Foi homicídio de certeza!

Bye Bye single life | Isabel Saldanha Photography099 Há pessoas que acham que a felicidade é coisa de gente fútil.
E eu tenho uma amiga assim. Quando me liga para falar de coisas pesadas faz colocação de voz e dá lhe uma entoação característica, como quem diz que não anda a brincar com os problemas.
Estou convencida que ela acha que a infelicidade a intelectualiza e lhe dá uma certa espessura existencial. Apesar da vida burguesa facilitada ela faz por ser infeliz, entregando-se a todas as curvas sinistras que indicam problema. Cada vez que falamos a minha felicidade fútil embate invariavelmente na sua infelicidade sentida. Não que eu não tenha problemas mas, tenho por teoria que não os podemos por muita à vontade, não vão eles achar que é para ficar, acomodando-se a um canto, confraternizando com as outras dores. Ela acha que eu estou sempre a disfarçar a minha infelicidade e por isso quando falo com ela sinto-me na obrigação de dizer qualquer coisa triste ou de arranjar alguma disfuncionalidade no meu discurso que acuse um estado de alma digno de consideração. Uma vez estávamos num pequeno jantar de amigas e ela contou me um episódio triste de uma mulher que se tinha suicidado. Mas o importante na história não era o fim. É que essa mulher era mãe como eu, tinha 2 filhas, um marido e um trabalho que a preenchiam. E depois engrossou a história com uma inflexão na voz e prosseguiu dizendo, que tinha sido assim de um dia para o outro, sem que ninguém desse conta ela pôs termo à vida.
E como se eu não tivesse suficientemente sensibilizada, reforçou: – Ela era assim como tu! Sempre bem disposta, a sério e depois matou-se!
Aquilo irritou-me um bocado, estávamos com mais uma amiga e eu senti que devia dizer: – Não a conheço e desconheço os seus motivos! Mas se eu aparecer morta de repente, por amor de Deus investiguem porque foi homicídio de certeza!

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