Falso espírito de tranquilidade

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Esta fotografia traduz um falso espírito de tranquilidade. Se fosse só eu e a rede e os meus “phones” a coisa era outra. Quando elas descobrem as camas de rede, não é para se esticarem ao comprido a absorver a calma que o mundo lhes está a proporcionar, é porque descobriram um baloiço comprido onde cabe muita gente. Por isso, enquanto elas não se acotovelam na rede, para ver quem estica as pernas primeiro, eu disparo. E algures, entre o disparo, sai aquela fotografia que traduziria na perfeição o uso que daria a rede, o balanço a que me ofereceria voluntariamente, e o encaixe perfeito que teria se o desenho do objecto cumprisse o seu papel nas minhas mãos. Ser criança também é isso, contrariar a natureza dos objectos, dar-lhe o uso acelerado da vida, o impulso solto da energia informal. Só assim se percebe, o bem que sabe o balanço acelerado da rede, quando nos deitamos nela para descansar e descobrimos no embalo sonolento que há outro adulto que nos empurra.

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