Jogos sem fronteiras

Tudo se adivinha no apocalipse da adolescência, não faltam relatos, documentação e filmes. Preparas-te para isso quando eles são roliços, e já sabes, que inevitavelmente se vão tornar eólicos. Vamos ser soprados para um canto e com a energia renovada de uma infância a comer bem, eles fazem-se estupidamente enormes e uns enormes estúpidos. Mas tudo bem, nos já contávamos com isso. Sabemos que passa, quando passar a enorme corrente de ar que lhes arrepanha o cérebro.

O que eu não estava preparada, era para ouvir amigos e amigas, pais de filhos crescidos, na casa barbeada dos vinte a darem-lhes sermões. Autch! Com os dentes alinhados dos centenas de euros que gastamos em aparelhos, a gramática paga a 10€ a hora a uma professora de português, a equitação, os atl’s de verão, as aulas de surf, o curso de inglês, apresentam-se de pedagogia licenciada a darem nos lições. Muito além da amizade consentida, promovida durante meses por um séquito de terapeutas da fala e psicólogos infantis, carregam sobre nós a diletância dos traumas que não conseguem resolver. Antecipo-me já que não o vou permitir! Livrem-se de me melindrar os cinquenta proféticos com o arremesso de frases do Pinterest. Nem me venham dizer o que devo beber, quanto devo beber, e ainda menos o que fazer com o pouco que sobrou da economia dos sonhos depois do investimento, a fundo ainda perdido, que vos fiz. Era só mesmo o que faltava, depois de patrocinada a terapia, virem ensaiarem na minha pessoa, o que ainda mal se distingue na vossa. Vou vos querer longe, numa relativa proximidade feita de afectos e elogios. E se alguma vez vos passar pela cabeça de me virem acusar da mãe que não fui, antes de o serem…serei um carrasco feroz. E só não vos mando de volta aos ovários porque nessa altura estarei de gravidez avançada dos meus prazeres.

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