Terra do Sempre

capa TS

Esta era a vida que escolhia para mim.
Já mudei muita coisa, muitas vezes, muito para além dos ciclos de mudança que fazem regra nos seres humanos mais agitados.
Já mudei dezenas de vezes de casa, de empregos e de pessoas (entenda-se aquelas que temos mesmo que mudar :).
Cada mudança ensinou-me uma coisa diferente, mas todas elas tiveram uma lição em comum: Que é realmente possível ajustar a vida aos nossos sonhos. Mesmo que às vezes, as mudanças processadas não sejam exactamente a cópia dos sonhos formulados.
Mudança não tem que ver com inquietude negativa. Se a traduz, fá-lo apenas no sentido mais puro, de quem sabe que os diferentes cenários nos transformam em diferentes personagens e que não há nada mais aborrecido que permanecer igual.
Sou uma fã assumida de mudanças. Tão fã que às vezes me vejo a refrear o ímpeto, não se vá dar o caso de mudar até o que está certo. E ainda assim, mesmo o certo deve ser capaz de se ajustar à mudança.
Eu sei que dá muito trabalho, até mental, mudar de vida. É tão titânico o esforço que custa até pensar.
Mas quando damos por nós a suspirar pelos sonhos encaixotados há anos, é porque está na altura de mudar a casa, mudar de casa ou sair.
A Bárbara e o Pedro deixaram Lisboa para trás e mudaram-se para a Terra do Sempre. Talvez até não seja para sempre. Mas esteve sempre no sonho de ambos e isso bastou para que fizessem acontecer.
Um terreno implantado num vale rodeado de sobreiros e oliveiras, uma casa central desenhada pelos dois, o recheio que traduz histórias contadas em objectos, dois bungallows de madeira, uma piscina ladeada de oliveiras e uma mão cheia de cantinhos que fazem querer ficar.
Chegámos sexta à noite esfomeados, comemos na mesa maciça de madeira na cozinha (antiga mesa de trabalho do avô do Pedro).
Aí, conheci uma a uma, as famílias que foram entrando pelo calor da porta. As crianças saciaram a fome, aninharam-se entre novos amigos e nós tranquilizamo-nos na conversa boa, nos sonhos acontecidos e nas garrafas de tinto, até ao sono nos puxar para o quarto, as crianças para a mezzanine e adormecemos numa cama feita de nuvens, no bafo morno da salamandra e no abraço apertado do Romeu e Julieta (tema do quarto). Na manhã seguinte fomos todos passear até à quinta da Dona Gertrudes, um paraíso para as crianças, onde não faltam ovelhinhas de presépio, porcos pretos à barda e patos para alimentar. Foi nesse cenário de euforia que fotografei as famílias, uns clicks soltos no meio da conversa solta, enquanto as crianças gargalhavam e o som dos animais em histeria se perdia para lá do monte. Nessa noite, e apesar do conforto aliciante dos sofás e da lareira, reencontramo-nos de novo à volta da antiga bancada de trabalho do avô, no morno da cozinha e por lá ficamos a trincar conversa com pão quente e manteiga derretida até às 2 da manhã. Foi tudo tão simples, tão pouco ensaiado, tão informal, tão saboroso, que me senti na terra do sempre, como se tivesse sido sempre dali.
Saí de lá muito feliz pela Bárbara, pelo Pedro, pelo Bernardo, pela Mané e pela Alice do pais das Maravilhas. Feliz, por terem desembrulhado os sonhos em conjunto e por terem a simplicidade mais nobre de os partilharem com quem lá vai. Confesso que vim o caminho a repensar a minha morada. Mas também sei, que se ainda não esbarrei de novo com o “Coelho Branco” é porque uma das dimensões mais importantes dos sonhos é saber viver a procura.
Até sempre! (Nunca vos vou dizer até já:)

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