Vida Cigana: Ao Toque do Tambor

Parque Rural do Tambor | Isabel Saldanha09

Somos Alfamistas, amantes do bailarico, amigas intimas do churro, do pimento assado e da sardinha na brasa. Ficamos mega vaidosas quando o nosso bairro se traja para receber e assistimos às marchas com a ansiedade de um Mundial de Futebol. Mas este ano, decidimos que íamos dar um mergulho tardio nos Santos, quando o alcatrão secar das passadas irrequietas e podermos voltar a ver as paredes de Alfama, e o sorriso grandalhão das pessoas que lá conhecemos. No entretanto, entregamo-nos aquilo que sabemos fazer melhor, viver.

Há umas semanas a minha amiga Vera liga-me a perguntar se alinho numa de acampamento cigano, um sitio giro que não sabia bem onde ficava, mas tinha duas carruagens de madeira, muito campo, muita actividade para os miúdos e espaço que chegue para soltar as crianças descalças e pôr a conversa em dia. O programa era durante a semana e implicava  faltar às aulas. Disse-lhe logo que sim. Esta recta final das aulas rebentou-nos  de cansaço. Tudo o que eu pensava era fugir. A Vera levava os três filhos, eu as minhas duas loiras e enfiava-mos-nos durante dois dias nas carruagens a ressacar da vida urbana. Tenho andado tão ocupada, que mal tive tempo para googlar na véspera o sítio, e quando pus a primeira no carro, ia guiada pelo GPS da Vera, mas tão animada, que parecia uma criança à porta da Kidzania.

E assim, sem ter a mínima noção do local, e a menos de 30 minutos de Lisboa, na bela localidade de Aveiras de Cima, conheci o Parque Rural do Tambor.

O site não faz justiça ao sítio e as fotografias não revelam o lado mais boémio e romântico do local. Só vivendo se conhece. Até me custa alinhar as palavras mais bonitas para descrever a nossa estadia. As carruagens dá para ter uma ideia nas fotografias. Mas o melhor do sítio é o complemento entre a tranquilidade do espaço e a simpatia arrasadora dos donos. E quando digo arrasadora, digo à séria. São dois jovens de 60 anos, cuja a impressão imediata não é apenas: “que simpatia” é mesmo o “quem me dera que fossem avós dos meus netos”. O Tio Zé e a Tia Mariazinha vivem no Parque e são a alma do parque. Foi deles a ideia do labirinto no milharal, a criação dos programas de passeio para as escolas, o celeiro com a máquina das pipocas, os cultivos, o tour de tractor em cima de fardos de palha, a caça ao pirilampo à noite, os baloiços, a tenda India e tudo o que os nossos olhos alcançam e as crianças possuem. O Parque Rural do tambor vale pela experiência de partilha, pelo enquadramento, pelas dinâmicas criadas, pelo espaço imenso onde se respira, mas o que me fica na memória, o que a inscreve na minha história dos sítios a voltar, é sempre a alma das pessoas. E quando arrancamos com as crianças nos carros, a tristeza já era saudade e tudo o que pediam era para ficar, para voltar, para regressar ao sítio do tio Zé e da Tia Mariazinha.

É aqui que o descobrem. Mas vivam-no como deve ser:)
Parque Rural do Tambor ou versão crianças “O sítio do Tio Zé e da Tia Mariazinha”

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