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VIAJAR COM CRIANÇAS #FILHASDAMÃE

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VIAJAR COM CRIANÇAS #FILHASDAMÃE
DESTINO: ÁFRICA

(São recortes do meu diário de viagens, são notas inscritas no meu caderno e imagens, que farão para sempre, parte do meu património de memórias)

Pergunta a Camila em Moçambique, a mesma pergunta que me fez há dois anos, quando tivemos duas semanas em São Tomé e Príncipe:
– Aqui também só há castanhos, mãe?
Explico-lhe as raças, as cores, os credos, as diferenças.
Deixo que os seus olhos pressintam as assimetrias de que é feito o mundo. Não há livros, nem filmes, que batam os créditos de uma viagem. São depósitos para a vida.
Não há nada mais lúcido que ver o mundo à nossa frente.
Correm descalças nas roças de São Tomé com os meninos da sua idade, partilham cocos partidos e gargalhadas de cabeça para trás. Desbravam o mato com catanas à procura de bichos pequeninos e regressam ao quarto cansadas, com pena de não viver na floresta densa.
Vêem os condomínios brancos em Joanesburgo, visitam impressionadas o museu do Apartheid, tapam os ouvidos quando ouvem perplexas os discursos de ódio racial, observam o tamanho reduzido da cela de Mandela, lêem as inscrições, os testemunhos. Depois comem um cachorro à pressa e embarcam num parque de diversões, andam com a cabeça à roda nas montanhas russas, dão festas às crias de leão, comida às girafas, passeiam elefantes pelas trombas. Percorrem extensões de bairros de lata perdidos na imensidão dourada das planícies rendidas ao sol, vêem carros de luxo em semáforos e homens descalços a pedirem trocos para limpar pára-brisas. Perguntam muito, perguntam “porquê?”. Questionam onde é que estão exactamente no mapa.
Quem são as pessoas, porque é que é tão diferente do sítio onde moram. Onde é que acaba o continente, o país e as diferenças?
Onde é que o mundo se faz igual?

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“Quando voltares da África do Sul…”

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Nunca tive feitio para grandes dramas, por isso digo-te a brincar que “Quando voltares da África do Sul, vou ter noventa e cinco anos.” Que me vais ter que ressarcir por cada sulco profundo e por cada gordura acumulada indevidamente.
E isso, só para falar de raspão dos danos visíveis de ser mãe monocasta. Depois, há todas as mazelas que não se vêem a olho nu: Os transtornos do sono e a culpa que morre só.
Sei que estás a fazer pela vida e por isso não gosto de te incomodar com a ladainha dos dias. Às vezes poupo-te, substituindo as coisas menos boas pelas histórias da Saudade.
Na verdade, as coisas menos boas não são necessariamente más, mas são verdadeiramente complicadas.
Sei que se pudesses estavas cá e se calhar, não imaginas, a quantidade de vezes que as punha aí(se pudesse).
Os dias não nascem todos com sol. E às vezes a minha energia não chega para ser painel solar das emoções de toda a família.
E quando as coisas complicam e chovem reclamações, também já vi que não tenho comprimento de braços para ser guarda-chuva. O amor que lhes tenho é um depósito, mas às vezes dou por mim a lamber a reserva.
Se calhar não imaginas as vezes que estanco a derrocada de lágrimas, por cada negativa de um teste, por cada falta de material e por cada telefonema da Professora. Tento que nada lhes falte, mas não consigo suprir com beijos as fendas das saudades que elas têm de ti.
E não consigo escavar no tempo, um abrigo que chegue, para as saudades que tenho da minha vida quando estavas cá. Essas, apago-as num copo de vinho, quando a noite condescende no meu turno de mãe.
Por isso digo-te novamente a brincar “hoje já tenho oitenta e seis”.

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CADA RELAÇÃO ENCERRA A SUA VERDADE

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Não sei se os homens e as mulheres vêm de planetas diferentes. Os que conheci, partilharam todos o calor do útero de uma mulher. Sei que por norma, nós mulheres falamos mais, se calhar demais. Ou falarão eles a menos, e do menos que nós queremos ouvir.
As melhores relações que conheço são participadas dizia uma senhora bem posta no café, mas não sei bem o que é que isto quer dizer. Acredito na democracia de uma relação, o termo faz-me sentido. Sou uma liberal e gosto de me privatizar na intimidade com a pessoa que amo. Mas preciso que me deixem respirar entre as braçadas da vida e os abraços apertados.
Às vezes, como todo o eleitor experimentado gostava de mergulhar numa monarquia de cordel. Mais precisamente, na pele da princesinha enfastiada, que só tem que escolher a cor do recheio do éclair.
Queria um décimo da autoridade que exerço sobre as disciplinas da minha vida.
O sonho de habitar numa corte….e só ser invadida, de quando em quando, pelo calor reconfortante das decisões já tomadas.
E queria tanto, mas tanto, que os eleitos do nosso coração, percebessem que há um Pause para cada Play, que a forma esfuziante com que exibimos os nossos feitos e as descrições adjectivadas das nossas acções infinitas, não eliminam a necessidade do cetim almofadado e da gargalhada do bobo.
É uma sensação tramada, chegar ao alto ermo da montanha e ter inveja do pastor deitado no seu sopé.
Fica a parecer que a senhora liberal e “bem-posta” do café curto, quer voltar à caverna burguesa da princesinha.
Quando tudo o que ela queria era ter um décimo da autoridade exercida sobre as disciplinas da sua vida.
Cada relação encerra a sua verdade.
E os universais são tão perigosos como qualquer frase que comece com “ele era ideal para ti…”.
Talvez a verdade da minha esteja naquele café liberal bebido como um bobo, no sopé daquela montanha à sombra de um castelo, na companhia acetinada de um príncipe com ideias de pastor.
Ou talvez…eu queira apenas um décimo da autoridade que exerço sobre as disciplinas da minha vida.

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Na minha alma #atevelhinhos.

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Pergunta a neta adolescente ao avô:
– Como é que o avô e a avó conseguiram ficar tanto tempo juntos? Responde o avô:
– Porque nós somos de uma geração, que quando as coisas avariavam nós mandávamos arranjar, não deitávamos fora.
O que é que terá mudado assim tanto no tempo, que nos tornou tão intolerantes aos erros dos outros?
O que é que acelerou de tal forma, que não nos deixa pousar com clareza nas coisas já conquistadas.
Porque é que leva tão pouco tempo a arder a paixão por tudo?
O que é que nos tornou tão mais enjoados, estupidamente acessíveis e intrinsecamente egoístas?
Quem nos fez presas fáceis do romantismo de chavão?
Porque é que quisemos ser tão parcos em demonstrações e tão fecundos na exigência ao outro.
Onde é que nos perdemos?
Como é que nos encontramos outra vez?
Dá para pedir para ver o filme do início?
Dá para voltar aquela fracção de segundo, em que uma avaria, não era mais que o despontar da graça preciosa daquele carácter. A pequena utopia que se encontra em quem se ama, e que não se quer nunca mudar, sob pena de estragar tudo.
Dá para reclamar para viver num tempo em que a construção da história é mais soberana que a vivência do momento?
Porque se der. É lá que me quero encontrar.
Sem medo, que uma ponta espigada do meu mau feitio não tenha conserto na tua emoção.
Carregada do meu jeito imperfeito de ser. Desejosa de descobrir nas tuas falhas os recantos da minha paixão.
E gravar a lacre na minha alma #atevelhinhos.

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HOJE FAÇO ANOS.

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E é só uma vez por ano que posso começar um texto assim.
Escolhi esta fotografia para ilustrar o dia, não só porque contem uva e porque amo vinho. Escolhi, porque contem promessa.
E nós somos sempre uma promessa por cumprir.
Não podemos escolher o local onde somos plantados, as pessoas que nos colhem, nem as mãos que nos vindimam pela primeira vez.
Mas podemos escolher a forma como queremos fermentar e o néctar que queremos ser. E isso é tudo.
Poucas pessoas tiveram tanta importância na minha vida, como aquelas que me habitam hoje.
Nunca tive tanta autoridade sobre o meu destino, nem tanto gosto em todas as escolhas que faço. Ainda não sou um Porto vintage mas aos poucos faço-me reserva.
Obrigado a todos os que me ajudaram a maturar, a ganhar corpo, força e persistência. Obrigado a todos aqueles que me sacaram as rolhas mais empedernidas e aos que beberam o depósito de mim.
Hoje já sou menos promessa. E olho para as minhas filhas com o orgulho de quem colhe o seu cacho de uvas na promessa do melhor tinto!
Parabéns Isabel, mereces!

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Faço anos este sábado

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Faço anos este sábado.
O culminar das festividades do lar com um “Urra” à balança grande.
Este ano, prometi a mim mesma não cair no vício do signo.
Não vou fazer balanços sobre o que passou, nem congeminar sobre tudo o que ainda vai ser.
Nem separar interesses por pratos ou medir com precisão o peso de tudo o que carrego comigo.
Deixo esse capítulo, para ser lido em voz alta nas noites de insónia. Este ano quero só curtir tudo o que já conquistei, quero brindar a tudo o que fiz e a todas as pessoas maravilhosas com que me tenho cruzado, com um gole demorado, a todas aquelas que permaneceram.
Quero parar e agradecer à vida a oportunidade, as circunstâncias que soube aproveitar, os revezes que soube ler, as lágrimas que não travei, as gargalhadas que não contive e mudanças que não temi enfrentar.
E depois, vou me deixar levar no embalo do vinho e no vosso colo.
Porque balança que é balança, balança sim, mas não cai.

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Gente simpática

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Gosto mesmo de gente simpática.
Sempre me rendi a soberania do humor sobre qualquer tipo de inteligência. Até porque, considero o sentido do humor uma das manifestações que mais legitimam a presença de um cérebro.
Não, não fotografo apenas crianças. Fotografo pessoas. E as pessoas que melhor ficam na fotografia são as pessoas felizes.
E o melhor é que a fotografia é apenas a reprodução tímida de um instante, e as pessoas felizes marcam os instantes da vida.
Gostei muito de conhecer estas manas felizes de Setúbal, que chegaram à sessão cheias de cócegas de riso e presentes: Dois terços artesanais e um tinto para a #filhadamãe. Sim, porque se a gente simpática é o “bold” de todas as fontes, a garrafa de tinto garante um certo itálico à sessão.
Foi um prazer:)

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O momento

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Acho que é isto que define a vida e a fotografia: O momento.
E este momento define muito para mim.
O dedo tremeu, confesso.
Mas o amor que vos tenho, dá me a força que preciso para não vacilar, quando vejo à minha frente, tudo o que ambicionei para mim e para elas.
Eternamente grata.

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CONTA-ME UMA HISTÓRIA FELIZ.

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“Quanto menos tabu forem estes assuntos, mais nos ajudamos e partilhamos experiências. Acima de tudo acho que durante este tempo, em que tentei, fui operada e tive de fazer tratamentos, nunca deixei de ser feliz, de viajar, e de fazer as coisas que gosto! São tratamentos duros mas a vida são dois dias! Temos de aproveitar!” Teresinha

Pedi à Teresinha que me deixasse partilhar uma fotografia, e mais do que isso, um pouco da sua história feliz.
Porque ela é sem dúvida uma das grávidas mais feliz que já fotografei. E não foi apenas, porque esteve uma dezena de anos a tentar ter um filho, foi sobretudo pela resiliência do seu bom humor, pela forma resolvida com que se entrega a vida. Porque a consome sem filtros, sem peneiras e sem o pensamento rebocado nos outros.
É raro, é bom, é são.
Nem todas as mulheres engravidam ao primeiro lapso da pílula, e as histórias duras, não acontecem só aquela amiga de uma amiga minha. Há muitas mulheres a consolar as dores nas almofadas e há um milhar de histórias para partilha, que não fazem a conveniência dos dias mais felizes, mas precisam de ser contadas, para serem ouvidas.
A Esperança dos dias, faz parte de um tratamento de fundo, aquele que dá espaço vital de cultivo às coisas boas da vida.
E pelo que sei, por quem luta, a exclusividade da história complicada, é um mal escasso, que se troca de bom agrado, pelo colectivos dos finais felizes.
Obrigado Teresinha pela partilha.
Essa miúda que aí vem, já nasce com a sorte grande de ter uma mãe assim.

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