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Na minha alma #atevelhinhos.

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Pergunta a neta adolescente ao avô:
– Como é que o avô e a avó conseguiram ficar tanto tempo juntos? Responde o avô:
– Porque nós somos de uma geração, que quando as coisas avariavam nós mandávamos arranjar, não deitávamos fora.
O que é que terá mudado assim tanto no tempo, que nos tornou tão intolerantes aos erros dos outros?
O que é que acelerou de tal forma, que não nos deixa pousar com clareza nas coisas já conquistadas.
Porque é que leva tão pouco tempo a arder a paixão por tudo?
O que é que nos tornou tão mais enjoados, estupidamente acessíveis e intrinsecamente egoístas?
Quem nos fez presas fáceis do romantismo de chavão?
Porque é que quisemos ser tão parcos em demonstrações e tão fecundos na exigência ao outro.
Onde é que nos perdemos?
Como é que nos encontramos outra vez?
Dá para pedir para ver o filme do início?
Dá para voltar aquela fracção de segundo, em que uma avaria, não era mais que o despontar da graça preciosa daquele carácter. A pequena utopia que se encontra em quem se ama, e que não se quer nunca mudar, sob pena de estragar tudo.
Dá para reclamar para viver num tempo em que a construção da história é mais soberana que a vivência do momento?
Porque se der. É lá que me quero encontrar.
Sem medo, que uma ponta espigada do meu mau feitio não tenha conserto na tua emoção.
Carregada do meu jeito imperfeito de ser. Desejosa de descobrir nas tuas falhas os recantos da minha paixão.
E gravar a lacre na minha alma #atevelhinhos.

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Palavras

Anos Eugénio + Pascoa

Sempre gostei das palavras ditas ao ouvido.
Mesmo quando na sala vazia éramos só nós.
Não guardo rancor do silêncio é nele que cultivo as minhas palavras. E se às vezes me calo e me demoro é só porque me reservo ao cuidado das palavras mais certas.
E quando falho?
Vou vasculhar no silêncio de mim, o sinónimo mais ajustado a tudo o que ainda tenho para dizer.
Dizem que sou a miúda das metáforas.
Sou mesmo. Mas não pelo conforto do duplo sentido.
Só mesmo pelo romance que existe na pintura de cada uma das palavras.

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