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MULHERES

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Quando eu era criança acreditava em fadas.
Suponho que uma das coisas mais chatas do processo de crescimento é a falência de alguns sonhos sobre a realidade.
Mas o processo de maturação não tem porque ser subtrativo, pode e deve ser aditivo.
E a somar à fada que se perde, descobre-se a Mulher que somos.
E sinceramente, gosto mais da multiplicidade e da eficiência da mulher que descobri, do que da fada que me encantava.

‪#‎norescaldododiadamãe‬

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Não sei bem quem é que consegue

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Não sei bem quem é que consegue. E ainda menos quem tenta. Mas não posso ficar senão feliz por quem consegue perceber na unidade do tempo a maior riqueza do homem. Nunca fui rica no sentido monetário do termo, tudo o que hoje tenho foi minha conquista. Quando quis casar comprei com o meu dinheiro o meu vestido de noiva a prestações. E trabalhei muito enquanto estudava para comprar, também a prestações, a minha carta, o meu primeiro carro, a minha primeira renda e os meus primeiros vícios. Não gosto do discurso gabarolas da infância sofrida, mas é bom recordar o que conseguimos, quando achávamos que não tínhamos nada, para poder saborear à séria tudo o que já temos. A verdade é que não me falta nada. E isso é tão bom de pronunciar, que o melhor mesmo é dar-lhe a volta sem medo e dizer de coração cheio que tenho tudo. Temos muito medo de afirmar plenitudes de felicidade, não vá a vida esnobar sobre os sonhos futuros. Mas o que eu mais aprendi nas pequenas conquistas da vida é a não ter medo de exaltar a felicidade dos dias. E assumi-lo sem escrúpulos como um agradecimento enorme à vida. Podia dizer que vivo para pouco. O meu pouco que é tudo: As minhas filhas, as minhas viagens, as minhas palavras, os meus vinhos e petiscos, o meu Pedro, o pai das minhas filhas, as minhas irmãs, os meus amigos maduros, as minhas amigas loucas, os meus livros e o meu tempo. Tenho o coração cheio, uma vida cheia e uma cabeça cheia de sonhos que combinam tudo isto. E o mais que tenho, para além do amor que é terreno fértil, é Tempo.
O tempo que resgatei à vida para poder viver com à máxima intensidade cada uma destas paixões. Sim, acho mesmo que a perseguição dos sonhos me tornou uma mulher rica. E a consciência disso, uma mulher sã. Podia dizer que tive sorte mas seria uma batota enorme sobre o esforço. A sorte que tive foi a sobriedade prematura de perceber no Tempo a unidade máxima de realização. E pressenti-lo a tempo, do tempo, que precisava para mim.

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Oficialmente de fim de semana

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Entramos oficialmente de fim de semana.
Amanhã de manhã ainda fotografo, depois, aeroporto para buscar o pai e aula de cross-fit à tarde com a mana, só para ver como é dar no duro com os duros.
No domingo arranco a seguir ao almoço para as Casas do Côro, lá para os lados da Marialva, para escrever (com o Côro dorido, vem bem a calhar).
Vou sozinha.
O moreno fica bem e a saudade é fermento na relação.
Vou só eu, o meu portátil, os meus livros e o meu cabelo novo…ainda não partilhei aqui mas virei morena à séria:)
Preciso de estar uns dias sozinha com as minhas palavras, a namorar o rascunho do meu livro e a sentir o tempo a vazar devagarinho. São 4 dias, sem limite de caracteres, mas cheia de vontade de me prostar junto de uma lareira de boca grande, a ver os dedos frenéticos a desenharem palavras.
Vou comer bem e dormir como um recém nascido de filme. Quando me apetecer. Sempre que me apetecer.
E se me apetecer mesmo, não faço nada, que é prática que não assino mas pressinto que me fazia bem.
E agora, agora mesmo, vou dar corda aos sapatos e preparar o jantarzinho das loiras, que estão com o estômago tão colado ao coração com a chegada do pai, que ficam cheias à primeira garfada! E bem a propósito de tudo, vou abrir um tinto, para comemorar a aproximação da vida aos sonhos.
Sempre super agradecida!

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Terra do Sempre

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Esta era a vida que escolhia para mim.
Já mudei muita coisa, muitas vezes, muito para além dos ciclos de mudança que fazem regra nos seres humanos mais agitados.
Já mudei dezenas de vezes de casa, de empregos e de pessoas (entenda-se aquelas que temos mesmo que mudar :).
Cada mudança ensinou-me uma coisa diferente, mas todas elas tiveram uma lição em comum: Que é realmente possível ajustar a vida aos nossos sonhos. Mesmo que às vezes, as mudanças processadas não sejam exactamente a cópia dos sonhos formulados.
Mudança não tem que ver com inquietude negativa. Se a traduz, fá-lo apenas no sentido mais puro, de quem sabe que os diferentes cenários nos transformam em diferentes personagens e que não há nada mais aborrecido que permanecer igual.
Sou uma fã assumida de mudanças. Tão fã que às vezes me vejo a refrear o ímpeto, não se vá dar o caso de mudar até o que está certo. E ainda assim, mesmo o certo deve ser capaz de se ajustar à mudança.
Eu sei que dá muito trabalho, até mental, mudar de vida. É tão titânico o esforço que custa até pensar.
Mas quando damos por nós a suspirar pelos sonhos encaixotados há anos, é porque está na altura de mudar a casa, mudar de casa ou sair.
A Bárbara e o Pedro deixaram Lisboa para trás e mudaram-se para a Terra do Sempre. Talvez até não seja para sempre. Mas esteve sempre no sonho de ambos e isso bastou para que fizessem acontecer.
Um terreno implantado num vale rodeado de sobreiros e oliveiras, uma casa central desenhada pelos dois, o recheio que traduz histórias contadas em objectos, dois bungallows de madeira, uma piscina ladeada de oliveiras e uma mão cheia de cantinhos que fazem querer ficar.
Chegámos sexta à noite esfomeados, comemos na mesa maciça de madeira na cozinha (antiga mesa de trabalho do avô do Pedro).
Aí, conheci uma a uma, as famílias que foram entrando pelo calor da porta. As crianças saciaram a fome, aninharam-se entre novos amigos e nós tranquilizamo-nos na conversa boa, nos sonhos acontecidos e nas garrafas de tinto, até ao sono nos puxar para o quarto, as crianças para a mezzanine e adormecemos numa cama feita de nuvens, no bafo morno da salamandra e no abraço apertado do Romeu e Julieta (tema do quarto). Na manhã seguinte fomos todos passear até à quinta da Dona Gertrudes, um paraíso para as crianças, onde não faltam ovelhinhas de presépio, porcos pretos à barda e patos para alimentar. Foi nesse cenário de euforia que fotografei as famílias, uns clicks soltos no meio da conversa solta, enquanto as crianças gargalhavam e o som dos animais em histeria se perdia para lá do monte. Nessa noite, e apesar do conforto aliciante dos sofás e da lareira, reencontramo-nos de novo à volta da antiga bancada de trabalho do avô, no morno da cozinha e por lá ficamos a trincar conversa com pão quente e manteiga derretida até às 2 da manhã. Foi tudo tão simples, tão pouco ensaiado, tão informal, tão saboroso, que me senti na terra do sempre, como se tivesse sido sempre dali.
Saí de lá muito feliz pela Bárbara, pelo Pedro, pelo Bernardo, pela Mané e pela Alice do pais das Maravilhas. Feliz, por terem desembrulhado os sonhos em conjunto e por terem a simplicidade mais nobre de os partilharem com quem lá vai. Confesso que vim o caminho a repensar a minha morada. Mas também sei, que se ainda não esbarrei de novo com o “Coelho Branco” é porque uma das dimensões mais importantes dos sonhos é saber viver a procura.
Até sempre! (Nunca vos vou dizer até já:)

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TERRA DO SEMPRE
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#NÃO AO MEDO

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#NÃO AO MEDO

Devia escolher esta imagem para ilustrar um momento mais feliz, mas não dá para sobrevoar o que está a acontecer…e continuar planando sobre o ar quente dos dias, só porque o bafo que nos sustenta teve a sorte aleatória da melhor hora, do local certo e da circunstância boa.
E não dá para querer cortar as asas de quem sonha voar para longe de um chão que não o deixa crescer, poisar sequer, ou semear.
E menos ainda, desconfiar de quem quer ser livre, só por quem nunca sentiu antes, a asfixia da liberdade.
Nestes dias, em que ficamos com poucas certezas, encontro na forma como as educo, a minha pista de descolagem.
A consciência da sua dimensão na dimensão do mundo. A importância das suas acções na condução do seu destino. A crença na humanidade. O amor aos outros. A luta pela liberdade. A defesa da igualdade. E o amor à terra. E se der para ir mais longe no meu vôo de mãe, quero muito, que os seus sonhos tenham a força de duas asas e que nunca tenham receio de se elevarem por aquilo em que acreditam.
Porque o céu não tem arame farpado, o sol não é uma estrela privada e o medo não ganha à força da Liberdade.

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Os sonhos são meus

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Nunca quis ou desejei, ter uma filha que se parecesse com aquilo que sou, ainda menos, com aquilo que ainda não sou.
Ou dito de outra forma, com aquilo que sonhei de mim para mim.
Nunca projectei ao redondo da minha barriga a execução plena dos projectos que vou deixando em stand by.
Os sonhos são meus.
Cabe-me a mim a divisão árdua do tempo e o risco de decidir como me quero fazer pessoa. Não me passa pela cabeça deixar sobras dos meus talentos na esperança de as colher maduras num filho. Nem me lembro de alguma vez ter olhado para as minhas filhas à procura das parecenças nas coisas boas que admiro em mim. Quando elas despontam, despontam. Como a graça de um raio de sol num dia carregado de nuvens. Ou os pingos de chuva numa tarde tropical. Ou uma máquina fotográfica a tremer na mão pequena. Ou um poema ritmado escrito com erros repetidos.
E outras graças hão de despontar nelas, que nunca nasceram em mim.
Não ignoro a influência que tenho, sobre o mundo que sonham e a forma como se moldam a partir de mim. Sou fotógrafa e gestora e escritora e conspiradora, mas o que eu gostava mesmo é que elas conseguissem ver a vida sem filtros, que amassem as pessoas inteiras, com todas as suas linhas, desalinhas e imperfeições. Gostava que amassem o belo, sendo a verdade das coisas a beleza na sua essência mais sólida. Gostava que conspirassem muito, para alargar a visão dos factos, para além dos factos em sí. Gostava muito que soubessem construir com as palavras certas, as metáforas que mais se ajustam às suas vidas. E gostava muito, que um dia, quando tivessem filhos, se assim o desejarem, se lembrem que ninguém faz de alguém, alguém, sem se fazer a si primeiro.
E o Mundo precisa disso, de pessoas inteiras. Para os sonhos não virem às parcelas, só porque nos fizemos pequeninos para sonhos maiores.
Mas isto é só um sonho.
E os sonhos são meus.

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“P” DE PARA TI

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Acho que já esgotamos todos os ícones do chat, os corações, os entrelaçados, os casais, as línguas de fora com beijos, as flores. Fomos ao Viber e esgotamos os “I miss youi” os “i love you”, o rapazinho que chora e a menina que pede wifi.

Já fizemos todas as promessas que a distância ajuda a querer cumprir. Mandamos as fotos pirosas e as caras tristes, falámos ao compasso gago das falhas de wifi e à pressa quando havia rede. As seis horas de diferença horária fazem-me despertar-te do sono, e quando podes falar com calma já estou a dormir.
Mando-te fotos do paraíso e recebo as tuas fotos do escritório. Tudo com uma injusta calma de quem sabe que o segredo está na partilha.
Às vezes repito-me nos sonhos que tenho para nós.
E tu repetes-te comigo.
Já vendi a Saudade como adubo em poemas, mas a verdade, é que custa para caraças estar longe de ti. ‪#‎atevelhinhos‬

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Não vivo sem…

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Não vivo sem tempo.
O tempo que vive acima dos ponteiros do relógio, aquela medida unitária que faz parelha com o destino que me compete cumprir.
O tempo dos meus sonhos, das palavras encavalitadas no bico da minha caneta, das imagens que projecto na lente para as minhas memórias futuras.
Não vivo sem sentir o vento a empurrar-me contra os obstáculos de que me faço vida.
Não vivo sem amor desprendido, sem abraços apertados, sem poder dizer aos que gosto o quanto me fazem falta e sem sentir a falta que me fazem os que gosto.
Não vivo sem o desembaraço primário de achar que a vida é uma aventura mascarada de rotina.
Não vivo sem Liberdade, a mesma que dá prazer ao pé descalço, a mesma com que vejo de mãos dadas o tempo fluir, a mesma que me acorda em sobressalto para me lembrar que posso ser tudo.
A liberdade que me engasga os deveres e me acorda os sentidos para todos os momentos de prazer.
Não vivo sem o presente, aquele que é o agora sem a culpa do que poderia ter sido, e sem os complexos de tudo o que já foi.
Não vivo sem canetas, blocos, máquinas, bonés e as bugigangas que se estendem sobre os meus membros com a aspiração de serem tentáculos de mim.
Não vivo sem o colo do copo de vinho onde naufrago a minha poesia, nas noites em que sonho ser escritor. Nem sem os livros que me amarram a 1000 vidas que não conheci.
Não vivo sem música, sem a pauta curvilínea dos acórdãos que fazem banda sonora onde me encontro, onde vou, onde sonho e onde me faço pessoa.
E não vivo sem viagens, aquelas que vão ao fundo de nós, dos outros e do mundo.
Não vivo sem pessoas, os cofres máximos de inspiração, transpiração, fontes com a mácula máxima da vida, cortesãos da minhas letras.
E não vivo sem gargalhadas porque são o compasso mais saudável de existir.

*Enquanto embaixadora da RVCA e a convite da Ericeira Surf & Skate lançarem-me o desafio de escrever sobre o tema “Não vivo sem” ‪#‎naovivosem‬ e traduzi-lo numa fotografia. Falta o presunto:)

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Dias Felizes

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Já foste difícil, tão difícil, que cheguei a dizer ao teu pai, em jeito de brincadeira, que nos concentrássemos apenas na Camila.
Quando estavas confinada à minha barriga, não me fiz rogada, e fartei-me de pedir ao criador que te inundasse de características boas, que te banhasse de qualidades ímpares, que me facilitasse a vida com um ADN propenso à auto-suficiência e muito amor próprio. Tentar não custa. E quando nasceste, quase como castigo, achei-te feia, muito peluda, magra e demasiado chorona.
Amei-te logo, porque se ama sem fronteiras o que é nosso. E ri-me, ri-me de ter sido tão tonta a desenhar-te as feições, a moldar-te o carácter, como se eu fosse alguma oleira de jeito.
O tempo foi passando, foi voando, foi correndo, e tu foste-te fazendo dentro do meu aquário. Com um ano, já eras uma boneca, com uma destreza física tão grande, que se te reclamassem para o circo, cederia como uma dádiva à humanidade. Falaste cedo, andaste cedo e seduzias qualquer criatura que se abeirasse, com uma gramática e um raciocínio tão adulto, que às vezes dava vontade de te desmontar só para te ver por dentro.
Entraste aos trambolhões na 1º classe, rebolaste sobre a separação dos teus pais, e com a mesma destreza com que fazias o pino, ergueste-te sobre tudo o que te doía, com uma força tão grande, que hoje, já acho que és mais alta que eu.
Nunca mais pedi nada ao criador, que não fosse a possibilidade de te amar de perto.
E ontem, quando me mostraste o teu primeiro conto com 6 páginas e 800 caracteres, quando me abraçaste enquanto lia, por entre erros e palavras adultas, e me disseste ao ouvido:
– Quando for grande, quero ser escritora mãe. É isso mesmo que quero ser, escritora.
Fiquei tão orgulhosa de nós e tão grata a vida, que vou inscrever a data no meu calendário dos dias felizes.
E se amanhã, mudares aquário, de sonhos e de ideias, porque a vida é um palco. Acho que sabes, que vou amar os teus desvios e as tuas rectas. E que prometo, manter a capacidade de te LER entre os erros e as palavras adultas.

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