Blog Archives

Os sonhos são meus

10708584_1251788244846810_2157089126320033842_o

Nunca quis ou desejei, ter uma filha que se parecesse com aquilo que sou, ainda menos, com aquilo que ainda não sou.
Ou dito de outra forma, com aquilo que sonhei de mim para mim.
Nunca projectei ao redondo da minha barriga a execução plena dos projectos que vou deixando em stand by.
Os sonhos são meus.
Cabe-me a mim a divisão árdua do tempo e o risco de decidir como me quero fazer pessoa. Não me passa pela cabeça deixar sobras dos meus talentos na esperança de as colher maduras num filho. Nem me lembro de alguma vez ter olhado para as minhas filhas à procura das parecenças nas coisas boas que admiro em mim. Quando elas despontam, despontam. Como a graça de um raio de sol num dia carregado de nuvens. Ou os pingos de chuva numa tarde tropical. Ou uma máquina fotográfica a tremer na mão pequena. Ou um poema ritmado escrito com erros repetidos.
E outras graças hão de despontar nelas, que nunca nasceram em mim.
Não ignoro a influência que tenho, sobre o mundo que sonham e a forma como se moldam a partir de mim. Sou fotógrafa e gestora e escritora e conspiradora, mas o que eu gostava mesmo é que elas conseguissem ver a vida sem filtros, que amassem as pessoas inteiras, com todas as suas linhas, desalinhas e imperfeições. Gostava que amassem o belo, sendo a verdade das coisas a beleza na sua essência mais sólida. Gostava que conspirassem muito, para alargar a visão dos factos, para além dos factos em sí. Gostava muito que soubessem construir com as palavras certas, as metáforas que mais se ajustam às suas vidas. E gostava muito, que um dia, quando tivessem filhos, se assim o desejarem, se lembrem que ninguém faz de alguém, alguém, sem se fazer a si primeiro.
E o Mundo precisa disso, de pessoas inteiras. Para os sonhos não virem às parcelas, só porque nos fizemos pequeninos para sonhos maiores.
Mas isto é só um sonho.
E os sonhos são meus.

Comentar

És uma mulher do Caraças!

post revista

Às vezes nem sei por onde começar.
E depois há sempre um engraçadinho que nos diz: “Pelo princípio”. Mas tenho tantos princípios em mim, que o melhor mesmo é começar.
No passado dia 7, a Cristina Ferreira, apresentou publicamente um novo projecto.
Estava a milhas de saber o que era.
Tinha a certeza que ia ser Grande, mas ainda estava a apanhar as passas da passagem de ano e a tentar colocar, sem pressas, as rodas deste comboio, sobre os carris apressados da vida, para me perder em grandes congeminações.
Descobri nesse dia, que ias lançar uma revista mensal e que eu era parte integrante desse projecto. Descobri-o nas minhas mãos, com um exemplar que me foi dado e que dizia na primeira página:
“Esta é a tua página. Começa a trabalhar.”
E sei que para além da fotografia, fui convidada a ter uma coluna minha. E também sei que a revista sai para a rua em Março.
E isto é para ti: Muito Obrigado! Não seria justo, se te dissesse que não sei o que fiz para merecer, mas será ainda mais honesto se te disser que o continuarei a fazer.
E pouco me interessa o que dizem. Tanto como me interessou, os que já disseram, ou os que ainda dirão. A verdade mais crua é que tens a habilidade de fazer acontecer, a sensibilidade de te rodeares de pessoas apaixonadas pelo que fazem, a resiliência para levares adiante e a capacidade de te reinventares constantemente. És uma mulher do Caraças! E essas, eu também sei que as vou querer sempre perto de mim.

Comentar