Coração partido

coração partidoRecebi uma mensagem muito simples no telemóvel, que dizia qualquer coisa do género:
“Como é que se faz para curar um coração partido? Dói muito. Dói muito.”
Não sou especialista em corações partidos.
Acho até, com todo o pragmatismo que assiste as minhas análises introspectivas, que devo ter partido mais, que as vezes que o parti. Sei que dói, que dói muito. Sei que a dor de um coração partido não tem posologia indicada, que a dor parece infinita, que o peito acorda de manhã aberto, como se a força dura das lágrimas não o deixasse fechar, sei que tudo nos lembra, que o pensamento é colonizado à bruta, que o passado passa a ter o vislumbre da promessa de um futuro interrompido, sei que dói como um martelo, que a constância da dor chega a ser tão assustadora, que se houvesse força que chegasse, pediríamos a alguém para nos arrancar, sei que os discursos paliativos dos amigos nunca se aplicam, que eles nunca percebem, que nunca ninguém entende, o que vivemos e o que ficou por viver. Sei que a história é tão nossa como a dor que se faz Senhora. Sei que parece que faltou falar, faltou dizer, faltou beijar. Sei que o tempo passa e amassa consigo as recordações. Sei que qualquer música triste era nossa, e que a fossa é o melhor colo para o que sobra de tudo o que nos tiraram.
Mas também sei que passa, e que a dor que antes amassava se converte em lembrança, o que ninguém sabe ou adivinha é o compasso da dor fininha que parece vir para ficar, que não dá descanso, que vira gargalha em pranto…e que quando parece que finalmente desaparece, há um toque, uma palavra, um compasso, um cheiro, e volta tudo inteiro, como se a dor mastigada, tivesse guardada para renascer outra vez.
Por isso, quando me perguntam como é que se cura um coração partido, lembro-me sempre de uma frase que li e que não sendo consolo, tem a humildade de receber a dor, como um predicado de crescimento, e não um castigo:
“Sometimes, you just have to keep breaking your heart until it opens”

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