- A mãe está na terra da Violetta.

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Quando me falavam de Buenos Aires, os nomes aos quais associava imediatamente a cidade eram os de Borges, Maradona, Evita Peron, Carlos Gardel e Che Guevara.
Agora somo-lhes a Violleta, uma cantora argentina que as loiras ouvem em modo repeat, e que dispensa apresentações, porque não há pai e mãe de miúda que não conheça. Ontem, quando falei com a loira grande ao telefone, a primeira coisa que me disse foi: – A mãe está na terra da Violetta. Vá ter com ela e diga-lhe que mandei um beijinho de Alfama. Não encontrei a Violetta, mas reencontrei o Quino (o cartunista).
Falha minha, que quando babava os quadradinhos não lhe conhecia a nacionalidade, só sabia que era genial. Mesmo acima do desembaraço do traço, havia a densidade perfeita de cada personagem, assaltada por um pragmatismo atroz, que nunca poderia entender, se não relesse em idade adulta. De alguma forma, e mesmo sem compreender o alcance das mudanças dos anos 60, todas as crianças se identificavam com a Mafalda. O mundo era demasiado grande, as pessoas demasiado ocupadas, as mudanças demasiado rápidas. Quem é que não se lembra do fabuloso diálogo da Mafalda com a telefonia:
“O Papa fez um chamado à paz” (ouve-se na rádio)
E, com sua ingenuidade infantil, responde ao aparelho:
“E deu ocupado como sempre, não é?” .
De todas as personagens do Quino, descontando Mafalda, a criança argentina mais desconcertante do mundo, havia uma personagem que eu adorava, de seu nome “Liberdade”. Ironicamente, era mais pequenina do Grupo, idealista e amante das coisas mais simples da vida.
Se a minha vida fosse uma tira de banda desenhada, e se eu fosse uma personagem do Quino, era esta menina minúscula, que carrega a ambição das coisas mais simples, quem eu queria ser.

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