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O “suposto” espírito Natalício

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Não sou só eu. Todos os pais têm o dever de explicar aos filhos que o suposto espírito de Natal não vem num embrulho. O “suposto” espírito é suposto viver dentro de nós há muito tempo. Não vou discutir o aproveitamento comercial da quadra, porque desde que me lembro que é assim. E há apenas duas alturas do ano em que é inequivocamente assim: No dia de anos e no Natal. Quando era pequenina também eu vibrava com o aglomerado de presentes que se ia avolumando à volta do pinheiro nas vésperas de Natal. Lembro-me como se fosse hoje, do cuidado meticuloso com que aprendi a manusear a fita-cola só para confirmar que o que havia pedido, ser-me-ia dado.
A verdade é que éramos cinco irmãos, por isso não esperava mais do que aquilo que há 11 meses pedira para receber, nem mais, nem menos. E não sofria por causa disso.
Hoje pede-se tudo, de tudo. Cada anúncio é um apontar de dedos, Um “é isto” e um “eu quero”.
As crianças estão tão mal habituadas, que são capazes de não fazer cerimónia com a desilusão senão receberem o que pedem. Um embrulho é pouco e se for pequeno é um drama. Tento contornar os exageros da época mas é uma luta titânica contra uma indústria imensa.
Tenho pena, mas não é aquela pena velha que os idosos têm quando lamentam com saudade a generosa época da sua infância. Tenho pena por elas, pelas crianças, que devoram o Natal com a mesma sofreguidão com que o tempo nos devora a nós. Acho que sem querer tornamos esta quadra contrária ao apregoado. O Natal não é o apogeu da solidariedade, da generosidade e da entrega ao outro. E não é no natal que estes valores devem ser exaltados, sob pena das crianças acreditarem que esse pacote moral também vem num embrulho.
Do Natal aproveito mesmo a presença da família, a refeição demorada e o olhar arregalado das crianças sobre os embrulhos. Mas o meu TPC de mãe vai muito para além do feitiço da quadra. E é meu dever dar-lhes o maior pacote do mundo: Os valores certos, para não viverem a vida como se tudo lhes fosse devido e de preferência embrulhado.

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