Dedinhos frenéticos

IMG_0597_7639 No nascimento das minhas filhas enviei emails, filmes e fotos por sms. Não instagramei porque ainda não havia nem o vício nem a plataforma. Como sou fotógrafa depreende-se que tenha uma relação rotineira e apaziguada com a tecnologia e tenho acima de tudo paixão com adição, sou capaz de passar horas a fio a ler artigos on-line, a ver Ted talks e a “papar” tutoriais só para construir um efeito qualquer em Photoshop que muito provavelmente nem vou utilizar.
E quando as loirinhas nasceram, da forma menos tecnológica, já o nosso lar era a combinação perfeita entre o orgânico, o humano de Alfama e uma panóplia de apetrechos tecnológicos que superavam em muito, os habituais 6 comandos na mesa de televisão.
Os dedinhos frenéticos das crianças pareciam customizados aos menus e a interacção com a tecnologia presente era tão fácil que cheguei a equacionar vestir-me de robot e soltar comandos avulso quando elas pegavam pesado. Os equipamentos são caros e as mãos das crianças são tão deliciosas como perniciosas, tremia de medo quando cedia à insistência e lhes passava o telemóvel ou lhes colocava ao pescoço uma máquina fotográfica.
A verdade é que as crianças de hoje continuam a correr com a mesma destreza num campo de girassóis como o fazem num linear de DVD´s.
Tenho um tremendo respeito pela utilidade da tecnologia, pelo seu suporte informativo, alcance e globalidade mesmo com um custo aditivo.
Para mim o desafio mais difícil da nossa metamorfose com a tecnologia é o efémero e o descartável, a forma como passamos de um rolo de 32 fotos em suspense, para os 32 GB sem critério, a forma como deixamos o jogo em pausa, quando estamos a perder, a forma desleixada como consumimos na televisão o óbvio ,só porque sabemos que estamos a gravar o essencial, a forma como lançamos um Olá fortuito numa rede social, a forma como abreviamos o importante e enaltecemos as frases feitas.
A minha maior preocupação em relação às minhas filhas, não é dosear-lhes a tecnologia, é guiá-las com inteligência, para que a efemeridade das minhas loiras nunca lhes esvazie o desejo de eternidade.

# Artigo escrito a pedido da Samsung sobre as crianças e a tecnologia.

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