Que horror!

IMG_0938_3704 Hoje estiquei-me.
Passei-me dos carretos.
Dói-me o pé, de uma pancada enorme, enfiei o pé descalço na esquina de ferro do sofa, coxeio ligeiramente e como ando a sempre a 1000, sinto-me consideravelmente lesionada e inactiva.
Fui levar as miúdas à escola, estava atrasada, estava com sono e doía-me o pé. Moro num 4º andar sem elevador e tive que levar as mochilas das miúdas e os sacos dos brinquedos que se podem levar à sexta e guiar…e dói para xuxu guiar. Como era tarde, muito tarde, parei o carro em segunda fila e pedi à loira grande que levasse a Camilinha até à sala de aula, doía-me o pé. É importante reforçar o quanto me doía o pé, e para ajudar à visualização, posso acrescentar que o mindinho tinha o tamanho do dedo grande do pé. Quando a Caetana estava a levar a Camila até à sala de aula a pedido da mãe lesionada, levo uma pancada nas costas: – Está boa? Era a responsável da tesouraria da Escola com um ar carrancudo e decidido.
Respondi: – Tudo bem! E dirigi-me novamente à loira grande: – Vá lá Caetana! Leve lá a mana que já estamos a ficar atrasados para as aulas!
Nisto a senhora da secretaria, inicia em plena rua cheia de Pais em movimento, um discurso, equivalente a um vomito compulsivo e interrupto dos quais me foram chegando pequenas traduções: – Vocês Pais são todos a mesma coisa!! Têm que entrar. Depois não levantam as circulares! São o pais que levam os filhos à sala não são os irmãos! Tem lá uma carta! Depois é para nós que sobra! Já é dia 13… e por aí fora…
Juro, que tentei interromper, elevei os braços, empinei o queixo no jeito de quem quer falar e doía me imenso o pé, como se todo aquele sermão me estivesse a calcar o dedo ferido. Às tantas, sinto aquele latejar no pé, quando o coração decidi ir viver para a zona ferida e disse:
– Está se a passar!? Levo todos os dias a minha filha às aulas. Se hoje não levei é porque não consigo.
Ía falar da dor do dedo ferido mas a criatura não perdoou, eleva a voz e diz: – Hoje, hoje!! E Hoje foi porquê?
Juro que a ironia daquela frase me pressionou a zona inflamada e sem que conseguisse travar, respondi: – Porque tenho o dedo todo f*do!
Pronto e quando está dito, está dito. A senhora arregalou os olhos, disse: – Que horror! Não estou para ouvir estas coisas malcriadas e entrou na escola, desta vez muda e de passo acelerado. Sentei-me no carro e pensei: – Porra Isabel esticaste-te!… mas a verdade é que senti que todas as minhas dores mais apaziguadas…

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