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Um livro para a BFF

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Dizem que os queridos apanham muita porrada.
Não sei bem o que é que isso quer dizer, quando por oposição, o Amor com amor se paga. Ontem a minha filha estava insegura em relação à amizade da sua BFF (Best friend forever). E decidiu fazer-lhe um mini livro com um texto introdutório, desenhos e uma colectânea de frases sobre a amizade. Chamou-me para partilhar comigo o conteúdo, e encheu-me de orgulho que se conseguisse exprimir com tanta sinceridade acerca do que sente.
Mesmo abusando da adjectivação (quem sai aos seus…), não havia numa só palavra, uma fuga de verdade.
Eu não sei se a menina que vai ler o teu livro perceberá a dimensão do que sentes, mas se eu recebesse esse livro dava-te uma porrada de amor.

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CADA RELAÇÃO ENCERRA A SUA VERDADE

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Não sei se os homens e as mulheres vêm de planetas diferentes. Os que conheci, partilharam todos o calor do útero de uma mulher. Sei que por norma, nós mulheres falamos mais, se calhar demais. Ou falarão eles a menos, e do menos que nós queremos ouvir.
As melhores relações que conheço são participadas dizia uma senhora bem posta no café, mas não sei bem o que é que isto quer dizer. Acredito na democracia de uma relação, o termo faz-me sentido. Sou uma liberal e gosto de me privatizar na intimidade com a pessoa que amo. Mas preciso que me deixem respirar entre as braçadas da vida e os abraços apertados.
Às vezes, como todo o eleitor experimentado gostava de mergulhar numa monarquia de cordel. Mais precisamente, na pele da princesinha enfastiada, que só tem que escolher a cor do recheio do éclair.
Queria um décimo da autoridade que exerço sobre as disciplinas da minha vida.
O sonho de habitar numa corte….e só ser invadida, de quando em quando, pelo calor reconfortante das decisões já tomadas.
E queria tanto, mas tanto, que os eleitos do nosso coração, percebessem que há um Pause para cada Play, que a forma esfuziante com que exibimos os nossos feitos e as descrições adjectivadas das nossas acções infinitas, não eliminam a necessidade do cetim almofadado e da gargalhada do bobo.
É uma sensação tramada, chegar ao alto ermo da montanha e ter inveja do pastor deitado no seu sopé.
Fica a parecer que a senhora liberal e “bem-posta” do café curto, quer voltar à caverna burguesa da princesinha.
Quando tudo o que ela queria era ter um décimo da autoridade exercida sobre as disciplinas da sua vida.
Cada relação encerra a sua verdade.
E os universais são tão perigosos como qualquer frase que comece com “ele era ideal para ti…”.
Talvez a verdade da minha esteja naquele café liberal bebido como um bobo, no sopé daquela montanha à sombra de um castelo, na companhia acetinada de um príncipe com ideias de pastor.
Ou talvez…eu queira apenas um décimo da autoridade que exerço sobre as disciplinas da minha vida.

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Muda tudo Maria

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A minha Mariana nasceu ontem.
E tu Maria, sem que saibas, também.
Ainda não te consegui ver, nem falar.
Mandaste uma mensagem por Whatsapp com a fotografia cortada da miúda e desapareceste para dentro de ti própria, para esse casulo tão monopolizador quanto doce que são os primeiros dias de mãe.
E agora, perguntas tu?
E eu tenho quase a certeza que agora que a vês, já tens parte das respostas que querias para ti. Muda tudo Maria.
Perguntaste-me assim que soubeste que estavas grávida, como é que a vida muda? Toda a gente te dizia que era para melhor Maria. Mas tu estavas desconfiada que a conspiração feminina escondia umas tantas verdades. Muda mesmo muito Maria.
Mas não há nada que te possa acrescentar que não vás sentir.
A Mariana é como todos os filhos um Barco pirata. Vem com magia, traz cor e ritmo, histórias e fantasias, na proa o desejo e um convés carregado de tesouros e especiarias. Vai-te apaixonar, elevar e arrebatar. Sem que notes, vai-te levar o tempo, mascar-te as rotinas de amor, sacar-te liquidez a rodos, a troco de mimo, e tu vais deixar, como eu já deixei também e todas nós deixámos.
Quando deres por ti Maria, o tu que eras na singularidade é hoje um plural de vida, e tudo o que conhecias ganha uma forma diferente de ser. O melhor que muda é a força com que tu vais querer mudar tudo. E mesmo nos dias em que o Pirata pequeno parece o monstro Bojador, tu hás de amá-la acima de qualquer estrofe.
E o que sentes agora por esse ser pequenino que te era estranho, será talvez, a única sensação da vida que te vai ser permanente.
E o resto? O resto é resto.
E muda tudo Maria.

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Na Minha Carteira Até à Última Noite do Ano

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Há mais de 10 anos que escrevo os meus desejos num papel, dobro em 6 pedaços e guardo na minha carteira até à última noite do ano (não convém trocar de carteira).
Amanhã por esta hora, já terei escrito os desejos para 2015 e lido os de 2014. Estou com aquele entusiasmo de véspera de Natal. Confesso que não me recordo exactamente de tudo o que pedi. Mas tenho agradável sensação, de ter colhido muito acima do que sonhei. Aproveito que estou no Alentejo, que hoje já andei de enchada na mão, para comprovar que raramente se colhe acima do que se semeia.
Há algumas regras concretas na definição dos desejos:
– Devem ser concretizáveis no prazo de 12 meses
– Devem ser mensuráveis
– Devem ser específicos e objectivos
– Devem depender essencialmente de nós para a sua concretização
– Se soubermos muito bem o que queremos, podemos dar-nos ao luxo de ter dois extras:)
– Não vale pedir genéricos: Amor, Saúde e todo aquele vernáculo zodíaco generalista que nos iliba de tudo, porque não se pode pedir tudo.
Não é assim tão fácil, como parece, pedir.
Enfim, pedir até é fácil, mas na tarefa de definição dos desejos é um pressuposto que se vá ao fundo de nós mesmos, que procuremos aqueles vazios, os nossos buracos do queijo para preencher. Nem tudo o que desejamos muito nos preenche e esse é o primeiro erro, o mais fácil e o mais comum. Até podemos arrastar desejos de ano para ano, mas convém perceber se funcionam como uma cenoura ou se são vontades de outros, mascaradas de desejos nossos.
Nem sempre foi assim. Fui aprimorando a minha lista, como acredito ter feito com o meu carácter, e com a minha vida. Assim, cada ano que passa, sinto uma responsabilidade acrescida no balanço das minhas concretizações. Mesmo antes de desdobrar o papel, posso dizer, sem pedir licença, que sou muito feliz. E que a sorte, que alguns dizem que tenho, também depende deste exercício tão pequeno, nesta data tão sem importância em que se vira o ano.
Porque a verdade, é que nada virá a nós, se não nos virarmos a nós mesmos.

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Ou vai ou racha

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Não fotografo muitos casamentos.

Nem tenho forma possível, de garantir que os que fotografo duram até ao fim. Sei que se pudesse, incluía no Pack dos serviços um voucher para a eternidade.

Gosto de pensar, falar e escrever sobre o Amor, mas é difícil adjectivar uma palavra, que se auto-define de forma tão hermética, que cada um tem a liberdade certa, de o sentir à sua maneira, sem que esta nunca perca o direito de se chamar assim, Amor.

Hoje num almoço com um grande amigo, trocávamos opiniões sobre o divórcio. O divórcio não vive nos antípodas do amor, mas por norma acontece quando alguém deixa de amar, embora a sequência de acções que o desencadeiam, seja muitas vezes, de índole menos nobre, que a pura escassez do sentimento. Quer eu, quer o meu amigo, somos filhos honrosos da triste estatística. Cada um com a sua valsa, cada um com a sua história, cada um dono da sua narrativa, maestro ou orquestrante do seu fim.

Não se perdoa uma vida sem amor, por isso é tão fácil de encetar uma conversa sobre um relacionamento, copulando-a convenientemente à drenagem do sentimento.

Sou uma liberal, serei sempre uma liberal, no sentido mais moralmente lato da definição. A que permite que o ser humano seja senhor do seu destino, da sua liberdade e da pureza das suas opções, mesmo que algumas sejam inconvenientes à conveniente felicidade dos outros.

Não sei qual é o recheio do amor, tenho sempre medo de o partir, mas tenho a certeza que há um inquilino gigante que vive lá dentro, a Verdade. E mesmo quando a verdade dói, ela é sempre merecida, nem que seja apenas, porque é pura e limpa, como o amor que move os homens, que se movem pelas melhores razões.

Hoje ao almoço, liamos numa estatística da Pordata (INE-DGPJ/MJ) que em 1960, 1% em cada 100 casamentos acabava em divórcio, e que em 2013 esta percentagem disparou para 70,4%.

Com alguma ingenuidade poderia acreditar, que isto só aconteceu porque as pessoas são mais verdadeiras, mas a vida já me lavou os olhos.

Também não acredito na voz monocórdica, do arauto da desgraça, que apregoa o síndrome do egoísmo, os vícios da sociedade moderna e as tentações da era digital. Acho que nunca saberei bem porque é que o amor acaba. Mas é sempre uma morte que me entristece.

Porque é que há casais que se enroscam no enlace narrativo da vida, até velhinhos? E outros, que se desenroscam na primeira curva apertada da vida? O que sei, é que cada vez que vejo dois velhos apaixonados, invejo-os. Mesmo ignorando, que se conheceram numa excursão ao Machu Pichu no verão passado.

O amor não é uma opção, é um sentimento. Não se faz download, nem upload de novas versões. Nem se desinstala, só porque se quer. Ele vem quando quer, e parece que parte da mesma maneira.

E se às vezes não parte, acho que é porque a vida deu a esses sortudos, o engenho do melhor nó da vida, o mesmo com que se amarra uma mãe a um filho.

Um dia, também vou ser uma velhinha agarrada ao meu velho. Também eu, farei as delícias da juventude em turismo, na digestão de um almoço angustiante.

E nessa altura, o peso leve do meu corpo envelhecido, não vai sentir o peso profético da estatística.

Serei só eu e tu, na “insustentável leveza do ser”, com um recheio de verdade, e um nó feito para a eternidade.

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