Lugar cativo

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Para quê efabular, os dias são quase todos delas.
E mesmo quando não estamos perto, há uma constância de pensamento, um lugar cativo, uma memória que lhes assiste, uma fatia larga de coração, que lhes pertence por direito, por dever e por vontade. O dia da criança é só apenas mais um dia, aquele dia, em que lhes damos o poder de veto sobre os programas chatos, em que nos esmeramos para os encaixar em todos os insufláveis da cidade. O dia, que eu já sei que vou acabar com as mangas sujas de algodão doce, que vou almoçar, lanchar e cear com palhaços, ouvir o “let it go” em repeat, intercalado com os hits majestosos da incansável Violetta. O dia em que vou servir de aia feliz, amiga pequena, preceptora liberal, mãe moderna e business angel.
Aquele dia, que só acaba, quando esgotada, as arrasto para a cama e lhes digo ao ouvido, colarinho ao beijo de “Boa noite”: – Feliz dia da criança!
E a seguir, logo a seguir, ainda no tempo útil do dia da criança…vou abrir um tinto, colocar um certo na checklist maternal, e na tranquilidade do seu sono profundo, e do primeiro gole de vinho, vou ter a veleidade de achar que o amanhã é meu.

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