades, nunca dá certo.
Dividida entre a estimativa do que sou e o arredondamento da minha condição de mãe, fico completamente emparedada entre a assimetria de tempo, as fracções de atenção e todos os meus coeficientes emocionais.
E se há dias em que consigo completar a tabela, há outros em que só penso render-me à dízima do que sou, uma fracção irracional sem qualquer ambição de vir a ser um número inteiro.

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