Teatro q.b.

IMG_0043_6519

Quando a Caetana tinha 3 anos, apanhei-a na casa de banho a apertar um tubinho de soro sobre os cantos dos olhos, simulando lágrimas, ao mesmo tempo que o seu semblante carregado, assumia uma expressão teatral de tristeza.
Deu-me vontade de rir. Deve ser coisa de miúda pensei.
Para não interromper de imediato a performance esperei.
Quando entrei na casa de banho, jorravam rastos de soro nas bochechas. Perguntei-lhe o que é que estava a fazer, e ela respondeu que estava a fingir que chorava. Disse-me toda contente, que ia levar para a escola o tubinho e enganar os amiguinhos.
Toda a gente gosta de uma boa partida. E serei sempre uma encorajadora de jogadas de sentido de humor, mas não se deve simular tristeza quando ela não existe. Expliquei-lhe que provocar emoções de pena ou tristeza com sentido estratégico não era coisa de pessoa boa. Como ainda é miúda, sei que fará uso devido do simulacro do choro de forma espontânea e natural, numa circunstância que exija o teatro das emoções para salvar o melhor sentido das coisas. Com 3 anos achei claramente prematuro estimular a performance. Passaram-se 6 anos. E hoje com 9 a Caetana vai iniciar um workshop de teatro.
E eu estava aqui a pensar, que durante a hora e meia que ela vai estar a encenar, talvez seja sensato ir para uma igreja e rezar.:)

Comments

comments