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É com Amor que se vence o medo.

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Os dias regressam, as horas impõe-se, as rotinas exigem.
Mas há neste amanhecer dos dias seguintes uma culpa irresponsável, por continuar a viver, como se nada fosse diferente, sabendo que nunca mais será igual.
Não dormi bem à noite. Levantei-me.
Fui beijar-lhes as caras. Agarrei a mão do Pedro com força.
Ouvia tudo com muita nitidez.
Nunca a minha respiração me pareceu tão forte, como se me quisesse alertar da forma mais crua para a benção da vida.
Obrigado por me teres segurado a noite com um “Amo-te”.
É com Amor que se vence o medo.

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Uma semana com o Pai, uma semana com a mãe.

11111160_1158834114142224_1778280671482826367_oHá três anos que vivia feliz da vida, na lógica da semana sim, semana não. Uma semana com o Pai, uma semana com a mãe. Quando o Pai das loiras vai viver para África do Sul, a minha vida muda radicalmente, e passo subitamente, da custódia partilhada para a total. Confortável na gestão espaçada do meu tempo, com uma quinzena mensal para a desresponsabilização sobre as rotinas, as compras, as aulas, os Tpc´s, as dores, as queixas, as festas e todos os afins sem fins que fazem parte do pacote da maternidade, “flipei”. Era o fim da minha bolha de oxigénio, uma contracção forçada sobre o meu tempo, um golpe à minha liberdade.

E a quente, sem qualquer mácula sobre o amor que lhes tenho, pareceu-me um dos maiores entalanços que a vida me ofereceu.
Resisti mas não havia nada a fazer.
Dizia a brincar ao pai: – Não me faças isso que corro o risco de me afeiçoar:)
Hoje quando as vejo agarradas como lapas ao pescoço do pai, quando o vejo inquieto tentando sorver-lhes a presença, o afecto, as histórias. Fixando-as com carinho para memorizar os traços, os sons, as vozes e o feitio. Penso que não saberia estar do lado de lá da saudade, longe das minhas duas fontes de vida. E ainda que haja dias, que tudo o que deseje é o regresso terno ao passado partilhado, sei que sou uma filha da mãe com uma sorte do caraças.

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Muda tudo Maria

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A minha Mariana nasceu ontem.
E tu Maria, sem que saibas, também.
Ainda não te consegui ver, nem falar.
Mandaste uma mensagem por Whatsapp com a fotografia cortada da miúda e desapareceste para dentro de ti própria, para esse casulo tão monopolizador quanto doce que são os primeiros dias de mãe.
E agora, perguntas tu?
E eu tenho quase a certeza que agora que a vês, já tens parte das respostas que querias para ti. Muda tudo Maria.
Perguntaste-me assim que soubeste que estavas grávida, como é que a vida muda? Toda a gente te dizia que era para melhor Maria. Mas tu estavas desconfiada que a conspiração feminina escondia umas tantas verdades. Muda mesmo muito Maria.
Mas não há nada que te possa acrescentar que não vás sentir.
A Mariana é como todos os filhos um Barco pirata. Vem com magia, traz cor e ritmo, histórias e fantasias, na proa o desejo e um convés carregado de tesouros e especiarias. Vai-te apaixonar, elevar e arrebatar. Sem que notes, vai-te levar o tempo, mascar-te as rotinas de amor, sacar-te liquidez a rodos, a troco de mimo, e tu vais deixar, como eu já deixei também e todas nós deixámos.
Quando deres por ti Maria, o tu que eras na singularidade é hoje um plural de vida, e tudo o que conhecias ganha uma forma diferente de ser. O melhor que muda é a força com que tu vais querer mudar tudo. E mesmo nos dias em que o Pirata pequeno parece o monstro Bojador, tu hás de amá-la acima de qualquer estrofe.
E o que sentes agora por esse ser pequenino que te era estranho, será talvez, a única sensação da vida que te vai ser permanente.
E o resto? O resto é resto.
E muda tudo Maria.

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