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#Atévelhinhos

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Já me chamaram noiva intermitente.
E já nos rimos disso juntos.
Estamos noivos.
E ainda que deixe o anel repousar na mesa de cabeceira, tenho o coração em ti. A minha jóia boa é o que sentimos um pelo outro. É essa que quero polir todos os dias, é essa certeza que não quero atirar para as intermitências da vida.
O amor é jogo duro, também. Nem todos os dias são fáceis, nem todos os dias são ágeis. Vives com uma miúda hiperativa ao teu lado, que tem duas loirinhas turbinadas agarradas às leggins rotas da mãe. Quando chegas a casa, tenho a certeza que ao contrario de poisar, tu levitas no furacão de nós. É sempre tão divertido, quanto cansativo, tão diferente, quanto exigente. Visto de fora parece um sonho, visto de dentro consegue ter contornos de pesadelo alucinado. Tens sabido manobrar connosco esta aventura, a noiva intermitente, as loiras com déficit de atenção, as minhas insónias, os meus projectos, as minhas conversas sem fim e nós. Nunca prometi que ia ser fácil. Nunca me pediste que fosse diferente.
Estamos noivos. E um dia vamos casar.
E até lá, vamos continuar a rir de tudo juntos. Na nossa varanda virada a poente, com o nosso tinto e o nosso olhar demorado.
E a única dívida que teremos com a intermitência é a permanência de nós.
‪#‎atévelhinhos‬

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“Bem mais grande”

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Não te via há uma semana.
Já tens 10 anos.
Não é nada. Eu sei.
Mas não sei se sei tudo o que isso quer dizer.
Pareces-me sempre enorme, “mais grande” como já nem dizes.
Já falas com tanta certeza das coisas.
E já me gozas com piadas próprias.
Rimos juntas de coisas do saber e do que ninguém sabe.
Às vezes queria ser a tua amiguinha dos recados de papel.
Tenho muitas saudades do monopólio do destinatário.
Já tens 10 anos.
Não é nada. Eu sei.
Tens umas pernas compridas e umas ideias que as ultrapassam. Os teus cabelos já se mexem com coreografia e tu já te vestes como se fosses directa para o Instagram.
Escolhes os teus livros, as tuas roupas, as tuas amigas e as tuas ideias. Mas sei que se te dessem a escolher a progenitora me escolhias a mim.
E não tenho qualquer dúvida, que era a ti que te escolhia mesmo quando me sinto a competir com o mesmo mundo grande que te dei a descobrir.
Já tens 10 anos.
Não é nada eu sei.
E o meu amor por ti é sempre “mais grande” como já nem dizes.
Digo eu por ti que já sou “bem mais grande” que 10.

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Esta semana não pus os pés no ginásio

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Esta semana não pus os pés no ginásio e por ironia, acabo a semana a fotografar o Bruno Salgueiro numa box de cross Fit. Para quem não o conhece, este é o homem que faz humor com o Fitness. Com uns vídeos curtos, divertidos e teatrais. Se tivesse budget era o meu PT. Pelo menos, tenho a certeza que trabalhava a parede abdominal a rir.
http://www.runforrestrun.pt/films/20/dicas-do-salgueiro-desculpas
Não sou maníaca do desporto, nunca serei a rainha das maratonas, nem a madrugadora das aulas de cycling.
Gosto de ir ao ginásio porque para dar no “cravo” é preciso compensar na “ferradura”. Sou uma miúda de alheiras, de copos de tinto, de linguiças assadas na varanda e do cozido à quarta feira. Os meus pequenos -almoços são torradas de carcaça com doce de abóbora e só paro de comer, quando deixo de ter fome. Nunca tomei suplementos e o que levo dentro da garrafa para o ginásio é água, mesmo.
Tenho a sorte genética de ser magra, mas isso não significa que esteja amnistiada da prática de exercício. Adoro andar até sentir a falência dos joelhos e já percorri cidades inteiras a pé com mochilas de 20 kg às costas. Tenho gomas em quase todas as gavetas e quando como Carbonara cozo uns bróculos, só para as natas não morrerem sozinhas. O maior detox que já fiz foi beber água ao jantar.
Não sei….não estou, completamente, no mau caminho. Estou no meu caminho. Gosto desta elasticidade do ser e ninguém me demove de considerar que um dos maiores encantos deste Mundo é a diversidade. A mesma, que permite que as minhas maratonas incluam todo o tipo de ressacas. Hoje não fui ao ginásio, não tratei do jantar, já não tenho gomas e estou constipada que se farta. Vou coabitar o sofá com as minhas loiras e uma manta XL, aquecer uma sopa para mim, uns cereais para elas e umas pipocas de sobremesa. Vamos alugar um filme, que já vimos cem vezes e vamos aninhar-nos, que é coisa que devíamos praticar sem moderação, sem qualquer complexo calórico, até nos embebedarmos de amor mútuo.
Bom fim de semana!

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CARTÃO DE CIDADÃO – EPISÓDIO 2

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CARTÃO DE CIDADÃO
EPISÓDIO 2: Quero um cartão de cidadã como deve ser!

Hoje fui à loja do cidadão levantar os cartões de cidadão das minhas filhas.
Quando me acomodava na cadeira, sai-me literalmente, uma mulher por detrás do biombo e diz: – Você é a mãe da Caetana?
Percebi nesse momento que tenho que passar a andar com uma bandeirinha branca para enfrentar a tua adolescência.
Disse que sim, não havia hipótese de mentir, elas tinham nas mãos a minha documentação oficial, não dava para passar por Tia Irene.
A senhora ri-se e diz:
– Nunca nesta vida vamos esquecer a sua filha! Eu, as minhas colegas e toda a gente que teve com ela naquela fila, enquanto demorava 1 hora e meia a escolher a foto para o cartão.
Fiquei na dúvida se me devia desculpar, amenizar a imagem extravagante da loira, que insiste em não querer ver impressa num cartão oficial, uma imagem que não a traduz devidamente.
Pedi desculpa. Acrescentei: – Sabe, que sou fotógrafa, ela está habituada ao processo de selecção e edição das imagens.
A senhora continua: – O pai que vinha com ela, estava tão desesperado, que às tantas pisquei-lhe o olho, como quem diz, tenha paciência que isto já se resolve. A Caetana topou-me e diz-me com as mãos cruzadas sobre o peito: – Porque é que está a piscar o olho ao meu pai?
Ri-se, rio-me, rimo-nos e acrescenta: – Mas ela é mesmo muito bonita! Às tantas vira-se para o pai e diz: – Com tanta hora para vir tirar o cartão, porque é que viemos logo de madrugada quando estou cheia de olheiras? Ri-me, riu-se e rimo-nos de novo, encolhi os ombros, peguei no cartão e olhei a fotografia.
Responde a Senhora por detrás do biombo: – Essa nem está má! Mas havia lá melhores…
Imagino que sim. Mas melhor do que isto não há.
As minhas desculpas a todos os que sofreram com o atraso provocado pela minha loira e o meu sincero agradecimento à senhora do biombo, que diz que faz questão, que seja ela, daqui a 5 anos, a tratar-lhe da renovação.
Boa sorte!

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