Filhas do vento

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Somos cinco irmãos, quatro irmãs e um irmão.
Nascemos todos da mesma mãe e do mesmo pai, e somos todos muito diferentes, como compete a uma sociedade que se quer rica e heterogênea. Hoje a minha irmã mais velha faz anos. Como somos todas muito filhas do vento, falamos pouco mas com muita intensidade. Vemo-nos pouco mas com muita curiosidade. Beijamo-nos pouco mas com muita vontade. Hoje liguei a dar os Parabéns, e como há sempre muita vida e muita distância, ficámos meia hora a trocar cromos ao telefone, numa tentativa nobre de encurtar a distância que combatemos pouco. Não há fim de telefonema, que não termine no protocolo da saudade, na promessa de que todos devíamos fazer mais, para estar mais, Anuímos, concordamos, prometemos, mas já sabemos, como se sabe sempre que se conhece bem de mais alguém, que será sempre assim. E não tem mal, porque há nessa constância desafinada, de quem fazer melhor, a garantia de uma relação que não se perde, mesmo não se tendo como se quer, como se deve, como se diz que tem que ser.
Óbvio que tenho saudades tuas, que aproveito os Parabéns, como uma carta branca para te falar de mim, e para te ouvir falar de ti. Sei que dizemos sempre “Até já”, que falamos mais logo, que há cerveja gelada no frigorífico e umas festas apalavradas numa data qualquer.
Sei que quando desligamos o telefone voltamos para o vórtice acelerado das nossas vidas, com o colchão amortecido pelas saudades, aquelas saudades manhosas que iludimos no até já. Mas sei que estás bem, que a conversa foi curta mas sincera, que não atalhamos com o monopólio do “está tudo bem”, que abrimos as brechas da realidade nas histórias contadas, que abrimos o véu das dúvidas e trocamos umas incertezas.
Sabes, habituei-me e gosto assim.
O amor sincero é mesmo livre de protocolos.
Por isso, Muitos Parabéns mana e até já♥

P.S: Tenho aquela vodka que tu gostas.

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