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A Família da Rita

Mesmo para mim que danço e durmo com palavras na cabeça é difícil explicar porque é que adoro estas sessões de família.
Sobretudo as minhas, não as sessões, mas as famílias que me procuram. Dizem que tenho sorte, talvez tenha. Se isso significar uma mão cheia de amigos que conheci enquanto fazia o que gosto. Rita, tens uma família linda, nada que tu já não soubesses. Obrigada por me teres escolhido para vos fotografar.

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3 ANOS | PARABÉNS “DAILY CRISTINA”

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Esta foi uma das fotografias da primeira sessão que fizemos no dia 16 de Abril de 2013.
Não te conhecia, nem tão pouco como a colega do Goucha nas manhãs da TVI. Nem te sabia uma celebridade com tanto fã assíduo. Encontrei-me contigo e com a Inês Mendes da Silva no jardim do Convento de Mafra, tinhas visto o meu trabalho com a Maria Guedes e enviaste-me um email para marcarmos uma sessão. Se soubesse na altura quem eras, talvez tivesse ficado ansiosa, talvez não tivesse dormido e talvez, a nossa amizade não tivesse fluido como flui até hoje. Foi tudo tão fácil nessa sessão, és tão descomplicada, tão prática e tão acessível, que não senti por um segundo, comprometida com o resultado final. Foi nesse dia que também conheci a Inês, e lembro-me, como se fosse hoje, de tudo o que falamos. Desde esse dia, até hoje, que não nos largamos mais. Construímos sonhos, projectos, ideias e trabalhamos com um sorriso transversal a todas essas memórias. E o melhor disso tudo é que parece um exagero do bom que foi, mesmo tendo sido ainda melhor! Ajudaste-me a crescer muito, deste-me visibilidade, mas dêmo-nos acima de tudo isso, uma Amizade rara.
A equipa cresceu, os projectos expandiram-se, as solicitações somaram-se. Mas há uma certeza que permanece: Aconteça o que acontecer, venha quem vier, seremos sempre amigos.
Porque o que une desde o primeiro dia esta equipa é um sentido enorme de pertença, a um lugar onde somos sempre felizes! heart emoticon Parabéns Daily Team.

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“UMA CASA NUM ESCRITÓRIO”

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Já há alguns anos que não trabalho por conta.
Trabalho para contas.
Não tenho que levar com as flutuações de humor do chefe, nem com as oscilações temperamentais dos colegas do lado. Mas passo a vida no banco on-line a conferir transferências. Não tenho que simular sorrisos amarelos para aquele cromo que insiste em projectar-se na tua sombra, fazendo luz das tuas ideias. Nem preciso de ir tirar um café para concluir uma conversa parva num chat do whatsapp, ou fugir para a casa de banho para mandar uma selfie atrevida. Mas também, não sei das últimas pelos últimos, nem tenho grupetas divertidas de corredor. E mais, não tenho que andar engomada porque a minha imagem só reflecte no espelho da minha casa de banho, não preciso de trocos para as maquinas de “vending” e posso enfrascar-me em cafés, contando que tenha cápsulas. Nos dias mais tenebrosos, posso manter o pijama, ouvir música melancólica aos altos berros e fumar um cigarrinho manhoso em frente ao ecrã. Mas há sempre o seu “q” de solidão em tudo isso. Tenho a sorte do meu trabalho implicar pessoas e saídas constantes. Tenho a minha assistente que trabalha escondida no computador à minha frente e a Fátima que passa cá umas horas a ajudar na lide da casa. De resto, só batem à porta por engano ou os correios. Já me passou pela cabeça alugar um escritório, partilhar um cowork, dividir um estúdio. No principio duvidei da minha capacidade em trabalhar em casa. Imaginei me a bezerrar no sofá, refastelada de livros, televisão ligada às 11h e torradinhas no prato ao alcance de um braço deitado. Mas isso era quase impossível, não tenho feitio sequer para permanecer na cama depois de acordada, mesmo quando estou no scroll do Instagram. Acordar é viver. E viver para mim, salvo a excepção dos prazeres confinados à cama, implica uma certa verticalidade. Depois de levar as miúdas à escola, arranco para o ginásio, do ginásio para o escritório e depois é obedecer à agenda dinâmica do dia. Não me levanto a meio da manhã para fazer tostas mistas e quando tiro um café bebo-o bem à frente do monitor. As pausas para o almoço têm o mesmo ritmo das cantinas das multinacionais, com a diferença que posso ir ao meu frigorifico sacar uma mini e desenrascar umas gomas da dispensa para a combustão dos açucares.
Mas acabo por ser muito disciplinada. E muitas vezes, rio-me com a Ângela (a minha assistente) pelo tempo que demoramos entre a vontade comunicada de ir à casa de banho e a hora que nos levantamos efectivamente para aliviar.
É a escola do tempo comprimido que comanda a agenda do dia.
E mesmo solta dos aguilhões dos patrões e dos olhares ambiciosos dos colegas menos colegas, acabo por me impôr um regime de horas de trabalho que ultrapassa na sua maioria as 8 horas obrigatórias por lei. Talvez aí, mais do que nunca se faça sentir a expressão “sentirmo-nos em casa”. Saber bater a porta do escritório torna-se imperativo e dominar a tentação de ir “teclar mais um bocadinho”, uma necessidade soberana. Sem fazer essa aprendizagem, corremos o risco de passar a viver num escritório em casa, em vez de vivermos num casa que tem um escritório.
*http://gerireliderar.com/uma-casa-num-escritorio/

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FALHEI MUITAS VEZES

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Mães trabalhadoras e a carreira profissional? Será mesmo reconhecido o nosso esforço, pela sociedade, família ou amigos, ou na verdade, dizem-se coisas bonitas, mas todos pensam “tiveste-os? Agora, desenrasca-te”. (Um comentário que me deixaram há meses num post e que foi o mote para este texto)

No dia em que decidi ser mãe, não sabia a extensão da minha decisão.
Nunca, enquanto lhe fantasiávamos as feições ou decorávamos o quarto, falámos de forma detalhada do impacto real que o nascimento da nossa filha, teria nos vários quadrantes da nossa vida.
Pensámos sobre isso como faz toda a gente na iminência de uma grande mudança. Mas nunca quis esmiuçar numa folha de Excel os prós e os contras de um filho.
Queria ser mãe, queria tê-la nos meus braços, nos nossos braços e na nossa vida.
Atirei-me para frente, com a confiança, que nunca achei ingénua, de que o amor ajuda sempre a responder às questões que ainda não sabia levantar.
Se calculasse o índice de conforto, a logística e o desgaste financeiro das principais decisões da minha vida estava lixada.
Como já fui mãe duas vezes, posso dizer que já vivi a maternidade em circunstâncias de carreira completamente opostas: Enquanto assalariada, desempregada e enquanto trabalhadora independente.
E foi nesta última condição, que me separei (e não o motivo), a passar recibos verdes, à rasca que o pouco rendimento recolhido, me lembrasse constantemente da inconsciência das minhas escolhas.
O caminho é ainda mais difícil que a escolha. E nada se faz inteiro, só porque se quer segurar na mão as duas metades:
A dedicação a um trabalho que nos realiza e o colo certo a um amor que nos amarra. Falhei muitas vezes em cada uma das metades. E aprendi a ver nas falhas uma forma de amor.
Só assim é possível continuar a tentar, a cair e a erguer. Ainda não somei tudo o que ganhei, na subtracção das certezas que também perdi. Mas há uma coisa que eu sei:
Nunca conseguiria ser a mãe que sonhei, se deixasse de acreditar na mulher que sonhei para mim.

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De férias eu não estou

IMG_0133Lá vou eu….Eu, que acabei de dar uma perninha a Lisboa para meter as mãos na massa do trabalho. Eu, que entrei de férias domingo, depois de ter trabalhado dois fins de semana seguidos. Eu, que tive um mês a carimbar passaporte e ninguém tem grande condescendência, porque eu também não tenho, por toda a gente que carimba muito. Eu, que lambi o chão com as provas do 4º ano da Caetana e a leitura insípida e gaguejante da Camila.
Eu, que me vi Grega (nunca fez tanto sentido a aplicação deste termo) para organizar os ATL`s de Verão, com o pai a milhas e as minhas milhas por fazer. Eu, que ainda mal aterrei do jet lag, do dedo que parti na Tailândia, do passivo, da otite e das saudades de tudo e de mim, e de mim, e de mim.
Recém chegada, ainda coxa de tudo, parti para esse cognome de férias, com as minhas duas filhas e os dois filhos do Pedro.
Em dois dias, já tentei a teletransportação para as Maldivas, tentei a alienação no fundo de um copo de tinto, tentei esconder-me atrás de um tremoço, tentei fingir, enquanto dormia, que os gritos das crianças eram bandos de meninos thaitianos a acelerar passo na beira mar. Mas quando me vi de novo a descamar o peixe, a pendurar o fato de banho encharcado, a escorregar no piso molhado dos pézinhos pequenos….chorei? Não.
Gritei? Quase. Suspirei. É mais romântico e menos agressivo para as crianças.
A malta dá sempre a volta: cozinha todas as vezes que eles comem, dobra todas as vezes que eles mandam para o chão, apanha sempre, classifica mergulhos com a autoridade de um professor de natação, enche copos como um barman em casamento, estende toalhas várias e domina todos os maus feitios. Mas quando me perguntarem onde estou, vou ter a honestidade de quem nutre um profundo amor próprio e às palavras:
-Estou por aqui direi.
De férias eu não estou.

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Sorte: uma merda.

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Dizem que tenho sorte. E eu fui procurar a definição no dicionário, para saber em bom português, exactamente o que tenho.

Dentro das 13 hipóteses que me dá o dicionário da Língua Portuguesa, houve duas que me chamaram a atenção: 9. Lote de Fazendas. 10. Sorteio militar para determinar, de entre os mancebos apurados, aqueles que serão efectivamente incorporados. Todas as outras (destino, fado, ventura, felicidade) são propriedades que não nego, com excepção feita à fortuna (se por fortuna se entender o dourado das moedas, porque se for o ouro dos cabelos das minhas filhas, sou bilionária).

E o que é que eu sei da sorte que tive, o mesmo que me diz o Senhor Zé da leitaria, Trabalho. A mesma sorte que só no dicionário é que chegou ao pódio antes do suor.

Como não gosto do discurso da vítima, filha menor da família disfuncional, como sei que a tristeza de uma história predispõe para a clemência, e da clemência à brandura, perde-se logo a bravura.

Prefiro dizer que a sorte que tive, se é sorte que é, tem tudo a ver com a forma como encaro, e como me faço à vida. Essa “filha da mãe” indomável que nos diz ao ouvido que podemos ser tudo, e depois não parece dar-nos tudo o que precisamos para sermos exactamente o que queríamos. Talvez um dos bons legados que posso deixar às minhas filhas seja a forma fermentada com que fiz dos meus fracassos a sombra dos meus dias felizes. Talvez lhes possa contar como fui teimosa em escorraçar a tristeza, e talvez lhes possa dizer que nunca me apoderei de nenhuma história do passado, que nunca a embrulhei em trauma, e que nunca a servi como aperitivo antes de mim. Que a maior lição que aprendi veio do sorriso, de fugir da água morna dos dias tristes, das pessoas tristes e das histórias tristes. O que me ensinaram as pessoas que passaram pelas histórias mais tristes foi a esperança que lhes valeu, os dias em que foram felizes e a força que tiveram para o resgate desses dias.

O segredo talvez seja fazer do facto mau, o adubo possível do que é bom. Não é o excremento que fortifica a terra?

E a Sorte? Uma merda.

 

 

 

 

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“Quando eu for mãe”

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As minhas filhas têm diferentes opiniões sobre a maternidade. Entenda-se com isto que não me refiro à forma como as educo ou às questões motivacionais ou emocionais, que estiveram por de trás da sua origem, inquestionável, por razões eco-sistémicas de sobrevivência em família:)
Até porque posso assegurar que o Amor próprio cá por casa, supera o próprio Amor.
Quando falamos de maternidade e são mais elas que eu, é sempre sobre os filhos que elas desejam muito que eu tenha, e os filhos que elas um dia vão ter.
Quando se põe a fantasiar sobre os irmãozinhos e as maninhas usam grandes folhas A4, onde escrevem, em forma de tabela, os nomes dos meus futuros filhos. Partindo sempre do pressuposto generoso de que são gémeos.
A Caetana fala muitas vezes “quando eu for mãe” isto, “quando eu for mãe” aquilo. Imagina a casa, a dinâmica, o marido, as faces das crianças, os nomes, e quando está mesmo muito inspirada, fantasia-lhes o carácter e faz simulações in loco do que seriam as suas reacções às birras, pedidos ou questões, que os seus filhos, com inteligência suprema teriam para lhe colocar.
A Camila por outro lado, que reconhece o seu estatuto de criança, filha e mimada, nutre um profundo temor e respeito por esta santíssima trindade, afirma desde sempre, que não quer ser mãe ou ter filhos de qualquer espécie. É peremptória nesta conversa e não admite qualquer excepção, marketing ou diálogo em torno das virtudes de ser mãe.
Quando lhe pergunto Porque é que não quer ser mãe?
(Sem qualquer objecção à decisão, que entendo, faz parte do uso fabuloso de ser uma mulher livre).
Ela responde-me: – Dá muito trabalho.
Andava eu com medo de a traumatizar como mãe, quando ela já o antecipa no exercício de ser filha.
Toma lá sangue do meu sangue, é para aprenderes:)

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Atestada de amor

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O pai das loirinhas está fora por um mês.
Acima da boa diplomacia, uma franca amizade, e como era trabalho, e não uma escapadela furtiva as ilhas Fiji, condescendi (se bem que sou sensível ao argumento das viagens furtivas e não havia propriamente outra mezinha).
O que significa que a custódia partilhada passa a ser total, por 30 dias úteis e inúteis.
Tenho a certeza que o pai das loiras já sabe que vou exercer esse crédito em igual desproporção:) Ainda não sei se vou permutar por 2 meses na Índia* ou por idas semanais ao SPA.
Até lhe disse, ao jeito de brincadeira, que ele não me podia fazer isso, porque eu corria o risco de me afeiçoar.
Afeiçoada eu já estou. A elas e aquela pausa negociada que nasceu do fruto da nossa separação. Devia respirar compassadamente, mas estamos a meio da “experiência” e eu já arfo.
A respiração ordeira dos primeiros dias, os gestos delico-doces, o gosto das primeiras fichas de férias e o leito partilhado a três é intervalado com doses intermitentes de impaciência.
É certo que vocês sabem que eu vos amo incondicionalmente, daí a corrupção ao desvario deste meu lar. Quando entro em casa ergo logo as mãos ao jeito de rendição e quando vos beijo antes de dormir, adormeço os meus desejos no prolongamento do vosso sono. Tenho tentado ser ambos, safa-se, mas não safa tão bem.
Dar-me-ia uma certa soberania sobre a tarefas se vocês não andassem sempre atrás de mim como os filhos de uma pata.
Deve ser reflexo óbvio da falta do Pai Pato.
Quando falamos com o “daddy” por Skype tenho vontade de as empurrar para dentro do monitor. E tenho a certeza que o olhar enternecido do progenitor, se faria real, se as pudesse receber do outro lado.
Isso consola-me e segura-me.
Ainda não lhes perguntei esta semana se sou boa mãe.
Não vou arriscar a demência da culpa de tentar ser tudo.
É o amor. Ninguém disse que era incólume.
Esta é a vossa mãe. Meio avariada, meio desvairada mas atestada de amor.
E sim pai, elas sentem muito a tua falta.
E creio que a mãe Pata também.
P.S:* India, já decidi:)

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