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O amor é fermento mas…

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Sempre ouvi dizer que um dos alicerces das melhores relações é a Admiração mútua. E é das coisas mais bonitas de se sentir, de se ver e de se ouvir. Às vezes esquecemo-nos de o fazer na esperança que a vida compense nas suas várias valências.
Mas um elogio de quem é próximo é como comida caseira.
Vá lá, diga-lhe o quanto está gira hoje. Elogie-lhe as capacidades de fazer acontecer. Tire-lhe uma fotografia espontânea e diga-lhe nos olhos o “gato” que ele é.
O amor é fermento, mas só vai dar pão se for bem amassado.
Parabéns Nuno Neves e Inês Franco, está na cara, o quanto vocês se admiram e na barriga o quanto vocês se amam:)

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CADA RELAÇÃO ENCERRA A SUA VERDADE

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Não sei se os homens e as mulheres vêm de planetas diferentes. Os que conheci, partilharam todos o calor do útero de uma mulher. Sei que por norma, nós mulheres falamos mais, se calhar demais. Ou falarão eles a menos, e do menos que nós queremos ouvir.
As melhores relações que conheço são participadas dizia uma senhora bem posta no café, mas não sei bem o que é que isto quer dizer. Acredito na democracia de uma relação, o termo faz-me sentido. Sou uma liberal e gosto de me privatizar na intimidade com a pessoa que amo. Mas preciso que me deixem respirar entre as braçadas da vida e os abraços apertados.
Às vezes, como todo o eleitor experimentado gostava de mergulhar numa monarquia de cordel. Mais precisamente, na pele da princesinha enfastiada, que só tem que escolher a cor do recheio do éclair.
Queria um décimo da autoridade que exerço sobre as disciplinas da minha vida.
O sonho de habitar numa corte….e só ser invadida, de quando em quando, pelo calor reconfortante das decisões já tomadas.
E queria tanto, mas tanto, que os eleitos do nosso coração, percebessem que há um Pause para cada Play, que a forma esfuziante com que exibimos os nossos feitos e as descrições adjectivadas das nossas acções infinitas, não eliminam a necessidade do cetim almofadado e da gargalhada do bobo.
É uma sensação tramada, chegar ao alto ermo da montanha e ter inveja do pastor deitado no seu sopé.
Fica a parecer que a senhora liberal e “bem-posta” do café curto, quer voltar à caverna burguesa da princesinha.
Quando tudo o que ela queria era ter um décimo da autoridade exercida sobre as disciplinas da sua vida.
Cada relação encerra a sua verdade.
E os universais são tão perigosos como qualquer frase que comece com “ele era ideal para ti…”.
Talvez a verdade da minha esteja naquele café liberal bebido como um bobo, no sopé daquela montanha à sombra de um castelo, na companhia acetinada de um príncipe com ideias de pastor.
Ou talvez…eu queira apenas um décimo da autoridade que exerço sobre as disciplinas da minha vida.

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Até velhinhos

Ate velhinhos | Isabel Saldanha

Eu não sei a medida exacta do tempo, nem da verdade.
Pouco sei do que dizem saber e aquilo que a idade me ensina é que só o que sinto está certo.
Nada quis na vida que perdurasse muito, com medo de me demorar no que não queria mesmo.
Já quis tanto por tão pouco.
Já me dei sem lucro de coisa alguma.
Já vivi dos proveito dos sonhos e fantasias, quando tudo o que a tua mão me decifrava era o espaço de uma boleia.
Já apertei com força o desejo, só para ensaiar a vontade de ficar, onde o coração já não fazia morada.
Agora acho que cresci, como na altura me sentia crescer.
“Agora é que é”, dizia, sabendo que o sufoco de não ser era um sinal que talvez fosse.
E quando o Agora não foi e a dor transformou as borboletas que voavam no meu interior em traças de roupa velha, eu acho que cresci.
O que é que eu sabia disso?
O que é que eu já sei?
Se cada experiência é um desvario e um coração não toca igual. Continuo a não saber a medida exacta do tempo, nem tenho a certeza absoluta se o que já cresci, chega para te segurar a mão.
Sei que desta vez não queria ir à boleia de um até já.
Que me custa imaginar um Adeus e que o futuro é um campo por lavrar onde tento plantar fundo os meus dias.
Também sei que elogio com frequência a beleza das tuas mãos mas o que eu queria mesmo dizer é que nunca largasses as minhas.

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