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Andamos nisto há uns aninhos

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Nem em lembro bem como conheci a Teresa.
Só sei que já a conheço bem.
Fotografei a Teresa e o Francisco uns meses depois do casamento. A primeira sessão “Trash the Dress” que já fiz.
Para quem não sabe é uma sessão fotográfica, feita depois do casamento, numa ambiente informal, mas com ambos vestidos de noivos.
Fomos para a praia e quebramos os tabus: não há lugares sagrados, nem vestes sagradas, areia no vestido, espuma do mar, dança nas rochas, corridas nas dunas. E foi tudo tão natural que não há uma fotografia em que estejam a olhar para mim. Senti-me uma Voyuer de duna a resgatar em imagens um casal de lua de mel. Depois a Teresa ficou à espera de bebé e lá fui eu fotografar por Alfama essa tão desejada gravidez. Estavam de novo tão felizes, tão na bolha, que mais uma vez, dançaram sobre as ruas, correram sobre os becos, comeram sardinhas, andaram às cavalitas, e com sorte tive algumas fotos de sorriso rasgado a olharem para mim.
Logo a seguir (enfim depois dos 9 meses da praxe e mais uns mesitos) foi a vez de conhecer a Clarinha, cópia amorosa do pai, miúda bem disposta, nascida do encontro de dois sorrisos.
Mais um membro porreiro para a família. Ainda para mais, o Francisco é grande apreciador de vinho, o que nos fez de imediato irmãos:)
Estas últimas fotografias, foram tiradas há menos de um mês, o casal continua apaixonado e sorridente e a Clarinha, cada vez mais parecida com o pai, vai afirmando a sua personalidade, sem perder o sorriso herdado.
Dá me um gozo especial acompanhar assim uma família. Olhar para as fotografias e ter o privilégio de estar sempre presente nos momentos mais felizes.
Mas isso também é uma das sortes que tenho: A de estar sempre a marcar as melhores fases com as fotografias certas. E tenho a certeza que este registo, para além de decorar paredes e estantes, vai lembrar a cada uma das famílias, nos momentos mais tensos, que para além da fotografia do momento, continuam a ter tudo o precisam para serem felizes. E a Teresa é fotógrafa percebe seguramente tudo o que escrevi:)

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Andamos nisto há uns aninhos:

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É aqui que eu estou

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“Por momentos pensou esquivar-se por entre a transparência da água. Susteve a respiração e mergulhou inteira no quente da banheira. Debaixo de água olhou para cima, empurrou as gotas pesadas com a grossura das suas pestanas e viu tudo igual, tudo turvo, como via à superfície.” IS

É aqui que eu estou nas Casas do Côro em Marialva. Já aqui estive há oito anos quando a Camila ainda não era projecto e a Caetana tinha dois anos. Tenho boas recordações mas não foi delas que vim à procura. Vim ao encontro de mim. E é aqui que estou a escrever à boca da lareira grande, com o tinto sobre a mesa e os dedos em riste sobre o teclado. Claro que já me encheram com uma posta mirandesa, uma sopa de cebola gratinada com presunto, uma entrada de queijo da serra derretido com doce de pimento, uma salada de folhada de bacalhau e coentros e um bolo de chocolate quente com gelado de nata. Tenho uma poltrona de veludo a galar-me a digestão. Mas vou fingir que não sei quem é e prosseguir. A escrita dá me pica, o sono só me alimenta a esperança de um novo amanhã. Até já:)

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O Bem Bom (versão mais ou menos)

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Ilude-se quem pensa que na Colômbia está o melhor do Caribe, entenda-se por melhor do Caribe, a imagem clássica das praias de água tépida azul turquesa, com uma areia tão fina que parece farinha e um areal cheio de coqueiros de verde saturado e umas casinhas de colmo em formato bar com a promessa de muita lima e muito álcool.
A ideia da viagem à Colômbia não era Praia e continua a não ser. As praias do caribe têm areia castanha pastosa, o mar é acizentado e o areal com excepção de alguns pontos a norte do caribe colombiano, não chegam aos calcanhares burgueses de um resort no México ou mesmo de um all inclusive em Punta Cana. A água é morna mas o mar é ondulante, fustigado pelo vento quente. E esqueçam as conchinhas à beira mar, que o mais certo são seixos de três cores difusos enterrados ocasionalmente no castanho lamacento. Na Colômbia vale a pena perder-se em algumas das suas cidades, nos pueblitos, na zona das plantações do café. Vale a pena conhecer a vibrante Cartagena das Índias e as paisagens do interior, onde circula uma das maiores biodiversidades do mundo. Existem alguns lugares como o Parque Tyrona e as ilhas que oferecem cenários mais encostados ao imaginário caribenho mas os preços são impraticáveis e continua a não compensar o desvio sobre o essencial da Colômbia.
Aterramos directamente em Bogotá, palmilhamos a cidade, mas acusámos o cansaço de quem ressaca de uma vida demasiado cheia e urbana. Era suposto seguirmos de Bogotá para Medellin mas optamos por vir directamente para Cartagena das Índias. Descobrimos a 15 km da cidade um pedaço de Caribe, castanho é verdade, mas suficientemente artilhado de colmo e palmeiras. Aqui, sem medos e peneiras, despojamos os corpos, o cansaço e os planos. Munimo-mos das havainas, do sol e assumimos de corpo e alma que o “Mais ou menos” era o nosso Bem Bom. Assim e mesmo conhecendo o que o globo tem para oferecer de paraíso, gozamos como quem não conhece, tudo o que já conhecíamos.

P.S.: É preciso acrescentar que este  hotel tem a particularidade de ser para maior de 15 anos o que é altamente convidativo, para quem soma 4 crianças em conjunto.

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Bienvenida a Bogotá 6.6

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No ano passado tive em 3 cidades sul americanas, Lima, Buenos Aires e La Paz. Este ano vim a Colômbia com o Pedro. E quem é o Pedro? É um tipo giro que o meu coração recrutou há um ano para ser meu namorado.
E Bogota? Bogotá tem o cheiro gémeo às cidades que já visitei, um cheiro que é comum a todas as cidades sul americanas, e que tem a ver com os hábitos culturais e sociais, onde se misturam os vapores da cidade e dos costumes. O mesmo acontece ao cheiro das Áfricas quando lhe reconhecemos no odor a terra quente, a calda e o pó. Não sei bem categorizar o tipo de cheiro, sem correr o risco de ser ofensiva, mas tem um misto de fritura, com açúcar, com shampoo floral e gasolina queimada. Outra coisa absolutamente única é o compasso, o som, a musicalidade e a cor. É tão bom saber que há povos que não se importam de entornar o colorido da vida sobre as paredes das casas. Bogotá é assim, uma cidade onde as histórias se inscrevem nas paredes, onde a cor do tijolo ocre se funde com os gritos revoltados de um povo que não se inibe em fazer da cidade um cartoon histórico dos seus feitos. Ainda ando por aqui ando a namorar as igrejas caiadas de branco encostadas às encostas verdes da cidade, ainda andamos rua acima, rua abaixo na cusquice da vida mundana, desejosos de sorver conversas e paladares, como se os estômagos estivessem abertos para a melhor digestão da vida, viajar.

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