Zoo dos parasitas

IMG_0064_3767Se tivesse mais tempo tinha ido a duas farmácias diferentes. Estava à pinha de gente, eu era o nº 41 e aos meus pés jaziam serenos os sacos do Lidl cheios de postas de bacalhau a descongelar. Queria fazer o mimo às loiras que ao bom jeito português, papam todas as versões de Bacalhau. A minha versão, era mesmo aquela alemã que vem com aquela máquina fabulosa, que tem o mesmo nome, que nos damos a nós mesmas, quando passamos metade do dia na cozinha. Mas regressemos à farmácia de Xabregas. Quando chegou a minha vez, estava de equipamento de ginástica e arrastei com empurrõezinhos de Nike os sacos até ao balcão. A senhora era enorme e a voz tinha o mesmo comprimento de cintura, disse: – Boa tarde!:))))))
Com uma simpatia tão dilacerante, tenho quase a certeza que o eco chegou antes de mim, e do meu boa tarde. – O que deseja?
Como estava bem disposta e ginasticada respondi à altura:
– Ser feliz como toda a gente!
Mas dava me mesmo jeito, um shampoo para piolhos e um remédio para as lombrigas. Sei que o meu aspecto esforçado, não era o melhor, por isso, não foi surpresa, quando respondeu: – É para si?
Rí-me e disse: – Se calhar! Mas não. Por enquanto é para as minhas filhas que vivem no zoo dos parasitas.
A Camila está tão cansada de se coçar que já tem questões existencialistas, e enquanto vai passando as unhas pelo couro cabeludo vai dizendo: – Porquê a mim? Sou a preferida?
A Caetana tem o cabelo mais liso, e os bichos devem ter o seu quê de adrenalina e preferem o looping curvilíneo dos caracóis da loira pequena. Já as lombrigas que são mais curvas, preferiram as rectas da minha loira maior.
E agora para onde quer que olhe, tudo se coça, dos pés à cabeça. Chega a ser cómico ver tanto movimento e frenesim. Desconfio que os bichos andam a passar palavra que aqui é que é:) E sinto que olham para o meu armário de remédios como um adolescente para um bar aberto.
Qual quer dia tenho uma página de fãs a nascer de uma madeixa e à noite se abrir a porta do quarto das loiras de repente, ainda apanho alguém em posições comprometedoras….talvez a Camila tenha razão em colocar estas questões no plano metafísico, porque a melhor forma de superar a realidade, quando ela nos ataca, é reforçando a auto estima:))

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